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Sistema de plantio direto de hortaliças prova seu valor na estiagem

Esse sistema se diferencia do modelo tradicional de cultivo de hortaliças, devido à qualificação teórica e prática de sujeitos envolvidos na produção, baseada, fundamentalmente, no conceito de redução substancial até a eliminação do uso de agroquímicos visando a promoção da saúde da planta e, consequentemente, do solo e da água.

Por: Redação Fonte: Redação
10/12/2020 às 14h37 Atualizada em 10/12/2020 às 15h27
Sistema de plantio direto de hortaliças prova seu valor na estiagem
Cobertura de solo por palhada é um dos princípios básicos do SPDH

Iniciado ao final da década de 1990, na região do Contestado em Santa Catarina, o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH) vem provando, principalmente em momentos de eventos extremos, sua capacidade de auxiliar produtores a manterem suas plantações e sua produtividade. A estiagem, que o Estado enfrentou desde o ano passado e quem vem sendo amenizada pelas chuvas dos últimos dias, serviu mais uma vez para que o SPDH mostrasse seu valor para a sustentabilidade da agricultura catarinense.

Esse sistema se diferencia do modelo tradicional de cultivo de hortaliças, devido à qualificação teórica e prática de sujeitos envolvidos na produção, baseada, fundamentalmente, no conceito de redução substancial até a eliminação do uso de agroquímicos visando a promoção da saúde da planta e, consequentemente, do solo e da água.

Caminho sem volta

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Marcelo Zanella, extensionista rural da gerência regional da Epagri em Florianópolis, conta que o SPDH vem ao encontro de todo um trabalho desenvolvido na Empresa pensando num sistema de produção com impacto ambiental bem menor, principalmente em relação à resiliência, ou seja, o comportamento em relação a extremos climáticos. Marcelo enumera as vantagens percebidas nas áreas que adotam o sistema no enfrentamento à estiagem: ficam praticamente o ano inteiro com cobertura de solo, tanto verde como palhada; mantém atividade de sistema radicular, o que ajuda a aumentar os poros do solo, tanto em tamanho quanto em quantidade, facilitando a infiltração e armazenamento de água nos períodos de chuva; aumenta a matéria orgânica resultante da decomposição da palhada, o que resulta em maior capacidade do solo em absorver e armazenar água; por fim, a palhada em superfície evita a evaporação mais rápida da água armazenada.

Os resultados aparecem na prática. De acordo com o extensionista, mesmo aqueles cultivos em SPDH que demandaram irrigação na última estiagem mostraram um desempenho diferenciado, consumindo cerca de um terço ou até apenas um quarto da água que seria necessária no cultivo convencional. “Ou seja, mesmo que seja preciso colocar água, esse sistema se torna muito mais eficiente em relação às perdas e traz uma condição melhor de cultivo para os produtores. Nesta estiagem, ficou clara a qualidade dos alimentos produzidos em SPDH na comparação com o cultivo convencional”, sentencia Marcelo. Segundo ele, o SPDH está consolidado e tem tecnologias para ser aplicado em todas as regiões de SC. “É um caminho sem volta para a agricultura catarinense”, afirma.  

Valdecir Bisotto, agricultor de Rio das Antas, diz que o SPDH o ajudou muito no cenário de escassez de chuva, apesar da pouca palhada cobrindo o solo do cultivo. A aveia que ele usou como cobertura não cresceu muito por ter sentido a estiagem. Charles Seidel, extensionista da Epagri no município, diz que Valdecir é parceiro da Epagri há alguns anos em SPDH e já usou o sistema em cebola com sucesso e agora está investindo pela segunda vez na produção de repolho.

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Grãos

Muito agricultores catarinenses também usam o plantio direto, que consiste basicamente em plantar sobre a palhada, para produzir milho e soja. Esse sistema é mais simples que o SPDH, já que não trabalha nutrição e fisiologia da planta, mas ainda assim responde bem à estiagem, por usar a palhada para proteger o solo. Segundo Marcelo, a Epagri está iniciando os trabalhos para aplicar o SPDH ao cultivos de grãos, o que, segundo ele, “pode contribuir em muito para melhorar o que já é feito no plantio direto tradicional”.

O produtor Wilson Ramlov, de Palmeira, viu a produtividade de seu milho subir de 38, 40 sacos por hectare, para 180, 190, ou até 200 sacos por hectare depois que passou as seguir corretamente as orientações da Epagri e aderiu ao plantio direto. “Faço todo ano aveia e ervilhaca na plantação de milho e isso tudo aumenta a matéria orgânica e está sempre bem bonito. Planto milho desde 2002, 2003. Até ali tinha arado e virava terra, dava uma chuva, levava as terras boas”, conta o agricultor.

Em 2010 Wilson já produzia em torno de 120 sacos por hectare, mas o extensionista da Epagri Clayrton Accacio Cruz da Silveira sabia que esse número podia ser ainda melhor. Aí teve início um acompanhamento mais intenso da fertilidade do solo. A cada três anos o agricultor envia amostras de solo para avaliação nos laboratórios da Epagri e com orientação do extensionista interpreta os resultados e faz a correções necessárias. “Faz mais de 10 anos que não é recomendado calcário para minha terra, está indo muito bem”, conclui o agricultor, que também optou pela rotação de culturas para proteger o solo e, consequentemente, a água de sua propriedade.

Fortuna

Em Lages, o jovem agricultor Thiago da Silva Largura é dono de uma Unidade de Referência Técnica (URT) da Epagri em gado de cria. Ele produz milho para alimentar os animais e optou pelo sistema de plantio direto por recomendação do extensionista local da Epagri, Galeno Ramos Vieira Filho. O agricultor conta que, seguindo a orientação do profissional, percebeu na última estiagem a diferença da palhada para segurar a umidade do solo.

Thiago também optou por plantar o milho Fortuna, uma Variedade de Polinização Aberta (VPA) desenvolvida pela Epagri, “sabidamente muito mais resistente à falta de água do que os híbridos que existem no mercado”, afirma Galeno. “É o primeiro ano que estamos plantando (o milho Fortuna), mas vimos que vizinhos plantaram e tiveram resultado. O nosso está se mostrando resistente à seca, com o manejo certo do plantio direto”, descreve o jovem agricultor, que completa: “também trabalhamos com pastagem de plantio direto, por indicação da Epagri, e tivemos bons resultados”.

Há 25 anos o agricultor Amilton Luiz Wiggers, de Bocaina do Sul, implantou plantio direto de milho, com orientação da Epagri, e tem notado uma diferença muito grande para o convencional. “A gente não pretende parar tão cedo ou nunca parar, porque a planta não sente a seca, ela conserva mais a água, e conserva também o solo”, comemora Amilton, que recebe assistência técnica do extensionista Saulo Luiz Poffo.

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