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Indústria paranaense produz 70% da fécula de mandioca do País

Produto de valor agregado, a fécula é usada na fabricação de comprimidos, pasta de dente, embutidos, papel, cola. Paraná é também o segundo maior em produção da raiz e detém o maior e mais moderno parque industrial de fécula e de farinha de mandioca.

Por: Redação Fonte: Redação
08/12/2020 às 09h38
Indústria paranaense produz 70% da fécula de mandioca do País
A Amidos Bankhardt, localizada em Paranavaí, existe há 15 anos e produz fécula de mandioca. São 50 funcionários e produção mensal de 1,25 toneladas, sendo que a maior parte é destinada a outras indústrias de transformação. Foto: José Fernando Ogura/AEN

O Paraná é o maior produtor brasileiro de fécula de mandioca. O Estado ocupa a segunda colocação na produção da raiz, atrás apenas do Pará. Mas está localizado aqui o maior e mais moderno parque industrial de fécula e de farinha de mandioca do Brasil.

Dando continuidade à série de reportagens que apresenta os produtos feitos no Paraná, vamos conhecer a produção e a industrialização de mandioca no Estado. O cultivo da raiz é um dos maiores geradores de mão de obra no campo, já que a colheita é quase toda manual. A concentração da produção está sobretudo no Noroeste, abrangendo também as regiões Oeste e Centro-Oeste.

Methodio Groxko, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento, explica que em 2019 o Brasil produziu 509 mil toneladas de fécula de mandioca, sendo 70% proveniente do Paraná.

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A produção da raiz, lembra Groxko, se expandiu depois da geada negra de 1975. “Com as plantações de café dizimadas, havia muita terra e muita mão de obra disponível. Foi assim que a cultura da mandioca ganhou força no Estado”, explica.

De acordo com dados do Sindicato da Indústria de Mandioca do Paraná (SIMP), hoje existem cerca de 50 fábricas de fécula, que normalmente têm outros produtos, como a farinha e a tapioca.

Guido Bankhardt, diretor do SIMP, destaca que as empresas produtoras empregam diretamente, em média, 100 pessoas e outras 150 indiretamente. “É uma cadeia que gera muita mão de obra. E a produção paranaense abastece todo o mercado nacional”, afirma.

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A Amidos Bankhardt, localizada em Paranavaí, existe há 15 anos e produz fécula. São 50 funcionários e produção mensal de 1,25 toneladas, sendo que a maior parte é destinada a outras indústrias de transformação. “A fécula de mandioca tem diversas utilidades. Além do consumo alimentar, o produto é usado na produção de comprimidos, pasta de dente, em embutidos, fabricação de papel, cola”, explica Guido Bankhardt, proprietário da empresa.

Cleia Bankhardt Satin da Silvacoordenadora de recursos humanos da empresa, diz que há pouco tempo a empresa começou a investir numa marca própria. “Iniciamos a embalagem de produtos em sacos de um e meio quilo. Hoje, nossos produtos estão mais presentes aqui na região, mas nosso projeto é coloca-los em todo o mercado nacional”, afirma.

Em Terra Rica está instalada a Farinheira Roders, de origem catarinense, desde 1997 presente no Paraná. O proprietário Vilmar Roders explica que são produzidas mil toneladas de farinha por mês, sendo que 60% são destinados à exportação.

“Temos nossa marca própria presente, sobretudo, aqui na região e em Santa Catarina, onde a Roders possui mais tradição. Mas hoje nosso carro-chefe é a exportação”, afirma.

A fábrica mói 200 toneladas de mandioca por dia e mantém cerca de 400 alqueires plantados com a raiz. Cerca de 50 famílias cuidam da colheita do produto que não tem época de safra e acontece durante todo o ano.

ECONOMIA – Uma das principais vantagens da indústria de fécula e farinha de mandioca é a autossuficiência. Quando a raiz chega da lavoura, passa por uma série de lavagens, perde a casca e está pronta para começar a ser processada. A água da lavagem e a casca da raiz vão para a produção de biogás, que é usado como combustível nas caldeiras das indústrias, reduzindo drasticamente o consumo de energia elétrica.

Adair dos Santos, técnico químico da Bankhardt, explica que, depois de gerado o biogás, a água da lavagem da mandioca é utilizada na fertirrigação da lavoura, servindo como adubo para as pastagens. “Nossa produção de biogás tem sido tão grande que estamos estudando a compra de um gerador para usar este excedente, transformando o biogás em energia elétrica”, afirma.

Vilmar Roders, da Farinheira Roders, explica que todo o excedente da produção da farinha é vendido para alimentação animal. “Instalamos na fábrica placas solares que, junto com o biogás, permitiu que nossa conta mensal de energia elétrica passasse de R$ 60 mil mensais para R$ 8 mil. Temos os equipamentos mais modernos que garantem um processo produtivo limpo e com o mínimo de desperdícios possíveis”, explica.

FEITO NO PARANÁ – Criado pelo Governo do Estado, e elaborado pela Secretaria do Planejamento e Projetos Estruturantes, o projeto busca dar mais visibilidade para a produção estadual. O objetivo é estimular a valorização e a compra de mercadorias paranaenses, movimentar a economia e promover a geração de emprego e renda.

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