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Setor do trigo debate expectativas e prevê dificuldades para 2021

Congresso virtual apresentou o cenário do grão no Brasil e mundo, além dos gargalos da cadeia

Por: Redação Fonte: Redação
26/11/2020 às 08h48
Setor do trigo debate expectativas e prevê dificuldades para 2021
O primeiro painel debateu a dinâmica do mercado, destacando os desafios do setor Attuale Comunicação

Em um formato inédito, a Abitrigo promoveu, na manhã de 25 de novembro, a 27ª edição do Congresso Internacional da Indústria do Trigo, que neste ano, por conta da pandemia, foi online e gratuita. 

“Pela primeira vez, a Abitrigo promove seu congresso de maneira virtual, uma experiência nova, em um ano que foi totalmente atípico. A pandemia afetou a vida de todos: empresas e consumidores. Nós nos reunimos hoje para fazer um balanço sobre a situação dos mercados internacional e nacional e debater as expectativas para 2021”, declarou o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa, durante a cerimônia de abertura.

“Estamos passando por um período de grande transformação, saindo do mundo analógico e acessando o mundo digital. Nossos mercados enfrentam grandes mudanças e trazer para o debate as estruturas industriais e comerciais do trigo, neste momento, é de extrema importância para todo o setor”, ressaltou o Deputado Federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Alceu Moreira.

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Com o tema central “Mudanças Recentes e o Futuro”, o evento debateu questões relevantes para toda a cadeia do trigo no Brasil e no mundo, por meio da participação de importantes players do setor.

Convidada para fazer a palestra inaugural do evento, a economista, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics e professora da SAIS/John Hopkins University Washington, Monica de Bolle apresentou um panorama do atual cenário geopolítico mundial, abordando as perspectivas econômicas e sociais, com destaque para os impactos no Brasil.

“O ano de 2020 foi um período muito difícil, mas chega ao fim de uma forma mais auspiciosa do que esperávamos, com a sinalização de vacinas com resultados promissores. Entretanto, estamos vivenciando, em alguns países, sinais claros de uma segunda onda, que também chegará ao Brasil”, destacou. “Neste momento, o melhor é trabalhar com um cenário de melhora, mas com cautela. A vacina vai chegar, mas ainda teremos pela frente um processo longo e lento, pois o Brasil é um país muito grande e com diferentes desafios em cada uma de suas regiões”, acrescentou.

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Sobre as relações internacionais, Monica reforça a importância da atenção com os Estados Unidos, principalmente com a eleição do novo presidente Joe Biden, que tem o meio ambiente como um dos pilares mais importantes do seu governo.

“O agro brasileiro precisará assumir um papel mais protagonista neste momento, demostrando todo o trabalho realizado pelo setor na área de sustentabilidade e preservação do meio ambiente. Sabemos que temos muitos produtores preocupados com essas questões e caberá ao setor privado brasileiro fazer a trabalho com os EUA para evitar um possível estremecimento entre os dois países”, enfatizou a pesquisadora.

A dinâmica do mercado do trigo

O primeiro painel do evento reuniu representantes da cadeia do trigo para debater a dinâmica do mercado, destacando os desafios do setor. Trazendo uma visão do cenário internacional do grão, o presidente honorário da European Flour Millers, Bernard Valluis, afirmou que a demanda mundial do trigo será atendida, pelo volume estimado de produção, até o ano de 2029.

“A pandemia da Covid-19 não teve um grande efeito a curto prazo no mercado do trigo. Nossa projeção é que teremos uma produção suficiente, mesmo com a previsão de crescimento da população mundial. A Ásia seguirá como o motor da demanda mundial do trigo, com destaque para países como China e Índia, onde o grão concorre diretamente com o arroz, caracterizando-se como um produto de primeira necessidade para a alimentação humana”, analisou Valluis. “Na escala de produção e exportação, os países que assumirão o topo do ranking serão Rússia, União Europeia, Estados Unidos e Ucrânia”, acrescentou.

O diretor comercial da Coamo Agroindustrial Cooperativa, Rogério Trannin de Mello, destacou as particularidades do trigo nacional, ressaltando a competitividade, principalmente pela boa qualidade do cereal. “Temos um trigo de excelente qualidade no Brasil, mas o maior desafio no aumento do volume de produção é a concorrência com o milho da segunda safra, que ainda rende maior lucratividade ao produtor. Aumentar as áreas de trigo ainda é uma escolha do agricultor, que acaba por optar pela cultura que lhe é mais atraente financeiramente”, explicou.

Trazendo a visão da indústria moageira, o executivo do Negócio Trigo da Bunge, Edson Csipai ressaltou que o preço de venda do trigo é um dos principais pontos de atenção do setor neste ano, que tendem a se manter na próxima safra, tendo em vista os cenário econômico mundial e o movimento de retenção dos estoques por parte dos produtores. “Enfrentamos um desafio muito grande na indústria moageira brasileira, que viu seus custos aumentarem 60%, mas que ainda não foram repassados ao mercado consumidor. Outro tema sensível é a questão do trigo transgênico, que enfrenta uma alta rejeição por parte do consumidor, o que leva os moinhos a não comprar esse produto”.

Ainda no debate sobre o mercado, o presidente da Associação Nacional dos Usuários de Transporte de Carga – ANUT, Luiz Henrique Baldez contribuiu com informações sobre a logística no Brasil. “Quando verificamos que na média o custo brasileiro representa cerca de 26% do produto e nos países da OCDE apenas 9%, podemos afirmar que temos uma diferença competitiva ainda muito grande.”, destacou referindo-se aos países que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. “A solução desse problema será a longo prazo com políticas estaduais e estáveis”.

A gestão na indústria do trigo

O segundo painel do evento tratou da gestão da indústria do trigo, com a apresentação de estratégias para que as empresas do setor atinjam seus objetivos e resultados, com uma visão eficiente dos processos do momento em que o cereal chega aos moinhos até o consumidor final.

Em um depoimento gravado exclusivamente para o evento, o CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni, elencou os principais pontos de atenção para o sucesso de uma empresa, destacando as pessoas como um dos ativos mais importantes do negócio. “As pessoas são a parte mais importante de qualquer estratégia. Todos os colaboradores assinam um contrato de trabalho quando entram na empresa, mas o mais importante é o ‘contrato emocional’, pois ele é voluntário e individual. É esse ‘contrato’ que fornece a energia que movimenta a empresa, que faz as pessoas se comprometerem com o objetivo da companhia, buscando inovar e se dedicar para atingir as metas”.

O Global Principal Application Scientist, Enzymes DuPont Health & Bioscience, Eduardo Pimentel Junior enfatizou que um plano de gestão eficiente é aquele que coloca as pessoas como um ponto de grande importância, possibilitando que elas se qualifiquem e se atualizem, preparando-as para inovar. “A indústria moageira é um setor que carrega os selos de artesanal e tradicional, mas é necessário sair da zona de conforto do tradicional e abrir espaço para a inovação. Esse processo deve ser marcado por um começo, mas a companhia precisa entender que inovar deve ser um movimento contínuo”, salientou.

Focado no cenário moageiro nacional, o presidente da J. Macedo, José Honório Tofoli, destacou a grande diferença entre os moinhos, no campo financeiro, que se reflete diretamente no mercado de farinha de trigo no país. “Temos que mudar paradigmas no setor e aceitar que o nosso problema está na gestão. O mercado está para todos, mas é preciso focar na gestão dos nossos negócios, traçando metas e objetivos a serem alcançados e parar de continuar aceitando que temos que vender barato”.

Finalizando as apresentações do painel, a diretora de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria – CNI, Mônica Messenberg analisou os impactos das ações dos governos na atividade empresarial. “Temos observado que o Brasil está entre os três níveis piores de competitividade, ou seja, aspectos como financiamento, tributação, logística e ambiente de negócios têm contribuído para que tenhamos uma dificuldade maior para que nossas empresas sejam competitivas, dentro e fora do Brasil. É necessário reduzir a burocracia e a tributação para que possamos nos tornar mais competitivos”.

O evento foi encerrado pelo presidente do conselho deliberativo da Abitrigo, João Carlos Veríssimo, que exaltou os conteúdos apresentados ao longo da manhã. “Focamos, ao longo das discussões deste Congresso, em apresentar informações suficientes para tornar as empresas do setor cada vez mais sólidas e rentáveis. Somente empresas rentáveis e com boa geração de caixa podem fazer com que o mercado mude e que possamos implantar todas as inovações que os nossos clientes exigem”, declarou Veríssimo.

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