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Geadas entre outubro e novembro causam danos localizados em pomares do Planalto Sul

As perdas nas áreas atingidas passam de 50% em alguns casos, principalmente nos pomares do cultivar gala. Soma-se a este cenário a perda de qualidade dos frutos que não caíram e perceberão efeitos da ocorrência de russeting e de anelamento, o que afeta o valor comercial da fruta

Por: Redação Fonte: Redação
18/11/2020 às 15h50
Geadas entre outubro e novembro causam danos localizados em pomares do Planalto Sul
Fruto apresenta dano após ser atingido por geada

Os dias 29, 30 e 31 de outubro e 5, 6, e 7 de novembro foram marcados por geadas em São Joaquim, Bom Jardim da Serra, Urupema e Urubici, municípios do Planalto Sul catarinense produtores de frutas. Conforme perícias realizadas pelos técnicos da Epagri e contatos com segmentos do setor frutícola, foram registrados danos localizados, principalmente na cultura da maçã, em pomares de maior risco técnico implantados em baixadas ou áreas próximas.

“Estimamos que ocorreram danos mais significativos em uma área em torno de 750 a 800 hectares, distribuídas em aproximadamente 150 unidades de produção na região”, relata Marlon Francisco Couto, gerente regional da Epagri em São Joaquim. Para contextualizar, ele lembra que a região produtora de maçã nos quatro municípios é de aproximadamente 11.213 hectares.

As perdas nas áreas atingidas passam de 50% em alguns casos, principalmente nos pomares do cultivar gala. Soma-se a este cenário a perda de qualidade dos frutos que não caíram e perceberão efeitos da ocorrência de russeting e de anelamento, o que afeta o valor comercial da fruta. “Isto é difícil de avaliar neste momento”, revela Marlon, lembrando que, de toda forma, a receita da safra está comprometida nas unidades de produção afetadas. “O custo de produção da maçã é alto e requer alta produtividade e muita qualidade para que o resultado seja conforme o esperado e necessário” avalia o gerente da Epagri.

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Marlon afirma que, em termos gerais, a safra de maçã está dentro da normalidade até agora, no que se refere ao potencial de produção da área, apesar do cultivar gala mostrar queda de frutos pós-floração, com muita variação deste efeito entre áreas distintas. “É cedo para afirmar que haverá uma quebra na produção ou que será uma boa safra, pois ainda temos um período relativamente longo até a colheita para torcer para que tudo corra bem em termos de não ocorrência ou de agravamentos de efeitos climáticos, como granizo e estiagem”, pondera o gerente.

Tipos de geada

O Planalto Sul catarinense, por sua localização, altitude e relevo, registra geadas tardias recorrentes, o que, para a fruticultura, é uma preocupação, já que acarreta em perdas. Na região de São Joaquim, produtora de maçãs, uvas viníferas, ameixa e pera, normalmente o período de maior preocupação vai da brotação/floração, em setembro, até meados de outubro. “É comum neste período no mínimo um evento de geada com potencial de dano na produção”, avalia Marlon.

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Previsões e ocorrência de geadas causam temor e prejuízos aos agricultores catarinenses. Elas podem ocorrer de duas formas. As geadas de advecção são resultado de ventos fortes à noite, com temperaturas abaixo de zero e baixa umidade do ar. São ocasionadas por massas polares, levando à ocorrência de geadas negras, que causam danos severos às plantas pelo congelamento das células dos tecidos. Como não há controle efetivo de sua ocorrência, a orientação técnica é a não implantação de pomares em topo de morros e locais com exposição sul. 

A geada de radiação, ou geada branca, está associada à presença de ar frio e seco, vento calmo, baixa nebulosidade, sendo um fenômeno que ocorre pelo depósito de gelo nas superfícies que estejam em temperaturas de 0° ou inferiores. Há situações em que as duas geadas podem ocorrer ao mesmo tempo, ou uma após a outra, o que é chamado de geada mista.

Orientação técnica

Segundo Marlon, a orientação técnica é a não implantação de pomares em topo de morros, locais com exposição sul, baixadas e banhados, o que aumenta a probabilidade de ocorrência e o risco técnico. Ele lembra ainda que, ao ignorar essa recomendação, o produtor poder gerar também o problema ambiental da drenagem de banhados para implantação de pomares, o que interfere no ciclo hidrológico da reserva natural de água.

O gerente da Epagri destaca a necessidade de a cadeia produtiva avançar em tecnologias e medidas de prevenção e mitigação dos efeitos climáticos na fruticultura e em outras culturas. “Investimentos em irrigação, armazenamento de água, cisternas, sistemas de cobertura antigranizo, prevenção e controle de geadas, análise de risco e planejamento, além de melhor gestão e preservação dos recursos hídricos, são fatores importantes dentro do processo de produção em um cenário de mudanças climáticas”, alerta.

Para viabilizar esses investimentos ele lembra que a Epagri operacionaliza programas da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural que subsidiam juros dos investimentos em projetos que podem ser utilizados com a finalidade de prevenção ou mitigação de adversidades climáticas. Nesta linha, ele destaca: Programa Cobertura de Pomares (Granizo); Programa Irrigar; Programa Água para Todos; Programa Menos Juros; Menos Juros Emergencial; Projeto Especial Para Abastecimento de Água Para Famílias em Vulnerabilidade Social e de Renda do Meio Rural Catarinense. Fonte Epagri.

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