
A raça Border Collie tem em seu DNA o pastoreio, pois passou por uma seleção para este trabalho. Desde que surgiu, na Grã-Bretanha, pode tocar sozinho inúmeros cordeiros, cabras ou bois, dando agilidade no manejo e bem estar animal, pois não deixa o rebanho estressado.
Apesar de ser criada para o pastoreio, a raça é relativamente recente e tem pouco mais de cem anos desde que foi estabelecido o seu padrão. Apesar disso, sua origem não é precisa e a justificativa é a de que seus ancestrais já atuavam como pastores de rebanhos no século XVI. Sua aparência física considerada rústica é o resultado da preocupação com a sua função pastora, atingida ao longo de cruzamentos seletivos. São cães de tamanho médio que tem expectativa de vida entre 13 e 16 anos. Sua pelagem dupla tem vários tons de cores, embora o preto e branco seja o mais comum.
A coloração de seu pêlo pode variar com tricolor, preto, branco e marrom. A cor dos olhos varia de castanho a azul e, ocasionalmente, acontecem casos de heterocromia. As orelhas também podem ter várias formas: algumas são totalmente eretas, enquanto outras são semi-eretas ou caídas. Sua altura varia conforme o sexo do animal: 48 cm a 56 cm para os machos e 46 a 56 cm para as fêmeas. Popular em seu país de origem, é considerado o cão mais inteligente do mundo, de acordo com o livro de Stanley Coren, A Inteligência dos Cães.
Para falar sobre a raça e mostrar o Border Collie em ação, o Sindicato Rural de Ponta Grossa recebeu o treinador de cães do Canil Border Collie Bom Pastor, João Américo Gomes. O evento foi realizado em duas etapas. Na primeira, foi uma palestra sobre a origem da raça, sua característica e manejo. A segunda foi realizada na Fazenda Imbuia, em Ponta Grossa, onde os cães mostraram sua agilidade no manejo das ovelhas que passaram pela tosquia.
A raça é um divisor de águas no manejo de rebanhos
Utilizar Border Collie como uma ferramenta e também fazer gestão
na fazenda, irá refletir no ganho de tempo e financeiro do produtor.
O treinador, João Américo Gomes, acredita que a raça é um divisor de águas no manejo de rebanhos. “Quando o criador ou o peão tem um cão da raça Border Collie em sua mão, além de um amigo fiel também possui uma ferramenta fantástica para manejar o rebanho de ovelhas, gado, cabras, entre outros. Ou seja, o Border faz uma diferença no manejo, pois iremos ganhar tempo, economia de custo, além de deixar o rebanho calmo. Posso afirmar que é um companheiro que conduz o rebanho deixando-o sem stress, assustado ou com ferimentos. Quando o rebanho é manejado de forma errada, os animais correm mais, comem menos e isso irá refletir na conversão e na sanidade. Já quando um rebanho é bem conduzido, tudo fica mais fácil e o Border Collie vem para ser essa ferramenta que trabalha em qualquer condição de tempo, ou seja, chuva, sol, frio, ele está ajudando o homem do campo.”, explica.
O Border Collie sozinho não faz milagre, portanto o condutor deve saber trabalhar em conjunto com o animal. Por isso, é importante fazer o adestramento correto dos cães, seja por palavras ou apito, para eles compreendam corretamente o que o condutor ordena que ele faça. Assim, o condutor deve observar muito bem como o rebanho se porta e conduzi-lo com o Border Collie de uma forma inteligente, harmônica e sem stress.
O presidente do Sindicato Rural de Ponta Grossa, Gustavo Ribas Netto, explica que o sindicato procurou fazer a demonstração para que o criador possa conhecer a raça pastoreando. “Procuramos mostrar aos produtores não só a teoria, mas também a prática, interligado com nossos colaboradores. Ambos puderam ver possibilidade de treinarmos os nossos cães da propriedade para executarem as mesmas tarefas que os cães do João Américo fizeram.”, relata Gustavo.
O veterinário e presidente da Cooperativa dos Produtores de Ovinos e Caprinos dos Campos Gerais (Coopergera), Izaltino Cordeiro dos Santos, acredita que para os ovinos é bem melhor o cão conduzindo do que um ser humano. “Isso é melhor porque ovinos entendem melhor o Border Collie, respeitando sua condução de uma maneira mais rápida e obediente, pois o cordeiro acredita que se não obedecer, o cão irá atacá-lo. Às vezes o humano pode conduzir de forma errada, isso ocorre por não expressar corretamente a direção que deseja que o rebanho siga.”, explica. Ele destaca que o uso de cães no pastoreio é viável, uma vez que o criador não terá os mesmos custos com um trabalhador rural, além de eficiência pois o cão pode tocar 200 animais tranquilamente. “Podemos dizer que utilizar o cão pastor hoje dentro da fazenda é uma questão de gestão, pois o cão pode ser considerado uma ferramenta de trabalho e isso pode melhorar os resultados financeiros do produtor.”, defende Izaltino.
O adestramento durca cerca de 7 a 8 meses
O Border Collie é a ferramenta que dá mais agilidade na condução do rebanho, sabendo respeitá-lo, para assim, conduzi-lo de uma maneira tranquila e sem stress.
Segundo João Américo, o Border Collie tem a inteligência comparada a uma criança de quatro anos e pode armazenar até 450 palavras, um cão extremamente dócil e obediente. Porém, nem todos os animais da raça se dão bem com os rebanhos apesar de terem no seu DNA o instinto de pastoreio. Isso ocorre porque existe o Borde Collie pet, ou seja, para dentro de casa.
Adaptá-lo para suas origens se torna mais complicado. Existe também o Border Collie de trabalho, que é ideal para tocar rebanho. Por isso é importante conhecer a genealogia do animal para ter mais sucesso. O custo de um filhote com genealogia de trabalho varia entre R$ 1.200 e R$ 2.500. Já um animal pronto pode variar entre R$ 3mil e R$ 5 mil.
O Border entra desde cedo para o adestramento, com 8 meses, mas animais mais velhos também podem ser adestrados. O custo para ter um animal adestrado fica em torno de R$ 3 mil. “Os cães, quando chegam ao canil, ficam um período de quarenta dias para se adaptarem ao local. Depois deste período é dado início aos treinamentos, que duram em torno de 7 a 8 meses. Mas além de treinarmos o Border Collie, também pedimos para que o proprietário, ou quem irá trabalhar com o cão, venha frequentemente ao canil para acompanhar o desempenho e também entender os comandos, sejam eles por palavras ou apitos.”, explica João Américo. Reportagem publicada pelo autor, na Revista Mais Rural nº 40 do Sindicato Rural de Ponta Grossa.