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Estudo com uso de IA projeta queda na média de chuvas na Grande São Paulo a partir de 2024

Pesquisadores compararam dados de 1980 a 2014 e não descartam eventos extremos e de curta duração até 2060

Por: Redação
24/04/2024 às 13h15
Estudo com uso de IA projeta queda na média de chuvas na Grande São Paulo a partir de 2024
Bruno Thethe/ Unsplash Cidade de São Paulo sofre com períodos de seca e inundações periodicamente

Em um cenário onde enchentes e secas têm se tornado cada dia mais frequentes devido aos efeitos das mudanças climáticas, um estudo que usa Inteligência Artificial concluiu que a Região Metropolitana de São Paulo deve ter uma redução entre 7,5% e 8,2% na média de chuvas a partir de 2024, na comparação com o período de 1980 a 2014.

A análise realizada pelo Lactec, centro de pesquisas privado, que atua com ciência, tecnologia e inovação, não descarta, no entanto, que a Grande São Paulo seja atingida por eventos extremos de curta duração, com muita chuva em poucas horas. 

A pesquisa, que faz parte de um conjunto de análises de 115 bacias hidrográficas afluentes às usinas hidrelétricas que compõem o Sistema Interligado Nacional, tem como objetivo caracterizar eventos extremos e realizar projeções que contribuam na avaliação dos impactos das mudanças climáticas nessas bacias.

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Segundo o pesquisador do Lactec, João Paulo Jankowski Saboia, responsável pela pesquisa, a ferramenta pode contribuir com toda a rede de concessionárias de energia, oferecendo subsídios para avaliar de que forma as mudanças climáticas podem afetar o sistema elétrico nacional.

Metodologia

O estudo realizado em São Paulo foi feito em escala mensal, analisando bacia da Usina Hidrelétrica Edgard de Souza, localizada no rio Tietê, em Santana do Parnaíba. As médias de chuva foram calculadas através de projeções climáticas, que tiveram como base cenários que compõem o Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados (Coupled Model Intercomparison Project). O CMIP é uma estrutura colaborativa do Programa Mundial de Pesquisas Climáticas (World Climate Research Programme), concebida para compartilhar conhecimento sobre o clima. 

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Segundo o pesquisador João Paulo Jankowski Saboia, o projeto está na fase 6 (CMPI 6) e conta com mais de 70 modelos climáticos. “Os diferentes cenários presentes neste programa possuem relação com variadas trajetórias socioeconômicas futuras, que consideram diversas condições de emissões de gases do efeito estufa, desde as mais conservadoras, às mais extremas. Em nosso trabalho, foram escolhidos os cenários de emissão moderada e emissão extrema”, explica ele.

Os resultados dos modelos ajudam a compreender de forma mais precisa o passado e o presente e auxiliam na realização de projeções mais precisas sobre o futuro das mudanças climáticas. No projeto, os pesquisadores usam técnicas de Inteligência Artificial, em particular de Machine Learning como ferramenta de suporte para uma melhor compreensão dos eventos extremos climáticos. A análise engloba fatores naturais, como os fenômenos El Niño e La Niña, por exemplo, e antrópicos, como as mudanças no uso do solo e construção de reservatórios.

 

Como está sendo realizada a pesquisa?

Com os dados obtidos, foi realizado uma espécie de detalhamento regional, por meio do modelo Weather Research and Forecasting (WRF). A partir daí, foi produzida uma série de acumulados mensais de chuva na área da bacia afluente da UHE Edgard de Souza. Este procedimento é muito utilizado em estudos climáticos para buscar mais elementos dos resultados.

Foram realizadas simulações com dados de 1980 a 2060. Os resultados até 2014 são utilizados para verificar a eficácia dos modelos desta etapa do projeto em reproduzir o passado. Os cenários de projeção começam a ser analisados a partir do ano de 2015 e seguem até 2023. Segundo o pesquisador, os resultados obtidos servem para entender se algum dos cenários do modelo é capaz reproduzir o comportamento da chuva observada na região neste período. “Os números reais do período histórico foram comparados com uma série de precipitação mensal produzida com o modelo, utilizando valores da base de dados. 

Assim foi possível verificar a capacidade de alguns dos modelos do CMIP6 em reproduzir a precipitação, que foi, realmente, observada”. 

A pesquisa intitulada Caracterização de eventos extremos de precipitação em bacias do SIN e projeções futuras com base em cenários de mudanças climáticas (PD-07427-0222/2022) segue em curso e será finalizada em janeiro de 2025.

Sobre o Lactec – O Lactec é um dos maiores centros de pesquisa, tecnologia e inovação do Brasil. Atua fortemente nos mercados de Energia, Meio Ambiente, Indústria, Mobilidade Elétrica e Conectividade em todo o ciclo de inovação; desde P&D, ensaios e análises até a execução de processos complexos para o setor de infraestrutura. Há mais de 60 anos, suas soluções e serviços atendem às demandas atuais dos diversos setores produtivos da economia brasileira, como empresas, indústrias e concessionárias de energia. Saiba mais em: lactec.com.br

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