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Anomalia da soja no Paraná: Um desafio a ser enfrentado com combinação de estratégias

Doença requer um combate que exige estratégias integradas para minimizar impactos na produtividade

Por: Redação
16/04/2024 às 16h33 Atualizada em 16/04/2024 às 16h45
Anomalia da soja no Paraná: Um desafio a ser enfrentado com combinação de estratégias
Soja em risco: Anomalia da soja exige atenção e medidas estratégicas para minimizar impactos na produtividade. Fotos divulgação

A anomalia da soja, também conhecida como Quebramento de Hastes e Podridão de Grãos, se tornou um problema preocupante para os produtores do Paraná, afetando a produtividade e a qualidade das lavouras. Para entender melhor o cenário e as medidas para combater essa doença, o Minuto Rural conversou com especialistas sobre o assunto.

De acordo com Bruno Zuntini, Líder do Portfólio de Fungicidas da Syngenta, o principal desafio para os produtores paranaenses é analisar o manejo da doença, identificar a redução no potencial produtivo e tomar decisões estratégicas para as próximas safras. Ele ressalta que a anomalia da soja pode reduzir a produtividade em até 40%, como observado em algumas regiões do Mato Grosso.

Marcelo Canteri, pesquisador e professor do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), complementa que, no Paraná, a anomalia da soja esteve presente na safra 2023/24, mas com impactos menos severos do que em outras regiões. Ainda não há dados oficiais sobre a perda de produtividade no estado, mas os especialistas alertam para os riscos de quebra de plantas e redução da qualidade dos grãos.

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Medidas de Controle e Prevenção

Diante da anomalia da soja, a Syngenta e algumas das principais instituições de pesquisas sobre o assunto do País, entre elas a Embrapa, Fundação Mato Grosso, Fundação Rio Verde, Universidade de Passo Fundo (UPF) e Proteplan; se uniram para buscar soluções eficazes para o problema. Estudos aprofundados revelaram que a doença é causada por um complexo de fungos, predominantemente dos gêneros Colletotrichum spp. e Diaporthe spp..

Com base nessas descobertas, a Syngenta desenvolveu um portfólio completo de fungicidas para o controle da anomalia da soja, incluindo ALADE®, MITRION® e ELATUS®. Bruno Zuntini destaca que a associação de multissítios em todas as aplicações e o monitoramento constante da lavoura e das condições climáticas também são medidas importantes.

Marcelo Canteri complementa que, além do controle químico, outras estratégias podem ser utilizadas para prevenir a anomalia da soja, como a palhada, a associação com multissítios e testes varietais. Ele ressalta que ainda há pesquisas em andamento para determinar a relação entre os fungos e os sintomas da doença.

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Ações das Agências de Defesa Agropecuária

As agências de defesa agropecuária estão tomando medidas para auxiliar os produtores no combate à anomalia da soja. Novas recomendações e medidas de prevenção estão sendo elaboradas para a próxima safra.

A anomalia da soja é um desafio para os produtores do Paraná, mas com combinação de estratégias de manejo, controle químico e pesquisas contínuas, é possível minimizar seus impactos e garantir a produtividade das lavouras

Acompanhe as entrevistas na íntegra.

 

MINUTO RURAL - Quais os principais desafios que os agricultores do Paraná enfrentam no combate à anomalia da soja?

Bruno Zuntini - Diante dos desafios impostos pela podridão dos grãos e das sementes e o quebramento das hastes da soja, a chamada anomalia da soja, a Syngenta buscou entender o problema de forma profunda, desempenhando um papel crucial na compreensão de ambas as doenças e no desenvolvimento de soluções eficazes para o controle dos seus agentes causais.

Sem dúvida, o principal desafio, não só para os produtores do Paraná, mas como para os demais sojicultores da região Sul, nesse primeiro momento, é analisar o manejo, identificar a redução no potencial produtivo e partir para a tomada de decisões estratégicas para as próximas safras. Por isso, é fundamental que os produtores olhem para o que aconteceu no Cerrado, onde o problema reduziu em até 40% a produtividade das lavouras nos últimos anos.

Além disso, os produtores devem focar na construção da sanidade da lavoura, o que envolve escolher o tratamento de sementes correto, monitorar o campo para identificar sintomas e doenças e planejar aplicações de fungicidas.

MINUTO RURAL -  Quais as medidas de manejo mais eficazes para controlar a anomalia da soja no estado?

Bruno Zuntini - Durante o estudo que realizamos em parceria com as principais instituições de pesquisas do Brasil, analisados dados de laboratórios coletados nos campos de diferentes localidades da região Sul e do Cerrado, durantes as últimas três safras. Os problemas foram detectados, analisados e confrontados com os obtidos pelo restante da comunidade científica, possibilitando algumas conclusões. A principal delas é que a anomalia da soja é causada por um complexo de fungos, cuja ocorrência que tem predominado é a dos gêneros Colletotrichum spp. e Diaporthe spp. Dessa maneira, conseguimos traçar boas práticas de manejo e uma recomendação para reduzir e controlar ambas as doenças

A conclusão do estudo apontou que o manejo efetivo, incluindo principalmente fungicidas para controle de Diaporthe e Antracnose, diminui a severidade dos problemas encontrados na soja. Também foi constatado que a associação com fungicidas à base de Carboxamidas, especialmente contendo o ingrediente ativo Solatenol, é indispensável para o sucesso no controle da podridão de grãos e sementes. O posicionamento técnico da Syngenta e a base científica das suas recomendações foi tão relevante que a empresa conseguiu, junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o registro dos seus produtos à base de Solatenol para os alvos biológicos causadores da problemática nas lavouras de soja. Com isso, a Syngenta foi a primeira do setor apta a seguir com recomendações direcionadas ao manejo de anomalias na soja suportada por bula, tendo o mais completo e eficaz portfólio contra os patógenos causadores do problema.

Entre a linha de produtos efetivos que compõem a recomendação por bula aprovada pelo MAPA para o combate à anomalia da soja estão ALADE®, fungicida translaminar que combina solatenol, ciproconazol e difenoconazol; MITRION®, fungicida inovador formulado a partir de solatenol e protioconazol, oferecendo controle preventivo e curativo; e ELATUS®, fungicida sistêmico e de contato com uma formulação que permite fácil dissolução e rápida penetração, criando uma barreira impermeabilizante contra fungos.

Além do controle químico é importante enfatizar a importância de outras práticas de manejo, como a associação de multissítios em todas as aplicações e o monitoramento constante da lavoura e das condições climáticas.

Minuto Rural - Como as boas práticas agrícolas associadas a defensivos podem ser modificadas para prevenir a anomalia da soja no Paraná?

Bruno Zuntini - O momento é de aprender e acompanhar o desenvolvimento da doença e identificar qual o potencial de dano das Anomalias em sua região. Temos algumas observações de apodrecimento de grãos já relatadas, e estamos acompanhando outras lavouras para mensurar a evolução geográfica da distribuição e com qual agressividade ela está se apresentado no Paraná e nos demais estados no Sul (RS e SC), além outras localidades onde já foram registrados a incidência da doença como Bahia, Tocantis e Piauí.

Minuto Rural - Qual o impacto da anomalia da soja na produtividade da cultura no Paraná?

Marcelo Canteri - A anomalia da soja, ou Quebramento de hastes/ Podridão de Grãos esteve presente no Paraná na safra 2023/24, mas ainda não obtivemos números oficiais. Porém, vale destacar que não foram observados os mesmos relatados de algumas regiões do Mato Grosso, onde a perda de produtividade chega a 40%. Ressalta-se que esta perda pode ocorrer tanto em função da redução da produtividade, pelo quebramento de plantas, quanto pela redução da qualidade dos grãos, inclusive grãos armazenados.

Minuto Rural - Quais as perspectivas para o futuro da anomalia da soja no estado?

Marcelo Canteri - No Paraná, infelizmente na safra 2023/24 foram constatados diversos focos de Anomalia. Na safra anterior, 2022/23 já haviam sido constatadas áreas com a presença do complexo Phomopsis/Diaporthe, fungo que tem sido encontrado associado à Anomalia. Os dados atuais, apesar de serem apenas observacionais, indicam que temperaturas elevadas e alta precipitação favorecem a ocorrência dos sintomas. Também há o relato de associação com alguns tipos de vagens que podem favorecer a infecção por fungos. Ou seja, patógeno, hospedeiro e ambiente interligados causando a anomalia. Alguns pesquisadores ainda questionam se realmente há associação de fungos com o problema da anomalia, porém dados de experimentos, em campo e laboratório, têm indicado que o uso do fungicida benzovindiflupir reduz a severidade dos sintomas de quebramento e principalmente da podridão de grãos. Desta forma espera-se que para o Estado do Paraná não seja pego de surpresa pela anomalia, como ocorreu em Mato Grosso, pois além da alternativa do fungicida para minimizar os sintomas, também têm sido pesquisadas outras estratégias como palhada, associação com multissítios e testes varietais para mitigar o problema da anomalia.

Minuto Rural - Quais as medidas que as agências de defesa agropecuária estão tomando para auxiliar os agricultores que estão enfrentando a anomalia da soja?

Marcelo Canteri - Há uma movimentação das agências de defesa agropecuária no sentido de prevenção para a próxima safra. Cremos que em breve teremos novidades sobre as medidas recomendadas.

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