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Calor extremo e pouca chuva impulsionam ataques de lagartas na soja, avaliam consultores e pesquisadores

Possível prevalência do fenômeno El Niño já resulta em aumento na pressão dessas pragas na Bahia, no Triângulo Mineiro, em Goiás e Mato Grosso do Sul

Por: Redação
29/11/2023 às 16h01
Calor extremo e pouca chuva impulsionam ataques de lagartas na soja, avaliam consultores e pesquisadores
De acordo com Dias Rosa, a combinação entre pouca chuva e calor extremo “acelera demais o ciclo de pragas, especialmente lagartas”. Ele enfatiza que esse cenário “sinaliza um ano difícil” em relação ao manejo de lagartas

Sócio da consultoria Agrotech Brasil, atuante na fronteira agrícola do Triângulo Mineiro, da Bahia, de Goiás e São Paulo, o engenheiro agrônomo Daniel Dias Rosa, mestre em fitopatologia e doutor em proteção de plantas, alerta para a intensificação dos ataques de lagartas à cultura da soja já neste início de ciclo. Segundo o consultor, em áreas cobertas pela consultoria ocorrem revoadas de mariposas acima do normal. “Capturamos número absurdo de mariposas em armadilhas de monitoramento”, salienta.

De acordo com Dias Rosa, a combinação entre pouca chuva e calor extremo “acelera demais o ciclo de pragas, especialmente lagartas”. Ele enfatiza que esse cenário “sinaliza um ano difícil” em relação ao manejo de lagartas. “O agricultor deverá entrar mais vezes aplicando inseticidas químicos, e observamos que estes produtos não funcionam tão bem quanto no passado.”

Segundo o sócio da Agrotech, levantamentos recentes permitem estimar perdas em lavouras de produção de sementes de soja da ordem de 10% a 15%, em produtividade, em virtude da ação de lagartas. “Poderá haver ainda aumento de custos, porque antigamente trabalhávamos com duas, três aplicações. Agora, falamos de cinco até oito”, esclarece Dias Rosa.

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O consultor conta que, recentemente, armadilhas de monitoramento da Agrotech, colocadas a cada 50 metros do entorno de lavouras, apuraram incidência elevada de Spodoptera frugiperda, “de 80 a 100 indivíduos por dia, mariposas adultas. O número é muito alto”, reforça. “No florescimento da soja, vemos uma ‘oviposição’ representativa de Helicoverpas”, complementa.

Para o consultor, ingredientes ativos como benzoato, clorpirifós, clorantraniliprole, além de todas as diamidas, registram redução acentuada de desempenho. “Hoje não há como trabalhar só com químico, mas buscar a integração de manejo. Uma das recomendações é agregar vírus, baculovírus especialistas em lagartas. Não gostamos da palavra resistência, mas com a perda real da performance de químicos, estudos indicam que diferentes lagartas caminham para a resistência”, finaliza Daniel Dias Rosa.

 

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Goiás e Mato Grosso do Sul

Eduardo Moreira Barros

 

Outra consultoria emergente e promissora no agronegócio, a Supera Soluções Agronômicas, fundada pelo doutor em entomologia Eduardo Moreira Barros, avalia igualmente que a safra será favorável ao desenvolvimento de lagartas. “Tivemos chuvas espaçadas, germinou muita planta daninha, muita planta tiguera, então existe boa oferta de hospedeiros alimentares para lagartas, antes da época.”

“Mesmo com mais investimento, mesmo o produtor ‘segurando’ para plantar, lagartas estão presentes mais cedo”, diz Moreira Barros. “Atribuo esse cenário à chuva antecipada e à temperatura mais elevada. O inseto encontra o que comer e o calor extremo acelera seu metabolismo. Tenho rodado lavouras em V2, V1 e em quase todas as áreas há lagartas.”

Conforme o sócio da Supera Soluções Agronômicas, no momento prevalecem nas regiões cobertas pela consultoria lagartas do gênero Spodoptera, sobretudo a Spodoptera frugiperda. “Para nós esta é a principal lagarta do sistema agrícola”, enfatiza.

“Em soja Intacta notamos também lagartas da subfamília ‘Heliothinae’, embora não dê para saber de fato de ‘Helicoverpa zea’ ou ‘Helicoverpa armigera’. Contudo, acreditamos tratar-se da ‘zea’, porque sabemos que ela se adapta muito bem aos cultivos transgênicos (bt)”, revela Moreira Barros. “Escapes de ‘H. zea’ foram, inicialmente, observados em plantas transgênicas do Nordeste – Maranhão, Piauí e Bahia -, exigindo o manejo com aplicações de inseticidas químicos e biológicos. E é provável que a ‘zea’ esteja se adaptando a estes cultivos também na BR-163, no Mato Grosso”, complementa.

 

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Monitoramento e plantas “tiguera”

 

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Segundo Eduardo Barros, para obter êxito no manejo de lagartas, em um ano tipicamente favorável a elas, o produtor deve investir no monitoramento das lavouras. “O monitoramento bem-feito começa antes do plantio. Com esse calor intenso, a Spodoptera, por exemplo, anda comendo muito a parte dos folíolos novos, ela está se refugiando no calor intenso. Indicamos assim um monitoramento mais ‘caprichoso’”, exemplifica.

Para o consultor, o monitoramento é indispensável, principalmente, porque permite a escolha de produtos específicos ao controle das lagartas identificadas e para definir o tamanho ideal no manejo (lagartas pequenas). “Há boas soluções para Helicoverpa, para Spodoptera. Nesse período quente e seco, os baculovírus associados aos inseticidas químicos são um posicionamento correto, trabalhamos nessa linha atualmente”.

Eduardo Barros chama a atenção ainda para a importância do manejo do milho tiguera. “Deve ser controlado por ser um grande potencializador de lagartas. Se o controle não for feito, na soja as lagartas surgirão maiores. A soja nasce e as largas cortam cinco, seis, dez plantas, esse é o grande problema, sem contar que elas podem danificar a parte área de plântulas recém-estabelecidas”, resume o consultor e pesquisador.

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