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Com Indicação Geográfica, morango do Norte Pioneiro impulsiona renda de pequenos produtores

Região, que colhe 6,5 mil toneladas anuais, conquistou o selo de Indicação Geográfica em 2022. Para conseguir o certificado, produtores adotaram técnicas com uso mínimo de defensivos e conseguiram dobrar valor de comercialização do produto.

Por: Redação Fonte: AEN
27/11/2023 às 10h08 Atualizada em 27/11/2023 às 15h45
Com Indicação Geográfica, morango do Norte Pioneiro impulsiona renda de pequenos produtores
Com Indicação Geográfica, morango do Norte Pioneiro impulsiona renda de pequenos produtores. Na foto, Osni Baum, proprietário da Baum Fruit. Foto: Gabriel Rosa/AEN

Práticas sustentáveis, técnicas que aumentam a produtividade e muito cuidado com o produto final. Esta foi a receita encontrada pelos pequenos produtores rurais de Jaboti, Japira, Pinhalão e Tomazina, no Norte Pioneiro do Paraná, para produzir morangos reconhecidos pelo sabor e a qualidade.

A boa fama, aliada a método de trabalho que garante rastreabilidade do produto, rendeu ao morango do Norte Pioneiro o selo de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O certificado foi emitido em 2022, após um trabalho de orientação aos agricultores locais feito pelo Sebrae/PR, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e a Associação Norte Velho dos Produtores Rurais de Jaboti, Japira, Pinhalão e Tomazina (ANV).

Para poder comercializar o morango com o selo, os agricultores da região precisam se comprometer a registrar todos os passos produtivos em um caderno de campo, separando a produção em lotes controlados, e a adotar práticas sustentáveis, como o uso reduzido de agrotóxicos, dando preferência a métodos biológicos e mecânicos de desinfecção.

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“Com a IG, nós garantimos maior qualidade do morango ao cliente, usando somente produtos biológicos, respeitando o caderno de campo e obedecendo aos procedimentos pós-colheita”, afirma a produtora Lucélia Costa.

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Uma destas práticas usadas pelos produtores é o plantio suspenso dentro de estufas. Em vez de plantar as mudas no solo, os produtores instalam calhas em estruturas que ficam a cerca de um metro do chão.

Além de evitar o uso de defensivos contra pragas do solo, a técnica possibilita um acompanhamento mais de perto dos morangueiros. A estufa também controla melhor o ambiente, reduzindo em até 5ºC a temperatura na área da lavoura. Isso permite que a fruta mature mais tempo ainda no pé, a deixando maior, mais saborosa e mais resistente.

“O plantio suspenso nas estufas beneficia o trabalho de modo geral. Reduz o uso de agrotóxicos, melhora a ergonomia para quem trabalha na colheita e também aumenta a produtividade, já que cabem mais mudas em um mesmo espaço de lavoura”, diz o agricultor Claudemir Silva.

No chão, são plantados cerca de cinco pés de morango por metro quadrado. Nas calhas, é possível distribuir de 7 a 12 mudas no mesmo espaço. No plantio suspenso, as mudas também duram mais tempo, chegando a cinco colheitas seguidas com o mesmo pé, cada um produzindo até dois quilos de morango por ano, enquanto no chão as mudas duram cerca de duas colheitas seguidas.

De acordo com o presidente da ANV, Marcelo Siqueira, as técnicas associadas ao trabalho da IG favorecem os agricultores familiares, que conseguem colher um volume maior de frutas em pequenas propriedades a um valor de mercado mais alto. “Além de ter uma tecnologia melhor e um melhor aproveitamento de área, estes produtores conseguem um maior valor agregado ao produto. A gente conseguiu praticamente aumentar em 100% o valor de venda do produto”, afirma.

OPORTUNIDADE – A boa rentabilidade para pequenos produtores é um dos motivos pelos quais a cultura do morango de maneira sustentável, com diferenciais de mercado, se desenvolveu na região, de acordo com Siqueira. “É possível dar uma renda melhor a um produtor familiar, que tem uma propriedade pequena. Ao mesmo tempo, sendo uma cultura familiar, é possível trabalhar com a fruta com mais cuidado e atenção nos processos pós-colheita. Isso também valoriza o produto”, disse.

Em todo o Estado, o morango foi a fruta que teve maior acréscimo da produção nos últimos dez anos, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), saltando de 18 milhões de toneladas anuais para 34 milhões de toneladas. Segundo o relatório anual do órgão, o motivo é a alta rentabilidade oferecida aos produtores.

Em Jaboti, por exemplo, cidade que mais produz a fruta na região, com 4 mil toneladas por ano, a proporção de pequenas propriedades rurais na cidade está acima das médias brasileira e estadual, de acordo com o Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017, o último divulgado. 72% das propriedades rurais no município têm até 10 hectares. No Brasil, elas representam 50% e no Paraná são 46% com esta dimensão.

Além disso, a região tem características climáticas e geográficas propícias para o cultivo da fruta. As cidades que possuem o selo da Indicação Geográfica estão a 500 metros de altitude, em uma área em que o inverno tem dias quentes e noites frias, o que favorece o desenvolvimento do morango. “Acabamos tendo um morango mais doce por causa destas características climáticas”, explicou a produtora Lucélia Costa.

De acordo com o consultor do Sebrae/PR no Norte Pioneiro Odemir Capello, a adoção das boas práticas associadas à Indicação Geográfica surgiu a partir de uma pesquisa de mercado local por parte do Sebrae, que identificou o potencial de comercialização para um produto de maior valor agregado.

“O que nós vimos é que a região tinha clientes em potencial que não estavam buscando preço, mas um produto de qualidade. Com o trabalho da Indicação Geográfica, nós pudemos ter condição de trabalhar coletivamente isso com os pequenos produtores da região”, afirma.

Além das práticas sustentáveis que valorizam o morango, os produtores associados à IG também têm melhores condições de comercializar a fruta coletivamente, uma forma de amenizar a variação de preço condicionada à sazonalidade do produto.

“Conseguimos criar uma dinâmica para fornecer morango o ano todo aos nossos clientes. No período de entressafra do Rio Grande do Sul, nós vendemos morango a eles, mesmo eles sendo um dos maiores produtores do País”, explica o presidente da ANV, Marcelo Siqueira.

Com Indicação Geográfica, morango do Norte Pioneiro impulsiona renda de pequenos produtores. Na foto, Claudemir Silva, produtor. Foto: Gabriel Rosa/AEN

 

IMPACTO ECONÔMICO – Ao todo, são cerca de 300 produtores envolvidos na produção de morango na região nos municípios de Jaboti, Japira, Pinhalão e Tomazina. Em torno de 10% deles são credenciados a produzir a fruta com IG.

Levando em conta toda a produção da fruta nas quatro cidades, são colhidas 6,5 mil toneladas de morango por ano, o que representa 20% da produção estadual.

Em todo o Paraná, o Valor Bruto da Produção (VBP) do morango foi de R$ 398 milhões em 2022, de acordo com o Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral). Em Jaboti, é a maior fonte de renda agropecuária do município, com VBP de R$ 47 milhões. O valor representa o dobro da segunda atividade mais rentável da cidade, o frango de corte, com R$ 21 milhões.

Em Pinhalão, a produção da fruta movimentou R$ 19 milhões em 2022, em Japira, R$ 5,4 milhões no mesmo ano, e em Tomazina, R$ 2,3 milhões.

CADEIA PRODUTIVA – A fama da região impacta toda a cadeia produtiva do morango, mesmo para agricultores ou empresários que não trabalham com os produtos com o selo de Indicação Geográfica. Os morangos produzidos no Norte Pioneiro chegam a outros estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

É o caso do empresário Osni Baum, proprietário da Baum Fruit, empresa de Jaboti que comercializa frutas in natura, congeladas e em polpa. A família dele foi uma das pioneiras no plantio de morango na região na década de 1990. Três décadas depois, a empresa desfruta da notoriedade que o morango deu para a região.

“É importante, porque acaba tendo mais compradores interessados nas frutas. Ter a região como referência acaba facilitando a comercialização tanto para os produtores em geral, como para nós como empresa”, afirma.

Para dar mais longevidade às frutas comercializadas pela família e chegar a compradores mais distantes, ele decidiu congelar os morangos. “A gente sofria muito com o morango que ficava muito maduro, que acabava não tendo mercado e que a gente tinha que vender muito barato. Por causa disso, eu comecei a vender o produto já congelado para dar mais valor ao produto”, contou o empresário.

O processo industrial deu escala ao negócio, que atualmente comercializa cerca de 300 toneladas de morangos congelados anualmente. “Além disso, agregamos mais produtos ao portfólio, comercializando outras frutas e entregando no Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul”, completou.

NDICAÇÃO GEOGRÁFICA – Os 12 produtos paranaenses que obtiveram a IG até o momento são a goiaba de Carlópolis; as uvas de Marialva; o barreado do Litoral; a bala de banana de Antonina; o melado de Capanema; o queijo de Witmarsum; o café do Norte Pioneiro; o mel da região Oeste; o mel de Ortigueira; a erva-mate de São Mateus do Sul; o morango do Norte Pioneiro e os vinhos de Bituruna

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