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Cestas Solidárias: há 6 anos aproximando agricultores e consumidores

O Projeto tem em seu escopo a oportunidade de colocar em prática um mercado de circuito curto de comercialização, onde as relações de seus principais atores são construídas de forma justa, com preços bons para o agricultor e consumidor e transparente para ambos.

Por: Redação Fonte: IDR-Paraná
14/11/2023 às 13h29
Cestas Solidárias: há 6 anos aproximando agricultores e consumidores
O Projeto visa promover um mercado de circuito curto, garantindo relações justas, preços vantajosos para agricultores e consumidores, e transparência mútua. Fotos IDR-Paraná

Aproximar produtores e consumidores, democratizar o consumo de alimentos orgânicos e agroecológicos são alguns dos objetivos do Projeto Cestas Solidárias, desenvolvido pelo IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná), na Região Metropolitana de Curitiba. O projeto, que nasceu em 2017, amplia e divulga as iniciativas que contribuem para a produção e o consumo de alimentos orgânicos e saudáveis, bem como promove o desenvolvimento local sustentável.

Ivo Melão, engenheiro agrônomo da Casa da Agroecologia do IDR-Paraná, é o coordenador do projeto e junto com o quadro técnico de bolsistas faz a mediação entre os produtores e consumidores que participam da iniciativa. Ele conta que o projeto Cestas Solidárias surgiu seguindo um modelo inspirado nas AMAPs (Associação para a Manutenção de uma Agricultura Familiar) criadas na França.

O Projeto tem em seu escopo a oportunidade de colocar em prática um mercado de circuito curto de comercialização, onde as relações de seus principais atores são construídas de forma justa, com preços bons para o agricultor e consumidor e transparente para ambos.

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“Muito mais do que aproximar quem vende de quem compra, o Projeto busca valorizar e reconhecer a produção desses alimentos e, ao mesmo tempo, ressignificar o seu consumo”.

Atualmente são 20 grupos de consumo em funcionamento na Região Metropolitana de Curitiba, com uma média de 15 famílias consumidoras por grupo, o que representa 1200 cestas por mês, mais de 6 toneladas de produtos comercializados e um movimento em torno de 45 mil reais. Dependendo do número de clientes no grupo, o agricultor pode ter um rendimento com potencial variando de 2 a 8 mil reais mensais. O valor médio mensal para os consumidores é de 150 reais para quatro cestas mensais e os agricultores oferecem uma produção diversificada de forma regular a cada semana.

Para Melão, o papel do IDR-Paraná como articulador e animador do processo de formação dos grupos de consumo tem sido fundamental desde o início. “A experiência do Projeto tem demonstrado que aos poucos cada grupo estabelece uma dinâmica própria de funcionamento, com mediação por parte dos técnicos do IDR-Paraná, quando necessária ou solicitada, por exemplo nas épocas de reajuste dos preços das cestas; na rotatividade de consumidores nos grupos; na programação de visitas de consumidores as propriedades, nos encontros para avaliação do projeto”.

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Em breve serão formados grupos de consumo que serão atendidos por produtores que estão em transição agroecológica. “O desafio é oportunizar este canal de comercialização a esses produtores que nesta fase, normalmente, encontram mais dificuldades de venda de seus produtos no mercado”, explica Ivo Melão.

Ganha-ganha para agricultores e consumidores 

No Projeto Cestas Solidárias todos ganham. Os agricultores têm uma garantia de venda toda semana. Como não existe um intermediário na negociação, os agricultores podem fazer a entrega por um preço melhor. 

Valdevino Lorenzi é agricultor e veterano no Projeto Cestas Solidárias. “Estou desde 2017 e o Projeto é excelente para nós produtores. Recebemos com antecipação, assim podemos investir na produção e na programação das culturas. Minha propriedade fica em Mandirituba e temos 45 clientes do Projeto”, conta Valdevino.

Na outra ponta, o consumidor tem acesso facilitado a produtos agroecológicos confiáveis. Em média as cestas têm de sete a nove produtos entre frutas, hortaliças, tubérculos, podendo incluir outros alimentos produzidos pelos agricultores como mel, geleias, compotas, ovos, entre outros. A principal característica é que são produtos de época, da região e produzidos sem agrotóxicos e insumos químicos.

Para a consumidora Maria Ester Gomes, o Projeto é muito inteligente e importante. “Otimiza o tempo dos consumidores e agricultores, auxilia na manutenção de uma vida saudável com o consumo de produtos orgânicos a um preço acessível, além de ter o contato direto com o produtor. Esse contato é fundamental tanto para saber a origem dos alimentos, quanto na conscientização sobre a produção orgânica. Quem sabe no futuro todos os agricultores se tornem orgânicos, pois saúde na mesa é o que todos desejam”, disse Mari.

O professor e engenheiro agrônomo do IDR-Paraná, Moacir Darolt, explica que os consumidores fazem economia e ainda contribuem para melhorar a renda dos produtores familiares. “O Projeto do Cestas Solidárias vem responder a uma demanda crescente por parte dos consumidores por alimentos frescos e diversificados, agroecológicos, com uma identidade e proveniência conhecidas e um preço acessível. Por outro lado, responde a uma dificuldade de comercialização que muitos produtores enfrentam, trazendo segurança de renda e de planejamento da produção, pois toda a produção pode ser comercializada”.

Darolt acrescenta que o consumidor deve ser consciente e solidário com o agricultor, no sentido de aceitar os produtos da cesta sem prévia escolha.

Na aproximação entre consumidores e produtores, intermediada pelos técnicos do IDR-Paraná, são realizadas pelo menos duas reuniões para promover a conscientização do consumo responsável e saudável e também fazer o acerto sobre o número de itens da cesta, dia e horário de entrega, o local e o preço. Cada consumidor recebe uma sacola, confeccionada em material reciclado, que serve para atender a dinâmica de troca (leva e traz). O pagamento é feito de forma antecipada, mensalmente, diretamente ao produtor.

Reconhecimento 

O Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) recebe trabalhos que contribuem para o campo agroecológico nas suas múltiplas expressões e esse ano, no espaço destinado a relatos de experiências técnicas, haverá a apresentação do trabalho de conclusão de curso da bolsista da Casa da Agroecologia IDR-Paraná, Jaqueline Cremonese que foi sobre o Projeto Cestas Solidárias.

Para Jaqueline trabalhar no Projeto é ao mesmo tempo muito gratificante e desafiador, pois a cidade parou de conversar com o campo, e o que não se vê, não se sente. “O canal de diálogo que o projeto cria dos consumidores com os agricultores é importante ao passo que os consumidores entendem o papel que possuem”.

Sobre a oportunidade de apresentar o Cestas Solidárias no Congresso, Jaqueline explica que será incrível relatar essa experiência de circuito curto de comercialização da agricultura familiar e orgânica na região metropolitana de Curitiba. “Mais do que isso, o projeto poderá ter outros pontos de vista, visando aumentar sua abrangência e efetividade. O 12º CBA demonstra ser especialmente importante dado o agravamento das mudanças climáticas nesse ano de 2023, e considerando que a agroecologia é um dos caminhos para enfrentar esse fenômeno”.

Para participar - O agricultor interessado em participar do projeto deve entrar em contato com a sua cooperativa ou com o escritório do IDR-Paraná do seu município para conhecer as demandas dos consumidores mais próximos da sua propriedade.

Os consumidores interessados em apoiar o projeto, adquirindo as cestas, devem procurar no IDR-Paraná se existe algum grupo na sua região. Se não houver, a pessoa pode reunir amigos ou familiares para formar um grupo, com um número mínimo de 15 participantes. A partir daí basta entrar em contato com o IDR-Paraná que vai promover um encontro com produtores para a definição de produtos e detalhes da entrega.

O contato pode ser feito pelo telefone (41) 3544-8110.

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