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Representantes da cadeia de soja de 10 países visitam fazendas certificadas em sustentabilidade no Brasil

Duas fazendas do Triângulo Mineiro receberam visita de grupo de 70 pessoas que fazem parte da Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS)

Por: Redação
23/10/2023 às 10h10
Representantes da cadeia de soja de 10 países visitam fazendas certificadas em sustentabilidade no Brasil
Visita à Fazenda São José - Estância das Águas Divulgação

Um grupo de 70 pessoas ligadas à cadeia produtiva da soja, entre produtores, representantes de indústrias, instituições financeiras, tradings e ONGs de 10 países visitou duas fazendas da região do Triângulo Mineiro certificadas como produção de soja responsável pela Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS – Round Table on Responsible Soy).

Composto por representantes do Brasil, Holanda, Suíça, Bélgica, Argentina, Paraguai, Reino Unido, Japão, França e Alemanha, o grupo conheceu a Fazenda Água Santa, localizada entre os municípios de Perdizes e Santa Juliana (MG) e a Fazenda São José, que fica em Araguari (MG). Ambas possuem a certificação Padrão RTRS de Produção de Soja Responsável, assegurando que a soja foi produzida em condições ambientalmente corretas, socialmente justas e economicamente viáveis, com zero desmatamento.

A Fazenda Água Santa, que teve área plantada de soja de 34 mil hectares na safra 21/22, é certificada RTRS desde 2016, a partir do trabalho da Produzindo Certo em parceria a Unilever. Desde então, produziu 134 mil toneladas de soja certificada. A propriedade conta com 1,6 mil hectares de área protegida e 95% da APP (Área de Preservação Permanente) preservada.

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Para a engenheira agrônoma Tamires Maruzzo, responsável pelas certificações na Fazenda Água Santa, além do inegável avanço na parte ambiental, a certificação RTRS trouxe ganhos também para a produção e o aspecto social da fazenda. “Melhorou muito o nosso controle na parte produtiva, principalmente em relação aos custos, ao que entra e sai, o que é fundamental para sermos mais eficientes. Além disso, é indiscutível o impacto na parte social, a percepção dos colaboradores em relação a benefícios e melhorias para as pessoas”, descreveu Tamires. Para ela, é gratificante receber visitas como a do grupo da RTRS.

“Vemos que o nosso trabalho está dando certo e que nos tornamos exemplo aqui no Brasil e no mundo. Queremos mostrar que não é preciso ter receio de ser certificado. Quando passamos pela certificação, não é nada menos do que dar uma organizada na casa e passar a ter controle de certas coisas que antes não tínhamos. Mas acima de tudo, queremos mostrar que é possível produzir de forma sustentável e responsável”, destacou a agrônoma.

De acordo com a gerente de projetos da produção de soja da Produzindo Certo, Cristhiane Simioli, a visita do grupo proporciona uma grande oportunidade de quem elabora as normativas da certificação conhecer mais de perto a realidade do campo. “É muito importante que possam conhecer a realidade que vivemos no Brasil, com as dificuldades, desafios e oportunidades, pois o ideal é longe do real que temos. Então é importante que conheçam da porteira para dentro da fazenda para que possamos aprimorar, crescer e ganhar escala”.

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Grupo da RTRS em visita à Fazenda Água Santa - Divulgação

 

Certificação tanto para fazendas maiores como de menor porte

A fim de mostrar uma propriedade de menor porte, o grupo da RTRS visitou também a Fazenda São José – Estância das Águas, que conta com uma área de produção de soja de 325 hectares, com volume de produção de 1072 toneladas. Cerca de 250 hectares de área produtiva são irrigados por sistema de pivô central. A propriedade possui 110 hectares de área reservada à preservação da vegetação nativa, o que corresponde a 22% de sua área total. Destes, 8% são áreas destinadas à recuperação da vegetação nativa. A fazenda está em fase final da certificação RTRS, pertence ao grupo de gestão da CJ Selecta e conta com o apoio de consultoria técnica da Produzindo Certo.

A conclusão da visita se deu na planta de Araguari da CJ Selecta, que faz o esmagamento de 2.200 toneladas de soja por dia, processando e produzindo produtos como óleo de soja, casca de soja, leticina e o Concentrado Proteico de Soja (SPC – Soy protein concentrate), ingrediente utilizado em diversas aplicações para ração animal, em especial de peixes e salmão. Além disso, a fábrica, com processo bastante circular e sustentável, produz fertilizantes orgânicos, etanol à base de melaço de soja, entre outros.

As visitas agradaram o importador de soja da empresa holandesa Nevedi, Henk Flipsen. “Todas as empresas da Europa, principalmente da Holanda, de onde venho, querem ser responsáveis. Por isso, é muito importante ter a certificação para provar que a soja que está sendo comprada é produzida de maneira responsável”, declarou o holandês.

“Achamos crucial mostrar para as pessoas, em especial da Europa, o que está realmente acontecendo e quais os esforços que estão sendo feitos aqui para preservar a natureza. E realmente estamos vendo que é uma realidade”, afirmou o representante da associação Product Board for Margarine, Fats and Oils (MVO), Eddy Esselink.

“A viagem de campo foi uma excelente oportunidade para os diversos atores da cadeia produtiva da soja conhecerem mais sobre o impacto da certificação RTRS e, ao mesmo tempo, entender o que ocorre ao longo da cadeia de fornecimento sustentável, desde a origem da soja até o processamento e distribuição, demonstrando que é possível assegurar que produtos processados de soja foram produzidos em condições ambientalmente corretas, socialmente justas e economicamente viáveis com zero desmatamento”, destacou a gerente de ESG da CJ Selecta, Patricia Sugui.

Para o presidente da RTRS, Lieven Callewaert, foi muito proveitosa a oportunidade para o grupo, composto por diversos representantes da cadeia produtiva, conhecer a campo uma fazenda de maior porte e outra de menor porte, desde a produção até o processamento na fábrica da CJ Selecta. “Mesmo diante de algumas incertezas, como a nova legislação europeia de zero desmatamento que entrará em vigor no final do próximo ano, depois dessa viagem acredito que estamos fazendo a coisa certa do jeito correto. E de forma colaborativa podemos ter muitas inovações e trilhar o caminho da regeneração, não só de práticas agrícolas, mas também no componente social, pois adiciona muito valor às empresas compradoras”, analisou.

Encerramento da Field Trip ocorreu na fábrica da CJ Selecta - Divulgação

 

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