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Com menor área produzida, São Paulo fecha 2023 com safra de 460 mil toneladas de trigo

Informações de cooperativas e cerealistas apresentadas em reunião da Câmara Setorial do Trigo do estado indicam qualidade superior à da colheita de 2022

Por: Redação
20/10/2023 às 16h05
Com menor área produzida, São Paulo fecha 2023 com safra de 460 mil toneladas de trigo
Informações de cooperativas e cerealistas apresentadas em reunião da Câmara Setorial do Trigo do estado indicam qualidade superior à da colheita de 2022

Com a colheita do trigo em solo paulista se aproximando do fim, o volume estimado de produção no estado está na casa das 400 mil toneladas, com qualidade superior à safra anterior. Essas informações receberam destaque na última reunião da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo de 2023, realizada no dia 19 de outubro em Itaberá (SP).

O evento, realizado de forma híbrida, reuniu a cadeia produtiva do cereal na cidade que apresenta a maior quantidade de trigo produzida no estado para debater os resultados esperados da safra e analisar o contexto em que eles estão inseridos nacional e internacionalmente. Os palestrantes convidados trocaram informações e conhecimentos com os participantes da reunião, com o objetivo de avançar no desenvolvimento do trigo paulista.

Em relação à etapa produtiva do processo, o Gerente de Produção de Sementes da Biotrigo Genética, Bruno Moncks, indicou que o intervalo de 45 dias na semeadura em diferentes regiões produtoras de São Paulo produziu resultados diferentes no campo, variando de acordo com as condições climáticas distintas encontradas nas fases de desenvolvimento do trigo.

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“O rendimento da cultura é dependente de quando o grão foi plantado. O produtor paulista enfrentou a seca no estabelecimento das primeiras áreas e, posteriormente, a condição de chuva, gerando resultados diferentes pelo estado. A qualidade desse trigo, consequentemente, também poderá variar de acordo com a região e com a época de semeio”, explica.

De acordo com a Gerente de Desenvolvimento de Produtos da Biotrigo, Kênia Meneguzzi, variações de temperatura facilitam o enchimento do grão, o que exerce influência direta na qualidade do trigo colhido. Em 2023, São Paulo apresentou temperaturas mais estáveis, com baixa amplitude, e a cultura passou por uma situação de estresse por calor.

No Cerrado, Moncks avalia que as chuvas nos períodos ideais possibilitaram rendimento e qualidade superiores aos registrados no ano anterior. Já nos estados da região Sul, a precipitação, a giberela e a brusone impactam negativamente as safras, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

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Volume de produção

A reunião da Câmara Setorial contou, ainda, com a tradicional apresentação dos reportes de cooperativas e cerealistas do estado, cuja produção estimada está na casa das 400 mil toneladas. A área cultivada em São Paulo teve uma redução, em função de um maior espaço destinado ao plantio de cevada.

O motivo atribuído para essa troca de culturas foi a baixa rentabilidade trazida pelo cultivo de trigo. Segundo os representantes das cooperativas presentes, o investimento para produzir um cereal de qualidade é superior ao retorno financeiro que isso proporciona.

“Mesmo sob efeito do calor e da chuva no final da colheita, as cooperativas presentes reportaram qualidade boa ou melhor para o trigo paulista. Algumas delas destinaram uma menor área para o cultivo, por conta da cevada, mas outras puderam aumentar o número de hectares dedicado ao trigo”, ressalta o Presidente da Câmara Setorial, Ruy Zanardi.

Cenário interno e externo

O analista da Safras & Mercado, Élcio Bento, trouxe aos participantes um panorama sobre a situação do cereal no Brasil e no mundo. Além da chuva que afetou as principais regiões produtoras, outro fator que alterou o cenário interno foi a diminuição da safra argentina, que, por consequência, destinou um volume menor de trigo para exportação.

“Ano passado o País teve um avanço na produção interna, atingindo números recordes. Em 2023, é esperado um volume total inferior no Brasil e, com uma demanda maior do que a quantidade cultivada, a importação ainda é uma importante ferramenta para os moinhos. Quem mais preencheu a lacuna deixada pela Argentina foi o trigo russo, principalmente na região Nordeste”, pontua.

A guerra entre Rússia e Ucrânia continua influenciando os preços internacionais do cereal, nutrindo um cenário de instabilidade nas principais bolsas do mundo. Com os preços na Rússia reduzidos, a conclusão do analista é de que o mercado passa por um momento baixista.

A reunião da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo pode ser acompanhada na íntegra pelo link:

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