Pecuária TERNEIROS
Preço de terneiros segue em baixa durante o outono
Diminuição do consumo e estiagem estão entre os fatores prejudiciais para o setor, segundo o Instituto Desenvolve Pecuária
08/06/2022 14h13
Por: Redação
A descapitalização e a falta de custeios do Plano Safra 2021/2022 afetam o cenário, além do aumento das taxas de juro da Cédula do Produto Rural (CPR). Foto divulgação.

As previsões de queda nos preços de remates de terneiros na Temporada de Outono da  pecuária gaúcha se concretizaram. A diminuição em relação ao ano anterior já havia sido prevista em abril deste ano pelo presidente da Comissão de Relacionamento com o Mercado do Instituto Desenvolve Pecuária, Ivan Faria. Entre os fatores que influenciaram o mercado, estão a falta de financiamento governamental, a inflação, o atraso nas colheitas e o difícil cenário de exportação.
 
A diminuição do consumo da carne bovina também interfere nos preços dos terneiros. Entre maio de 2021 e 2022, a inflação da carne foi de 12,2%, segundo o índice IPCA-15 do IBGE. “A estagnação do preço do boi gordo se deu pelo baixo consumo no mercado interno, por conta da inflação e os efeitos da pandemia”, explica Faria. As exportações entre estados seguem paradas devido à similaridade de preços nas localidades e à alta incidência de impostos sobre animais e fretes, que desencoraja os compradores.
 
A descapitalização e a falta de custeios do Plano Safra 2021/2022 afetam o cenário, além do aumento das taxas de juro da Cédula do Produto Rural (CPR). “Somado a isso, temos o atraso nas colheitas das lavouras de grãos de verão, em função do retorno das chuvas e da antecipação do frio e das geadas, que atrasaram o desenvolvimento das pastagens de inverno”, afirma Faria.
 
No âmbito internacional o cenário é negativo. A baixa do dólar em relação ao real tira a competitividade dos produtores e o valor dos fretes marítimos dificulta a exportação. O encarecimento do petróleo impossibilita que os produtos cheguem ao mercado internacional com os preços que eram praticados anteriormente. “O nosso maior demandante de gado vivo, que é a Turquia, também sofre com os efeitos da pandemia, pois está com a economia bastante comprometida”, pontua Faria.

Vitória Pimentel/AgroEffective* * Com supervisão de Rejane Costa