Desde a safra 2019/2020, a classe produtora da região médio-norte de Mato Grosso vem relatando problemas fisiológicos em plantas de soja. Uma das respostas da planta de soja a estes problemas é a quebra da haste principal que compromete o enchimento de grãos e reduz o potencial produtivo das lavouras. Outra é o distúrbio fisiológico das vagens que causa abertura desta estrutura e resulta no seu apodrecimento, aumentando a percentagem de grãos avariados e redução da qualidade do produto colhido.
Ciente deste problema, pesquisadores vêm unindo esforços em busca da causa para essas anomalias e orientam a classe produtora na tentativa de reduzir problemas nas lavouras. A engenheira agrônoma Alana Tomem é uma das pesquisadoras comprometidas em investigar com rigor as causas dessas anomalias, bem como, apresentar, a partir de dados gerados pela investigação minuciosa no campo, recomendações técnicas assertivas e eficientes, que ajudem a classe produtora a reduzir os efeitos dessas anomalias.
“Nós vamos para a safra 2022/2023 com projetos específicos para explorar novas alternativas de manejo e consolidar as informações que temos até agora. As anomalias são temas absolutamente complexos, aos quais precisamos tratar com muito rigor, seriedade, muita ciência, principalmente, e muitos dados, para não basearmos nossas recomendações apenas em percepções”, afirmou Alana, pesquisadora e sócia-proprietária da Proteplan durante o Master Meeting Soja 2002, evento que acontece desde terça-feira (12.04), em Cuiabá/MT.
As investigações mostram que as causas para esse problema de quebramento de haste são multifatoriais, ou seja, não dependem de uma única razão para ocorrer. De acordo com a pesquisadora há uma importância genética, mas a variedade de soja utilizada não é a única razão para o quebramento, pois mesmo sob uma mesma condição climática na estação experimental da Proteplan em Sorriso/MT, uma mesma variedade semeada sob diferentes culturas antecessoras se comportou de maneira diferente quanto ao quebramento.
“O problema se caracterizou inicialmente pelo alongamento do caule das plantas entre o segundo e terceiro nó, seguido pelo estreitamento dessa mesma região e posteriormente a quebra da haste principal a partir da fase reprodutiva. Muitas vezes essa quebra não interrompeu o ciclo da cultura, mas certamente ela comprometeu a translocação de água e de nutrientes na planta. No sistema soja-braquiária ou soja-milheto, por exemplo, o número de plantas quebradas foi significativamente menor do que no sistema soja pousio, ou soja e pelo menos quatro outras possibilidades de sistemas. Esses resultados sugerem também que o quebramento tem uma importância nutricional porque sabemos que a dinâmica e a ciclagem de nutrientes em cada um do sistema de produção são diferentes”, apontou Alana.
Outras lavouras de Mato Grosso, em Campo Novo do Parecis e Juara, apresentaram problemas com quebramento de haste, assim como outras regiões produtoras do Brasil, como no estado do Paraná e do Rio Grande do Sul registraram a presença de plantas quebradas em suas lavouras. Contudo, tratando-se das anomalias de vagens, o problema apresenta um caráter mais regional e localizado na BR-163 de MT. As causas para a abertura das vagens seguem incertas, embora os pesquisadores já tenham conseguido estabelecer correlações estaticamente fortes dos ambientes e variedades que apresentam o problema com mais frequência.
“A partir das características dos materiais que são menos suscetíveis ao apodrecimento de grãos e também considerando os dados que obtivemos em diversos sistemas de produção, submetidos a diferentes programas de aplicação de fungicidas, nós vamos para próxima safra com sugestões que reduzirão, mas não erradicarão o problema se tivermos condições edafoclimáticas semelhantes às obtidas nas últimas safras”, apontou Alana Tomem.
Evento
O Master Meeting Soja 20022 é realizado pela Proteplan em Cuiabá/MT no hotel Gran Odara. Especialista do Brasil e do mundo estão difundindo tecnologia agrícola para profissionais que lidam direta ou indiretamente com a sojicultura. O evento segue até a próxima quinta-feira (14.04).
Proteplan
É uma empresa mato-grossense de pesquisa agrícola, assessoria e capacitação que tem a missão de desenvolver soluções integradas na agricultura e difundir conhecimento técnico e experiência para a cadeia produtiva. Os trabalhos da empresa visam contribuir com o desenvolvimento da agricultura de forma sustentável, respeitando as boas práticas agrícolas e visando rentabilidade nas diversas culturas de atuação (soja, milho, algodão e feijão). Mais informações em www.proteplan.com.br Com assessoria.