O Sindicato Rural de Castro alerta por ofício às autoridades do município e do estado sobre a atuação de milícia armada no distrito do Socavão e pede que sejam tomadas as providências e ações proativas no sentido de se evitar uma tragédia na área rural.
A área em questão pode atingir mais de 709 imóveis rurais, estimando-se mais de duas mil famílias estabelecidas e residentes nestas áreas, pois além dos proprietários rurais, estariam afetando os seus funcionários e colaboradores, comunidades, vilarejos, comércios e indústria.
Segundo destaca o ofício, estes produtores rurais, as pessoas residentes, as suas famílias e seus antecessores, ocupam a posse mansa e pacífica desta área legitimamente, há mais de 100 anos. "Inclusive com registros de títulos imobiliários reconhecidos judicialmente, através dos Autos de Demarcação de Divisão do imóvel “Socavão” e “Fazenda São Lourenço”, da Vara Cível da Comarca de Castro-PR, dentre outros títulos originários que consolidam a legitimidade dos possuidores desta área.", alega a instituição.
A preocupação do Sindicato Rural é um confronto armado que pode deixar muitas vítimas na região. " Milícia armada se instalou no Distrito de Socavão e está pretendendo expulsar as pessoas da posse de suas áreas rurais, de forma violenta e clandestina com a alegação de defenderem detentores de matrículas sobrepostas àquelas áreas.", diz o ofício.
O problema surgiu quando nas últimas semanas foi constatada a presença de pessoas estranhas na região do Distrito do Socavão, grande área rural neste Município, sendo relatado que alguns carros e camionetes, com indivíduos armados, estariam percorrendo algumas propriedades rurais ameaçando os produtores para que desocupem os seus imóveis. As intimidações envolvem a ameaça de que irão colocar fogo nos tratores e maquinários que estiverem no local.
A Polícia Militar e a Polícia Civil estão prestando assistência aos produtores rurais, fazendo o levantamento destas ocorrências e apurando a identificação das pessoas estranhas que circulam na região. No dia 11/02/2022 o pessoal do choque da Polícia Militar esteve no local após denúncia, colheu o depoimento de alguns moradores locais, mas estas pessoas empreenderam fuga e não foi possível a abordagem.
No dia 14/02/2021 a Patrulha Rural da Polícia Militar, foi acionada e conseguiu abordar um dos veículos que estavam envolvidos, sendo identificados todos os ocupantes. Tais informações colhidas pela Polícia Militar já teriam sido repassadas para a autoridade policial.
No ofício o Sindicato entende que todos podem reivindicar o que julgam sejam seus direitos, porém isso deve ser feito perante o Poder Judiciário e "não criminosamente ao arrepio da lei, revivendo-se, em sua jurisdição, um sistema de pistolagem em pleno século XXI.", salienta a entidade.
SOBRE A ÁREA - As áreas foram identificadas segundo o Georreferenciamento e seriam as registradas originalmente nas Matrículas nº 2.083, 2.084 e 2.085 do CRI de Castro – PR, sendo esta última dividida em 14 novas Matrículas, com área de 834,00 alqueires paulistas cada uma, todas em sobreposição às áreas dos produtores rurais, totalizando 11.676 alqueires ou 28.255,92 ha. Tais registros são objeto do Inquérito Civil MPPR-0031.16.00403-7 em trâmite no Ministério Público da Comarca de Castro.
Alega o ofício que as matrículas duvidosas também foram oferecidas em dação em pagamento para o Estado do Paraná, sendo rejeitadas conforme decisões administrativas nos processos 17.030.551-5, 17.030.547-7, 17.030.537-0, 17.030.530-2, 17.030.555-0, em razão dos problemas jurídicos constatados.
LEIA NA ÍNTEGRA O OFÍCIO.