A qualidade do fornecimento de energia elétrica no meio rural, os problemas causados pelas interrupções no abastecimento e as exigências ambientais que impactam a produção agropecuária estiveram entre os principais assuntos de uma reunião do Núcleo dos Sindicatos Rurais dos Campos Gerais, realizada no dia 27 de outubro, no Parque Tecnológico Agroleite, na Casa da FAEP, em Castro (PR). O encontro, promovido em parceria com o Sistema FAEP/SENAR-PR, reuniu presidentes de sindicatos rurais patronais, analistas técnicos e representantes operacionais da Copel Distribuição para aproximar as instituições e buscar encaminhamentos para demandas dos produtores da região.
A reunião colocou em pauta um problema recorrente nas propriedades rurais: a instabilidade no fornecimento de energia elétrica. Para atividades como produção de leite, avicultura, piscicultura e outras cadeias que dependem de equipamentos e sistemas de funcionamento contínuo, uma interrupção prolongada pode provocar prejuízos e comprometer a rotina de trabalho.
Além da energia, os participantes discutiram questões relacionadas às unidades de conservação, ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), aos processos de outorga e licenciamento ambiental, aos reajustes de cartórios e à organização e atuação do próprio núcleo sindical.
O presidente do Núcleo dos Sindicatos Rurais dos Campos Gerais e do Sindicato Rural de Ponta Grossa, Gustavo Ribas Netto, destacou a importância da aproximação com a Copel para levar diretamente à distribuidora as dificuldades enfrentadas pelos produtores.
Segundo ele, a energia elétrica deixou de ser apenas um serviço de apoio e passou a representar uma condição básica para o funcionamento das propriedades rurais.
"Hoje a energia é algo básico dentro de uma propriedade rural. A gente não consegue produzir sem energia", afirmou.
Gustavo também ressaltou que a reunião permitiu discutir temas ambientais importantes para a região, como as questões relacionadas às áreas de escarpa, ao Parque Nacional dos Campos Gerais e ao Parque Estadual do Guartelá. Outro ponto abordado foi a necessidade de acompanhar as mudanças e discussões que tramitam na Assembleia Legislativa do Paraná, além das questões cartoriais que afetam os produtores.
O encontro também serviu para avançar na reorganização do Núcleo Sindical Rural, com a proposta de revisar o regimento interno e retomar a discussão sobre a participação dos sindicatos na composição da entidade.
Para Gustavo, a união das lideranças é fundamental para fortalecer a representação do setor agropecuário.
"A importância para nós é a união. A essência do produtor é união. Quando a gente se comporta como uma família, como um grupo, a gente vai avançar", destacou.
A participação da Copel Distribuição foi um dos pontos centrais do encontro. A presença dos representantes da companhia permitiu que os sindicatos apresentassem problemas relacionados às quedas frequentes de energia, à demora no restabelecimento do serviço, à queima de equipamentos e às perdas de produção.
O analista de economia do Sistema FAEP, Luís Elizer Ferreira, explicou que a reunião buscou estabelecer um canal direto de diálogo entre as lideranças rurais e a distribuidora de energia.
De acordo com ele, os problemas de abastecimento têm consequências importantes para diferentes cadeias produtivas, especialmente aquelas que dependem de fornecimento contínuo.
"Trouxemos para a distribuidora a dificuldade que os produtores rurais têm enfrentado em relação às quedas frequentes de energia, à demora no religamento, à queima de equipamentos e à perda de produção. Pudemos apresentar tudo isso para a distribuidora", explicou.
Luís destacou que a Copel também teve a oportunidade de apresentar informações sobre os investimentos e as ações planejadas para a região, com atenção à melhoria dos indicadores de qualidade e à redução do tempo de espera pelo restabelecimento da energia.
O analista ressaltou que os impactos são especialmente preocupantes em atividades como a produção de leite, carne de frango e peixe, nas quais a falta de energia pode comprometer equipamentos, sistemas de climatização, refrigeração e outras estruturas essenciais.
Durante a reunião, o representante do Sistema FAEP também orientou os produtores sobre como proceder quando enfrentarem problemas no fornecimento de energia elétrica.
A recomendação é registrar todas as ocorrências junto à distribuidora, guardar os números dos protocolos e acompanhar os encaminhamentos. Caso a situação não seja resolvida, o produtor pode recorrer à ouvidoria da Copel e, posteriormente, à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
"É fundamental que o produtor faça esse registro para que tanto a distribuidora quanto a agência reguladora, que fiscaliza a qualidade desse serviço, possam ter elementos e números para fazer uma fiscalização mais efetiva e cobrar resultados", orientou Luís.
O registro das reclamações também contribui para dimensionar os problemas enfrentados no campo e fornece informações que podem embasar a cobrança por melhorias no serviço.
Representando a Copel Distribuição, o gerente da Base de Serviços de Campo de Ponta Grossa, Wesley Alexandre Mateus da Silva, avaliou positivamente a aproximação com as lideranças rurais. Segundo ele, o encontro foi uma oportunidade para ouvir as demandas dos consumidores do setor agropecuário e fortalecer o relacionamento com esse público.
Wesley destacou a existência do Copel Agro, canal de atendimento direcionado aos consumidores do meio rural, e reforçou a importância de os produtores manterem seus cadastros atualizados.
"É uma oportunidade única de aproximação ao cliente agro. Nós temos agora um canal especial de atendimento, o Copel Agro, e é importantíssimo nos aproximarmos desse consumidor e levarmos as demandas para que possamos dar uma devolutiva", afirmou.
Sobre as ações para reduzir os problemas no fornecimento, o gerente explicou que a companhia mantém um planejamento de manutenção preventiva na rede elétrica. Ele também mencionou os temporais severos registrados nos últimos meses no Paraná como um dos fatores que têm provocado dificuldades no sistema de distribuição.
"Temos nosso planejamento de manutenção preventiva e estamos mantendo esse planejamento em dia, para que possamos também atuar em caso de falta de energia e fazer o restabelecimento o mais rápido possível", declarou.
Wesley reforçou que o cadastro atualizado no Copel Agro é importante para facilitar o atendimento aos produtores rurais, permitindo que as equipes direcionem melhor os serviços e as demandas desse segmento.
Além da infraestrutura elétrica, a regularidade ambiental das propriedades também recebeu atenção durante a reunião. A engenheira agronômica e analista da área ambiental do Sistema FAEP, Catherine Penter G. Machulek, apresentou uma atualização sobre as principais questões ambientais que afetam os produtores rurais dos Campos Gerais e do Paraná.
Entre os assuntos abordados estavam as unidades de conservação, o Cadastro Ambiental Rural (CAR), os processos de outorga de uso da água e o licenciamento ambiental.
Segundo Catherine, essas questões passaram por alterações nos últimos anos e precisam ser acompanhadas pelos produtores, pois podem interferir diretamente no desenvolvimento das atividades agropecuárias.
"Conseguimos fazer uma atualização das principais pautas ambientais que temos aqui na região e também em nível de estado, trazendo pontos importantes, como as unidades de conservação, a regularidade do Cadastro Ambiental Rural, os processos de outorga e licenciamento ambiental", explicou.
A analista destacou que a orientação é importante para que o produtor saiba quando precisa solicitar uma outorga, em quais situações o licenciamento ambiental é necessário e quais procedimentos devem ser observados para manter a propriedade regularizada.
Um dos alertas apresentados por Catherine foi sobre a necessidade de acompanhar a situação do Cadastro Ambiental Rural. Segundo ela, o simples preenchimento e envio do CAR não significa que o processo esteja definitivamente concluído.
Os cadastros passam por etapas de análise e podem apresentar pendências que precisam ser corrigidas pelo proprietário rural.
A orientação é que os produtores consultem periodicamente a situação do imóvel por meio do sistema oficial de acesso ao CAR, utilizando o Gov.br, para verificar se houve análise, se existem inconsistências ou se é necessário apresentar documentos complementares.
"Uma vez que o produtor rural fez o Cadastro Ambiental Rural, ele passa por processos de análise. O produtor precisa consultar o seu CAR pelo sistema de acesso que tem hoje para verificar as análises que foram feitas, se existe alguma pendência ou algum documento a ser entregue e poder deixar o cadastro em regularidade ambiental", orientou.
Anfitrião do encontro, o presidente do Sindicato Rural de Castro, Anselmo Westphal Neto, destacou a importância de reunir as entidades representativas do setor agropecuário para discutir problemas comuns e compartilhar informações sobre a realidade de cada município.
Para ele, a integração entre os sindicatos permite alinhar prioridades e fortalecer o trabalho desenvolvido em defesa dos produtores rurais.
"É importante essa integração entre os sindicatos rurais da nossa região. Conseguimos discutir assuntos importantes e comuns, como a pauta da Copel e algumas questões ambientais, além dos reajustes dos cartórios", avaliou.
Anselmo também ressaltou que os encontros permitem acompanhar a situação de cada entidade, conhecer as demandas locais e promover a troca de experiências entre as lideranças.
A reunião do Núcleo dos Sindicatos Rurais dos Campos Gerais reforçou, assim, a importância do diálogo entre produtores, entidades representativas, assistência técnica e prestadores de serviços essenciais para o campo. A expectativa é que a aproximação com a Copel e os encaminhamentos das pautas ambientais contribuam para avanços concretos nas condições de trabalho e produção nas propriedades rurais da região.