Agricultura MELHORAMENTO
BRS FC 415: Embrapa avalia impacto social, econômico e potencial produtivo do feijão nos Campos Gerais
Em reunião no Sindicato Rural de Castro (PR), pesquisadores da Embrapa ouviram produtores, cerealistas e extensionistas para avaliar o impacto social e econômico da cultivar de feijão carioca BRS FC 415 e divulgar um trabalho de pesquisa sobre um sistema de produção que pode elevar a produtividade e a rentabilidade da lavoura.
23/10/2026 14h23
Por: Redação Fonte: Toninho Anhaia
Embrapa reuniu representantes da cadeia produtiva em Castro para avaliar a cultivar BRS FC 415 e divulgar tecnologias que podem aumentar a produtividade do feijão. Foto Toninho Anhaia

A Embrapa Arroz e Feijão reuniu pessoas dos segmentos dos produtores rurais, cerealistas, empacotadores e extensionistas do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), na tarde de 21 de outubro, no Sindicato Rural de Castro, nos Campos Gerais, para avaliar os impactos econômicos e sociais da cultivar BRS FC 415. 

No encontro, também foi divulgado um trabalho de pesquisa que será publicado em 2027 sobre um sistema de produção de alta performance na produção de grãos, com o resgate do verdadeiro plantio direto na palha, associado a tecnologias modernas, viabilizando a construção de um ambiente produtivo e de um manejo fitotécnico adequado para a produção sustentável de feijão, milho, soja e trigo, propiciando maior rentabilidade.

A iniciativa buscou aproximar a pesquisa agropecuária pública da realidade do campo. Ao ouvir os diferentes elos da cadeia produtiva, a Embrapa pretende identificar se as cultivares disponíveis atendem às necessidades dos agricultores e quais características devem ser aprimoradas nos materiais em desenvolvimento.

BRS FC 415 e o potencial produtivo do feijão

O analista da Embrapa Arroz e Feijão, Marcos Aurélio Marangon, que atua no Núcleo Regional de Pesquisa e Transferência de Tecnologia em Ponta Grossa (PR), explicou que a reunião teve como um dos principais objetivos levantar informações sobre os impactos socioeconômicos da cultivar BRS FC 415.

O analista também divulgou que em 2027 será publicado o documento sobre um sistema de produção de alta performance desenvolvido na região, que combina tecnologias disponíveis para melhorar os resultados das lavouras.

“É muito viável você fazer ações integradas entre tecnologias que já estão prontas, de maneira correta, para buscar o potencial que essas cultivares da Embrapa estão entregando”, destacou Marangon.

Segundo o analista, há cultivares de feijão com potencial produtivo de até 5.500 quilos por hectare, desde que as condições de cultivo favoreçam a expressão desse potencial. No sistema acompanhado pela equipe, os resultados do feijão já alcançam aproximadamente 5 mil quilos por hectare.

Esses números se referem ao trabalho experimental apresentado pelo pesquisador e não representam médias regionais ou resultados garantidos em todas as propriedades. O desempenho depende da genética, do ambiente produtivo e do manejo fitotécnico para mitigar os efeitos deletérios dos fatores bióticos como doenças, plantas invasoras e pragas e dos fatores abióticos como os causados pelas condições climáticas.

Rotação de culturas e conservação do solo

Para alcançar maior produtividade, o trabalho conduzido pela Embrapa prioriza a construção de um ambiente produtivo. A estratégia combina práticas de plantio direto na palha, correção das condições químicas, físicas e biológicas do solo e diversificação de culturas.

O sistema utiliza 13 espécies de plantas de cobertura, também chamadas de plantas de serviço, em rotação com quatro culturas comerciais: soja, milho, trigo e feijão.

A proposta é melhorar as condições agronômicas do solo, reduzir os efeitos adversos das intempéries e favorecer a estabilidade da produção ao longo das safras.

Marangon adiantou que já foram obtidos resultados experimentais no sistema acompanhado pela equipe como: mais de 15.000 kg/ha de milho, mais de 7.000 kg/ha de trigo e mais de 5000 kg/ha de feijão. Os números demonstram o potencial da integração entre tecnologias e manejo, embora os resultados variem conforme as condições ambientais de cada área e do clima.

O analista ressaltou que este trabalho da Embrapa é desenvolvido na própria região dos Campos Gerais em parceria com as empresas Afubra, Rudan, Raix, Syngenta Agroquímicos, Syngenta NK, Adama e Mosaic fertilizantes. Este projeto irá gerar informações úteis aos agricultores.

“A Embrapa foi feita para isso: para fazer pesquisa útil de qualidade, transferir as tecnologias para a cadeia produtiva e trazer benefícios para a sociedade”, afirmou.

Escutar o campo orienta novas cultivares

O pesquisador da Embrapa Arroz e Feijão, Alcido Elenor Wander, destacou que a participação dos produtores e dos demais integrantes da cadeia produtiva é fundamental para direcionar o melhoramento genético.

Segundo ele, as informações compartilhadas em encontros como o realizado em Castro ajudam a avaliar o desempenho das cultivares e a identificar características que precisam ser incorporadas às próximas variedades.

“Entender melhor se aquelas cultivares que têm sido disponibilizadas atendem plenamente às expectativas da cadeia produtiva, ou quais melhorias teríamos que adicionar às novas cultivares que estão em desenvolvimento, é uma das questões importantes”, explicou Wander.

A avaliação considera tanto o desempenho no campo quanto as exigências comerciais. O objetivo é desenvolver tecnologias que atendam às necessidades dos produtores e entreguem ao consumidor um alimento de qualidade, com características valorizadas pelo mercado.

Pesquisa agropecuária gera retorno econômico

Wander também ressaltou o impacto dos investimentos em pesquisa pública. Segundo os dados apresentados pelo pesquisador na reunião, em 2025, cada R$ 1 investido na Embrapa gerou R$ 27 de retorno para a economia brasileira.

Para ele, esse resultado reforça a importância da ciência e da inovação para o desenvolvimento do agronegócio. As tecnologias desenvolvidas pela pesquisa podem contribuir para aumentar a eficiência produtiva, fortalecer as cadeias agrícolas e ampliar a competitividade dos produtos brasileiros.

O pesquisador destacou que a missão da Embrapa é oferecer soluções capazes de impulsionar a produção e atender às demandas dos mercados interno e externo.

Genética e manejo caminham juntos

A reunião em Castro reforçou que o potencial de uma cultivar, como a BRS FC 415, depende da combinação de genética de qualidade, planejamento e manejo adequados. A rotação de culturas, a conservação do solo e a adoção de tecnologias compatíveis com cada propriedade são fatores importantes para aumentar a produtividade e a rentabilidade.

Ao reunir pesquisadores e representantes da cadeia produtiva, a Embrapa também fortalece o diálogo necessário para orientar novas pesquisas e avaliar os resultados das tecnologias já disponíveis.