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O produtor não pode controlar a economia. Mas pode decidir se vai continuar dentro do balde.
Gestão, inovação e mudança de mentalidade são desafios que podem definir o futuro da propriedade rural.
07/10/2026 17h39
Por: Redação Fonte: Luiz Francisco Araujo da Costa Vaz*
O produtor não pode controlar a economia. Mas pode decidir se vai continuar dentro do balde.

Existe uma história conhecida sobre um balde cheio de caranguejos.

Quando há apenas um caranguejo no balde, ele pode tentar escalar e sair. Mas, quando existem vários, enquanto um tenta subir, os outros acabam puxando-o novamente para baixo.

É uma metáfora. Mas vale uma reflexão para o agronegócio.

Quantas vezes escutamos:

“Meu pai sempre fez assim.”

“Não tenho tempo para fazer curso.”

“Esse negócio de gestão é para empresa grande.”

“Diversificar dá muito trabalho.”

“Esse ano não dá para investir.”

“Quando melhorar, eu vejo isso.”

O problema é que o mundo muda mesmo quando nós decidimos não mudar.

Juros mudam.

Custos mudam.

Clima muda.

Tecnologia muda.

Consumidor muda.

Legislação muda.

Mercado muda.

E continuar fazendo exatamente a mesma coisa também é uma decisão.

Talvez o produtor não consiga controlar a taxa de juros, o dólar, os impostos ou o preço das commodities.

Mas existem coisas que estão dentro da porteira — e dentro da nossa cabeça — que podemos controlar.

Podemos conhecer melhor nossos custos.

Podemos descobrir quais atividades realmente dão lucro.

Podemos cuidar do patrimônio.

Podemos organizar as dívidas.

Podemos buscar novos mercados.

Podemos melhorar a produtividade.

Podemos diversificar quando fizer sentido.

Podemos estudar.

Podemos usar tecnologia.

Podemos transformar informações da propriedade em indicadores para tomar decisões melhores.

Porque existe uma diferença enorme entre trabalhar muito e construir riqueza.

Às vezes o produtor trabalha 12 ou 14 horas por dia, movimenta centenas de milhares de reais durante o ano e, quando chega dezembro, não sabe responder uma pergunta básica:

Minha propriedade ficou mais rica ou mais pobre este ano?

Isso precisa mudar.

O produtor do futuro não pode ser apenas um excelente produtor.

Precisa ser também gestor do seu negócio e do seu patrimônio.

E talvez o primeiro indicador que precisamos acompanhar nem esteja em uma planilha.

É uma pergunta:

O que estou fazendo hoje de diferente do que fazia há cinco anos?

Se a resposta for “quase nada”, enquanto todo o ambiente ao redor mudou, temos um alerta.

Não precisamos abandonar nossa experiência.

Precisamos juntar experiência + conhecimento + dados + gestão + coragem para mudar.

Porque reclamar do tamanho do balde não nos tira dele.

Precisamos aprender a escalar.

 

*Luiz Francisco Araujo da Costa Vaz

Engenheiro Agrônomo e Colunista Minuto Rural