Tecnologia AGROLEITE 2026
Inteligência Artificial no agro: Sérgio Sacani mostra como produtores podem aumentar produtividade com tecnologia acessível
Palestra promovida pelo Grupo Calpar durante a Agroleite 2026 mostrou que a Inteligência Artificial já está ao alcance dos produtores rurais e pode ser aplicada imediatamente para melhorar a gestão, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência no campo.
05/08/2026 21h36 Atualizada há 3 meses
Por: Redação Fonte: Toninho Anhaia
Sérgio Sacani mostrou na Agroleite 2026 como a Inteligência Artificial já pode ser aplicada na rotina das propriedades rurais. Foto Toninho Anhaia

A Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa distante e já está pronta para transformar a rotina das propriedades rurais brasileiras. Essa foi a principal mensagem do geofísico, divulgador científico e influenciador Sérgio Sacani durante o Painel do Agro promovido pelo Grupo Calpar, nesta quarta-feira (5), no Parque Tecnológico Agroleite, em Castro (PR).

Diante de um público formado por produtores rurais, técnicos e profissionais do agronegócio, Sacani mostrou que a IA pode ser aplicada imediatamente na agricultura e na pecuária utilizando ferramentas que muitos produtores já possuem, como celulares, drones, sensores e sistemas de monitoramento.

Logo no início da palestra, ele procurou derrubar um dos maiores obstáculos para a adoção da tecnologia: o medo.

"Quero desmistificar a inteligência artificial. Ela não é nenhum monstro. Quero quebrar a resistência que algumas pessoas ainda têm em aplicar essa tecnologia no agronegócio. Aplique, porque ela vai ser muito boa para o seu negócio."

Segundo Sacani, apesar da popularização da IA ter acontecido com o lançamento do ChatGPT em 2022, seus fundamentos existem há mais de sete décadas.

"Muita gente acha que a inteligência artificial surgiu em 2022. Não surgiu. Eu utilizo inteligência artificial desde 2007, quando terminei meu doutorado. Na minha tese já havia um capítulo inteiro dedicado ao tema."

A tecnologia é a mesma

Mesmo atuando profissionalmente na indústria do petróleo, Sacani explicou que os princípios tecnológicos utilizados em plataformas offshore são praticamente os mesmos que podem revolucionar o agronegócio.

Ele contou que trabalha em um campo do pré-sal cuja produção é altamente automatizada graças à Inteligência Artificial e à robótica.

"A tecnologia é uma só. O que muda é onde ela é aplicada."

Segundo ele, o agro brasileiro já passou por diversas revoluções tecnológicas, como mecanização, genética, biotecnologia e agricultura de precisão. Agora, vive um novo momento, impulsionado pela inteligência artificial.

Dados são o novo petróleo

Um dos pontos centrais da apresentação foi a importância dos dados produzidos diariamente dentro das propriedades rurais.

Sacani explicou que máquinas agrícolas, drones, sensores climáticos e equipamentos conectados coletam uma quantidade gigantesca de informações que muitas vezes acabam sendo desperdiçadas.

"Pode existir um dado escondido dentro da sua propriedade capaz de aumentar em 10% a sua produtividade. Isso representa milhões de reais no fim do ano."

Segundo ele, a Inteligência Artificial consegue identificar padrões que seriam praticamente impossíveis de serem percebidos por uma pessoa. "O computador consegue relacionar centenas de variáveis ao mesmo tempo e encontrar respostas que nós simplesmente não conseguimos enxergar."

Exemplos práticos no campo

Durante a palestra, Sacani fez questão de mostrar aplicações simples que podem ser implementadas imediatamente.

Entre os exemplos apresentados está o uso de drones com sensores infravermelhos para localizar rapidamente animais mortos dentro de grandes propriedades.

Ele contou o caso de um produtor que demorava dias para encontrar um boi morto em meio ao rebanho, aumentando o risco de disseminação de doenças.

Com a adaptação do drone, bastou utilizar a câmera térmica para identificar rapidamente os animais.

"O boi vivo aparece quente. O boi morto aparece frio. Em poucas horas ele consegue localizar o animal e evitar prejuízos."

Outro exemplo citado envolve o uso de Inteligência Artificial para identificar doenças nas plantas, reconhecer pragas automaticamente, monitorar o estresse hídrico das lavouras, prever produtividade, reduzir desperdícios de defensivos e até controlar automaticamente sistemas de irrigação.

IA já cabe na palma da mão

Sacani destacou que a democratização da tecnologia é um dos fatores mais importantes da atualidade.

Para ele, nunca foi tão fácil utilizar Inteligência Artificial.

"O celular virou a principal porta de entrada para a inteligência artificial."

Ele lembrou que hoje qualquer produtor pode utilizar ferramentas como ChatGPT para traduzir manuais técnicos, elaborar contratos, organizar documentos, gerar relatórios, consultar informações e resolver problemas do dia a dia. "Você sai daqui hoje e já consegue começar a aplicar muita coisa na sua propriedade."

O foco deve ser resolver problemas

Apesar do entusiasmo com a tecnologia, Sacani fez um alerta importante. Segundo ele, a IA não deve ser utilizada apenas porque está na moda.

"O produtor precisa primeiro identificar qual é o problema da propriedade. Depois procurar a tecnologia que resolve aquele problema."

Ele também destacou a importância da qualidade dos dados.

"Entrou lixo, saiu lixo. Nenhum sistema de Inteligência Artificial faz milagre se os dados forem ruins."

Outro ponto reforçado pelo palestrante é que a Inteligência Artificial não substitui pessoas. "A IA trabalha junto com o ser humano. Ela potencializa a capacidade das pessoas de tomar decisões."

Grupo Calpar destaca sucessão familiar e transformação digital

Após a palestra, o diretor do Grupo Calpar avaliou positivamente o evento e afirmou que o principal objetivo foi mostrar que a Inteligência Artificial está ao alcance de qualquer produtor rural.

Segundo ele, a tecnologia pode ser incorporada tanto em pequenas quanto em grandes propriedades.

"O objetivo era mostrar que a inteligência artificial é uma ferramenta simples. Não é um monstro. Ela pode ser utilizada na produção de leite, na agricultura, na suinocultura e em praticamente qualquer atividade rural."

Na avaliação do diretor, a transformação digital também fortalece a sucessão familiar no campo. "As novas gerações têm mais facilidade com tecnologia e podem ajudar suas famílias a implementar essas ferramentas, profissionalizando cada vez mais a gestão da propriedade."

Ele acredita que esse processo contribui diretamente para manter o legado das famílias rurais. "A inteligência artificial pode ser uma das grandes aliadas para garantir a continuidade das propriedades e aumentar os resultados no campo."

Ao final, o diretor também elogiou a didática de Sérgio Sacani."Ele conseguiu mostrar um assunto complexo de forma simples, acessível e muito prática. Era exatamente esse o objetivo da palestra."