Aquicultura PEIXE
Por que a piscicultura brasileira pede apoio do governo para continuar crescendo?
Durante a abertura da Aquishow Brasil 2026, em Uberlândia (MG), lideranças do setor alertaram para os impactos da importação de tilápia do Vietnã, defenderam mais segurança jurídica e cobraram políticas públicas permanentes para fortalecer a produção nacional.
11/06/2026 17h19
Por: Redação Fonte: Com assessoria
Marilsa Patrício, presidente da Aquishow Brasil 2026, defendeu a criação de políticas públicas permanentes para fortalecer a piscicultura brasileira e garantir competitividade ao setor.

A piscicultura brasileira precisa ser tratada como uma política de Estado para superar entraves como burocracia, insegurança jurídica e concorrência internacional, afirmou a presidente da Aquishow Brasil 2026, Marilsa Patrício, durante a abertura do evento, realizada nesta semana em Uberlândia (MG).

A dirigente destacou o potencial do Brasil para ampliar a produção aquícola e pediu atenção do governo federal aos desafios enfrentados pelo setor, especialmente à crescente importação de tilápia do Vietnã.

“A piscicultura está presente em todos os estados, gera empregos e renda para milhares de produtores e suas famílias, especialmente os de pequeno porte, além de ser uma atividade essencial para a segurança alimentar do Brasil. No entanto, convive com um excesso de travas que dificultam seu desenvolvimento. Estamos falando de burocracia, insegurança jurídica, complexidade tributária, dificuldades para obtenção de licenças ambientais e outros desafios. É preciso que a piscicultura seja tratada como um projeto de Estado, porque o Brasil tem terras, água, clima e insumos para se tornar um dos maiores fornecedores dessa proteína de alta qualidade”, afirmou Marilsa Patrício. 

Entre as principais preocupações apresentadas durante a cerimônia de abertura esteve o avanço das importações de tilápia do Vietnã. Segundo lideranças do setor, o produto chega ao mercado brasileiro em condições que aumentam a competitividade frente à produção nacional, gerando impactos em toda a cadeia produtiva.

De acordo com levantamento apresentado por Emerson Esteves, diretor da Peixe SP, a entrada de aproximadamente 5 mil toneladas de tilápia vietnamita entre janeiro e maio deste ano já teria provocado prejuízos estimados em R$ 70 milhões para a piscicultura brasileira.

“As perdas envolvem a redução na demanda por alevinos, rações, produtos veterinários, equipamentos e outros insumos essenciais à atividade, além, é claro, da própria comercialização da tilápia produzida no país”, explicou.

Também durante seu pronunciamento, Esteves pediu apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura para buscar uma solução junto ao governo federal.

“Solicitamos ao ministro Édipo Araújo que leve com urgência esse pleito ao presidente da República. A entrada da tilápia do Vietnã representa perda de renda, redução da atividade econômica e menos empregos para os brasileiros que dependem da piscicultura”, declarou.

Ministro lança o Plano Nacional para o setor – Na abertura da Aquishow Brasil 2026, o ministro Édipo Araújo assinou portaria que cria o Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura (PNDSA). “O Plano constitui-se no principal instrumento de planejamento estratégico para a aquicultura brasileira na próxima década. Seu objetivo é orientar, integrar e coordenar ações voltadas ao fortalecimento sustentável do setor aquícola nacional, promovendo crescimento produtivo, competitividade, inovação, inclusão socioprodutiva, segurança jurídica e sustentabilidade ambiental”, destacou o ministro.

A Agrishow Brasil 2026 é realizado até 11 de junho, no Castelli Eventos, em Uberlândia (MG). Mais informações: www.agrishowbrasil.com.br