BRASÍLIA (DF) — O milho brasileiro esteve no centro das discussões políticas, econômicas e tecnológicas na terça-feira 13 de maio de 2026, durante o 4º Congresso Abramilho, realizado no Unique Palace, em Brasília. O evento reuniu representantes do governo federal, parlamentares, diplomatas, cooperativas, produtores rurais e empresas ligadas ao agronegócio para debater os desafios atuais da cadeia produtiva do milho e do sorgo no Brasil.
Com três painéis temáticos voltados à transformação da agricultura, inovação tecnológica e geopolítica global, o congresso trouxe à tona temas considerados decisivos para o futuro do agro brasileiro, como crédito rural, custo de produção, biotecnologia, exportações, segurança alimentar e sustentabilidade.
O encontro ocorreu em um momento considerado delicado para os produtores. A alta nos custos de produção, associada às oscilações do mercado internacional e às incertezas geopolíticas, foi apontada por lideranças do setor como uma das maiores preocupações da agricultura brasileira atualmente.
O presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, destacou que o congresso foi pensado justamente para reunir todos os elos da cadeia produtiva em um momento estratégico para o setor.
Segundo ele, a agricultura brasileira enfrenta uma combinação de fatores externos e internos que pressionam diretamente a rentabilidade do produtor rural.
Paulo Bertolini, presidente da Abramilho, explicou que o evento teve como foco unir setor produtivo, indústria, fornecedores, tecnologia e poder público para buscar soluções concretas para o agro brasileiro.
“Nós estamos vivendo um momento muito difícil para a agricultura brasileira. Temos guerras lá fora, aumento do diesel, dificuldade com fertilizantes e defensivos e, ao mesmo tempo, preços internacionais das commodities em baixa. Isso espremeu as margens do agricultor e, muitas vezes, levou para uma área negativa.”
Bertolini também ressaltou o protagonismo que o milho conquistou nas últimas décadas no Brasil. Segundo ele, o grão deixou de ser apenas um produto de abastecimento interno para se transformar em uma das principais commodities agrícolas do mundo. “Hoje somos o terceiro maior produtor mundial e o segundo maior exportador de milho. Exportamos para mais de 140 países e isso mostra a qualidade e a sustentabilidade da nossa produção.”
O dirigente destacou ainda que a expansão da biotecnologia foi fundamental para elevar a produtividade nacional sem necessidade de ampliar áreas agrícolas.
A importância política do congresso também foi ressaltada pelo diretor executivo da Abramilho, Glauber Silveira. Para ele, o evento se consolidou como um espaço de discussão estratégica entre setor produtivo e governo federal.
Já Glauber Silveira, diretor executivo da Abramilho, afirmou que o congresso tem um perfil político justamente por discutir temas que dependem diretamente de decisões governamentais e legislativas.
“A gente busca trazer discussões sobre aquilo que precisamos do governo federal, da legislação e dos acordos internacionais. Estamos falando de crédito, plano safra, custo de produção, biotecnologia e geopolítica.”
Silveira chamou atenção para a dependência brasileira de insumos importados e como os conflitos internacionais impactam diretamente o campo brasileiro. “Dependemos de diesel, fertilizantes e defensivos vindos de fora. Tudo isso subiu muito e o produtor sente imediatamente esse impacto.”
Outro tema que ganhou destaque no congresso foi o avanço do milho como protagonista da agricultura nacional. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion, destacou o crescimento acelerado da cultura e o fortalecimento do etanol de milho no país.
No evento, o deputado federal e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, Pedro Lupion, reforçou que o milho deixou de ocupar um papel secundário dentro do agronegócio brasileiro.
“Hoje não existe mais safrinha. Existe uma safra protagonista. O milho se transformou em realidade econômica e estratégica para o Brasil.”
Lupion destacou ainda a expansão das usinas de etanol de milho e o crescimento contínuo da demanda pelo grão. “Todo dia vemos anúncios de novas unidades de etanol de milho. Isso aumenta a demanda e fortalece ainda mais a cadeia produtiva.”
O papel internacional da Abramilho também foi lembrado durante o congresso. A aproximação com mercados externos, especialmente com a China, foi apontada como fundamental para garantir segurança comercial e ampliar exportações.
O diretor da Abramilho, Eduardo Medeiros Gomes, destacou a importância do diálogo internacional e da atuação técnica da entidade na abertura de mercados.
“A Abramilho oferece conhecimento e representação política aos produtores perante o governo brasileiro e também no ambiente internacional.”
Segundo ele, a presença do embaixador chinês no evento simbolizou a importância da relação comercial entre Brasil e China no mercado do milho. “Hoje o Brasil produz muito mais milho do que consome. Precisamos garantir mercados para esse excedente, seja no etanol, na ração, na alimentação humana ou na exportação.”
O dirigente também destacou a importância da harmonização dos eventos biotecnológicos aceitos entre os países, especialmente no comércio com a China.
Outro nome importante presente no congresso foi Sérgio Bortolozzo, presidente da Sociedade Rural Brasileira e ex-presidente da Abramilho. Ele ressaltou a transformação do milho em uma das principais alternativas econômicas do produtor rural.
Presente no evento, o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Sérgio Bortolozzo, afirmou que o milho hoje exerce um papel essencial dentro da sustentabilidade econômica do agro.
“O milho se transformou numa das principais opções de sobrevivência do produtor. Hoje ele produz proteína, energia e alimentação básica.”
Bortolozzo defendeu a ampliação do congresso e o fortalecimento das discussões voltadas à cadeia produtiva. “Eventos como esse precisam ser mantidos e ampliados, porque discutem soluções reais para o produtor rural.”
A inovação tecnológica e o avanço da biotecnologia também estiveram no centro dos debates. Representando a iniciativa privada, o diretor de marketing da Bayer para o negócio de milho, Marco Túlio Gonçalves, destacou o impacto da tecnologia sobre a produtividade agrícola.
Marco Túlio Gonçalves, diretor de marketing da Bayer para o negócio de milho, lembrou que a biotecnologia vem ajudando o agricultor brasileiro há mais de uma década.
“As aprovações de biotecnologia têm ajudado o agricultor desde 2008 a produzir mais e ser mais eficiente dentro da propriedade.”
Segundo ele, o debate sobre inovação é essencial para garantir competitividade ao agro brasileiro diante das exigências globais de produção sustentável e segurança alimentar.
Ao longo dos painéis, lideranças defenderam a necessidade de políticas públicas mais eficientes, crédito acessível, fortalecimento da biotecnologia e estabilidade jurídica para garantir competitividade ao agro brasileiro diante de um cenário global cada vez mais desafiador.
Mais do que um encontro técnico, o 4º Congresso Abramilho consolidou-se como um espaço político e estratégico para discutir o futuro da agricultura brasileira em um momento de grandes transformações econômicas e geopolíticas.
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