Máquinas MÁQUINAS EM QUEDA
Indústria de máquinas e equipamentos recua 11,4% nos investimentos no 1º trimestre de 2026
Levantamento da Abimaq aponta queda nos investimentos e nas receitas do setor, apesar de leve alta no consumo em março impulsionada por importações.
29/04/2026 18h25
Por: Redação Fonte: Toninho Anhaia com dados da assessoira
Setor de máquinas e equipamentos enfrenta queda nos investimentos e aumento das importações em 2026.

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou queda de 11,4% nos investimentos no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O recuo ocorre em meio a juros elevados, desaceleração econômica e dificuldades nos setores agrícola e industrial, principais demandantes de bens de capital.

Apesar desse cenário, o consumo aparente do setor apresentou leve alta de 1,2% em março, totalizando R$ 35,3 bilhões, impulsionado principalmente pelo aumento das importações, que cresceram 3,7%, enquanto a aquisição de máquinas nacionais recuou 0,9%.

No mesmo período, a receita líquida total de vendas da indústria somou R$ 23,8 bilhões em março, representando queda de 3,4% em relação ao mesmo mês de 2025. O desempenho reflete tanto a retração no mercado interno quanto a redução nas exportações, que caíram 11,1% na comparação anual.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), entidade que representa o setor no país, destacou os principais fatores que impactaram negativamente o desempenho.
“A política monetária contracionista segue pressionando negativamente as receitas de vendas de máquinas e equipamentos. Juros elevados encarecem o crédito e inibem os investimentos produtivos”, aponta o relatório da entidade.

Além do cenário interno, o mercado externo também apresentou oscilações. As exportações cresceram 7,5% no acumulado do ano em dólares, mas esse avanço foi parcialmente anulado pela valorização do real, resultando em queda de 5,8% na receita quando convertida para a moeda brasileira.

Outro dado relevante é o aumento das importações, que atingiram US$ 3,1 bilhões em março — o maior valor da série histórica iniciada em 1999. Esse movimento elevou a participação de produtos importados no consumo nacional para 49%, indicando perda de espaço da indústria local no mercado interno.

O levantamento também mostra que os setores agrícola e da indústria de transformação foram os mais impactados pela retração dos investimentos. Em contrapartida, a área de infraestrutura apresentou estabilidade, ajudando a amenizar parte das perdas no período.

No mercado de trabalho, houve leve recuperação em março, com crescimento de 0,3% no número de empregos, totalizando cerca de 416,8 mil trabalhadores. Ainda assim, o nível de atividade segue pressionado pelas condições econômicas.

A utilização da capacidade instalada da indústria atingiu 79,9% em março, acima do registrado no mesmo período de 2025. Porém, a carteira de pedidos permanece abaixo do nível do ano anterior, sinalizando que o setor deve continuar enfrentando dificuldades ao longo de 2026.

Diante desse cenário, a perspectiva para os próximos meses é de cautela. A combinação de juros elevados, menor ritmo de investimentos e maior concorrência de produtos importados deve continuar influenciando o desempenho da indústria de máquinas e equipamentos, considerada estratégica para o crescimento econômico e para o avanço da produtividade no país.

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