O programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) está sendo ampliado nos municípios de Castro e Piraí do Sul, no Paraná, com o objetivo de transformar produtores rurais em gestores eficientes de suas propriedades.
A iniciativa, conduzida pelo Sistema Faep/Senar e Sindicatos Rurais de Castro e Piraí do Sul, reúne cerca de 30 horticultores em uma jornada de dois anos, com visitas mensais e acompanhamento técnico especializado para melhorar a produção e, principalmente, a gestão financeira no campo.
A proposta responde a uma demanda crescente do agronegócio: profissionalizar a administração das propriedades rurais, combatendo a informalidade e garantindo a viabilidade econômica das atividades. A ATeG atua de forma integrada, unindo orientação produtiva e controle financeiro rigoroso, permitindo que o produtor compreenda seus custos, margens de lucro e oportunidades de investimento.
O analista de ATeG das cadeias de agricultura no estado do Paraná do Sistema Faep/Senar, Daniel Ricarda Silva, explica que o programa já possui ampla atuação no estado e chega com força à região dos Campos Gerais. Segundo ele, a nova turma marca a expansão da iniciativa em Piraí do Sul.
“A ATeG já é um programa consolidado, com mais de 120 turmas no estado. Agora chegamos com a primeira turma em Piraí do Sul, trabalhando com produtores de morango, hortaliças, hidroponia e cultivo a solo”, destaca.
Daniel ressalta que o diferencial do programa está no acompanhamento contínuo e personalizado. “Serão dois anos de trabalho, com visitas mensais a cada produtor, unindo assistência técnica e gestão da propriedade, que muitas vezes é deixada de lado”, afirma.
Um dos principais desafios enfrentados, segundo ele, é a resistência de alguns produtores em lidar com números. “Existe ainda a ideia de que fazer conta pode desanimar. Mas é justamente o contrário: entender os números é o que garante a continuidade do negócio”, explica.
A proposta da ATeG é clara: transformar propriedades rurais em empresas. “O produtor precisa saber onde investir, onde economizar e como melhorar seus resultados. Esse é o caminho para uma vida longa no agro”, reforça Daniel.
Ao final do ciclo de dois anos, o objetivo é que o produtor alcance autonomia. “Queremos que ele saia independente, capaz de fazer sua própria gestão e com uma visão empresarial da propriedade, independentemente do tamanho”, completa.
A importância da iniciativa também é destacada pelo presidente do Sindicato Rural de Piraí do Sul, Luiz Fernando Tonon, que enfatiza o impacto coletivo do programa. Ele explica que a união entre municípios foi essencial para viabilizar a formação da turma.
“Nem sempre uma cidade consegue reunir o número necessário de produtores, então essa integração entre Castro e Piraí do Sul foi fundamental para fechar o grupo”, afirma.
Tonon ressalta que a ATeG vai além da produção agrícola, abrangendo o acesso a mercados e políticas públicas. “O produtor precisa estar preparado para atender programas como o PNAE, a CONAB e também mercados locais, como feiras. Isso exige organização e planejamento”, explica.
Para ele, o ponto central do programa está na gestão financeira. “O mais importante é o gerenciamento. O produtor precisa saber quanto custa produzir, por quanto vende e se está tendo lucro. Sem isso, não há sustentabilidade”, destaca.
Ao falar sobre os resultados esperados, Tonon é direto: “O produtor já sabe produzir. O que ele precisa é aprender a comprar melhor, economizar e vender com estratégia. E isso passa pelo controle financeiro detalhado”.
A ATeG surge, portanto, como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento do agronegócio regional, promovendo uma mudança de mentalidade no campo. A proposta vem para formar produtores mais preparados, conscientes e capazes de tomar decisões baseadas em dados.
Com isso, o programa não apenas melhora a produtividade, mas também fortalece a sustentabilidade econômica das propriedades, garantindo que o produtor rural atue como um verdadeiro gestor, equilibrando técnica, mercado e planejamento financeiro.