O consórcio agro tem se consolidado como uma alternativa estratégica para produtores rurais que buscam investir com menor incidência de juros. O tema foi destaque no Café do Produtor, realizado na quarta-feira, 18 de março, no Sindicato Rural de Castro, reunindo agricultores, lideranças locais e especialistas da ADEMICON para discutir oportunidades de financiamento e planejamento no setor.
Durante o encontro, foram apresentadas soluções financeiras voltadas ao agronegócio, com foco em consórcios como ferramenta de expansão patrimonial e aumento da eficiência produtiva.
A iniciativa buscou esclarecer dúvidas e mostrar, na prática, como o produtor pode acessar recursos de forma mais sustentável.
O gestor comercial da ADEMICON de Castro, Thiago Quadros, destacando a relevância do evento para aproximar o produtor de novas alternativas financeiras. Segundo ele, o consórcio surge como uma solução inteligente em um cenário de crédito cada vez mais oneroso.
“Extremamente importante essa oportunidade de trazer para os agricultores o mecanismo consórcio e trabalhar isso da forma correta. Hoje o produtor precisa buscar linhas de crédito muitas vezes pesadas e, com o consórcio, ele foge dos juros e consegue investir com custo muito menor”, explicou.
Thiago ressaltou que o consórcio permite planejamento personalizado, adaptado às necessidades de cada propriedade. “O produtor pode escolher um valor específico ou desenvolver um projeto conosco, seja para compra de máquinas, áreas ou infraestrutura. A contemplação pode acontecer por sorteio ou lance, permitindo que ele execute seu planejamento de forma estruturada”, detalhou.
Outro ponto enfatizado por ele é o impacto direto na saúde financeira da propriedade. “Quando você foge dos juros bancários, sobra mais dinheiro em caixa. Isso significa mais capacidade de investimento, aumento de produção e crescimento da propriedade”, afirmou.
De acordo com o gestor, a procura por consórcios no agro tem crescido significativamente nos últimos anos. “O produtor está mais aberto, buscando alternativas além dos bancos. Isso amplia nosso acesso e permite mostrar cenários mais vantajosos para o desenvolvimento rural”, completou, destacando ainda a presença da Ademicon em Castro, Ponta Grossa e outras regiões, com equipes preparadas para atender o setor.
Já o consultor especialista em agro e engenheiro agrônomo da ADEMICON, Roberto Simionato, trouxe uma visão técnica sobre a evolução do consórcio no campo. Ele explicou que, historicamente, a ferramenta era pouco explorada, mas vem ganhando espaço como instrumento de planejamento.
“Antigamente, o consórcio não era o carro-chefe dos investimentos. Hoje isso está mudando. Os produtores estão buscando melhor eficiência no uso dos recursos e enxergando o consórcio como uma excelente ferramenta”, destacou.
Roberto reforçou que o principal diferencial está no planejamento de médio e longo prazo. “Não é algo imediato. O consórcio exige organização, mas traz resultados consistentes quando bem estruturado”, afirmou.
Segundo ele, a modalidade pode ser aplicada em diferentes frentes dentro da propriedade rural. “Temos grupos voltados para aquisição de novas áreas ou quitação de dívidas de áreas alienadas, grupos para veículos e renovação da frota das máquinas agrícolas e grupos até para investimento em infraestrutura, como silos, granjas e sistemas logísticos”, explicou.
Ao abordar a estratégia de crescimento do produtor, Roberto destacou que o consórcio funciona como um complemento às demais formas de crédito. “Ele não substitui o financiamento tradicional, mas soma. É uma ferramenta estratégica que ajuda o produtor a investir de forma mais inteligente”, disse.
Para ilustrar, o especialista fez uma simples comparação com tecnologias modernas do campo. “Eu vejo o consórcio como um drone: ele não substitui o que já existe, mas complementa e aumenta a eficiência da operação”, exemplificou.
O evento no Sindicato Rural de Castro reforçou a importância da informação e do planejamento financeiro no agronegócio. Em um cenário de custos elevados e margens cada vez mais pressionadas, alternativas como o consórcio ganham relevância ao permitir que o produtor invista com mais autonomia e menor dependência de juros elevados.
A iniciativa também evidenciou a necessidade de diversificação das fontes de crédito no campo, incentivando o produtor a adotar uma visão mais estratégica sobre seus investimentos e o crescimento sustentável da propriedade.