Agricultura SHOW TECNOLÓGICO
Show Tecnológico Verão 2026: como a plantabilidade pode aumentar a produtividade da soja e do milho
A 29ª edição do Show Tecnológico Verão da Fundação ABC, realizada nos dias 25 e 26 de fevereiro de 2026, em Ponta Grossa (PR), reuniu mais de 5 mil participantes e destacou a importância da plantabilidade, inovação e manejo estratégico para elevar a rentabilidade no campo.
26/02/2026 14h47
Por: Redação Fonte: Toninho Anhaia
Professor Paulo Arbex destaca a importância da plantabilidade durante palestra no Show Tecnológico Verão 2026.Crédito da Foto: Toninho Anhaia

O que faz o produtor rural colher mais soja e milho com maior rentabilidade? A resposta passou, de forma direta e técnica, pelo 29º Show Tecnológico Verão da Fundação ABC, realizado nos dias 25 e 26 de fevereiro de 2026, no CDE Ponta Grossa (PR). O evento reuniu mais de 5 mil participantes, entre produtores, consultores e especialistas de diversas regiões do Brasil, com foco em ciência aplicada, inovação tecnológica e estratégias para aumentar a produtividade no campo.

Com estrutura totalmente renovada, a edição 2026 consolidou o encontro como um elo entre pesquisa e prática agrícola. A programação trouxe Palestras Âncoras com especialistas renomados, Arenas Técnicas simultâneas e Áreas Demonstrativas que aproximaram os visitantes dos pesquisadores, permitindo esclarecer dúvidas e visualizar, na prática, estudos voltados às culturas de soja e milho. Mais de 50 empresas líderes do agronegócio apresentaram soluções em manejo, genética e tecnologia.

Entre os destaques da programação do dia 25 de fevereiro esteve a palestra âncora do professor Paulo Arbex, docente da Unesp Botucatu, referência nacional em mecanização agrícola e plantabilidade. Em sua apresentação, ele abordou um ponto crucial para quem busca alta produtividade: o capricho no plantio.

Segundo Arbex, a plantabilidade — conceito que envolve a correta deposição da semente no solo, na profundidade e espaçamento ideais — é determinante para o sucesso da lavoura.

“Se o pessoal que ouviu sobre plantabilidade ficou consciente de que fazer um plantio caprichado vai aumentar minha produtividade e minha rentabilidade, esse foi o principal parâmetro”, afirmou o professor.

Ele reforçou que o cuidado no plantio é um legado técnico que precisa ser valorizado. “É o capricho que meu mestre de semeadura sempre falava e que eu levo adiante como legado. O capricho no plantio faz toda a diferença para produtividade.”

Como melhorar a plantabilidade na prática?

De forma objetiva, Paulo Arbex destacou três pilares fundamentais para que o produtor rural alcance melhor desempenho na lavoura: qualidade dos insumos, manutenção das máquinas e regulagem adequada dos equipamentos.

O primeiro ponto é a escolha de insumos de alta qualidade, especialmente sementes.

“Eu começo principalmente com a qualidade dos insumos, que vai me garantir uma emergência mais uniforme. Uma qualidade alta me garante emergência”, explicou.

Emergência uniforme significa plantas se desenvolvendo de maneira homogênea, reduzindo competição interna e favorecendo maior potencial produtivo.

O segundo ponto crítico é a manutenção preventiva das máquinas agrícolas, especialmente das plantadeiras — um desafio ainda presente em muitas propriedades brasileiras. “Manutenção de máquina é uma coisa que a gente no Brasil ainda deixa um pouco a desejar. Tem que fazer manutenção preventiva para, na hora que entrar no plantio, estar com a máquina 100% em ordem”, alertou.

Por fim, Arbex ressaltou a importância das regulagens operacionais. “Eu tenho que estar com o disco de corte cortando bem a palha, colocar a semente no lugar certo e na profundidade correta. Essas são as principais dicas.”

Existe a plantadeira ideal?

Uma dúvida comum entre produtores é: qual é a melhor plantadeira para diferentes tipos de solo no Brasil? A resposta, segundo o professor da Unesp, exige análise criteriosa. “Não existe máquina perfeita para todas as ocasiões”, afirmou.

Ele explicou que há equipamentos mais adaptados para áreas com grande volume de palhada, outros para maior velocidade operacional e alguns com estrutura mais robusta, indicados para solos mais exigentes.

“Tem máquina mais adaptada para muita palha, outras para trabalhar com mais velocidade e pouca palha. Algumas são mais fortes, têm melhor resistência de material e exigem menos manutenção.”

O ponto central, de acordo com Arbex, é avaliar o custo-benefício conforme a realidade da propriedade. “Nunca optar pela mais barata ou pela mais cara. Eu tenho que ver custo-benefício conforme minha área, minha região e meu tipo de solo.”

Essa visão estratégica dialoga diretamente com o propósito do Show Tecnológico Verão: transformar informação técnica em decisão prática no campo.

Tecnologia aplicada à produtividade

Ao avaliar o evento, Paulo Arbex destacou a qualidade técnica da programação e das demonstrações. “Eu fiquei maravilhado quando cheguei aqui. A qualidade do show tecnológico, principalmente das palestras técnicas, é impressionante.”

Ele ressaltou que o diferencial está na demonstração prática das tecnologias. “O nome está corretíssimo: é show tecnológico. Estou mostrando tecnologia. Não estou mostrando coisa bonita para ver. Estou mostrando o que vai refletir em alta produtividade para o produtor.”

As Áreas Demonstrativas reforçaram essa proposta, com plots experimentais e apresentação de resultados de pesquisa aplicáveis à realidade do campo. A interação direta entre pesquisadores e produtores permitiu troca de experiências e esclarecimento de dúvidas técnicas, fortalecendo a transferência de conhecimento.

Ciência, inovação e rentabilidade

A 29ª edição do Show Tecnológico Verão reafirmou seu papel como vitrine de soluções e espaço estratégico para atualização profissional. Em um cenário de margens cada vez mais apertadas, investir em plantabilidade, manutenção adequada e tecnologia alinhada ao perfil da propriedade pode ser o diferencial entre uma safra mediana e uma safra de alta performance.

Mais do que apresentar máquinas e insumos, o evento evidenciou que produtividade começa no planejamento e na execução precisa das operações. Como destacou Paulo Arbex, o “capricho” no plantio não é detalhe — é estratégia.