A importância da confissão e do verdadeiro arrependimento foi o tema central do programa REDEVIDA Evangeliza, apresentado pelo Padre Reginaldo Manzotti na última quarta-feira, 18 de fevereiro, às 20h30, na REDEVIDA. Ao lado da psicóloga Daniella Fankin Bett, do Instituto Daniella Fankin, o sacerdote conduziu uma reflexão sobre culpa, responsabilidade e transformação interior, especialmente no contexto da Quaresma — período litúrgico dedicado à conversão.
Logo na abertura, Padre Reginaldo contextualizou a relevância do sacramento da penitência dentro da Igreja Católica. Ele lembrou que a confissão é um dos sete sacramentos e integra os chamados “sacramentos de cura”. “A confissão foi instituída por Cristo. É um caminho de perdão, de conversão e uma profunda experiência da misericórdia divina”, destacou o sacerdote, citando o Catecismo da Igreja Católica (nº 1423), que afirma que o sacramento foi confiado por Jesus à Igreja para o perdão dos pecados cometidos após o batismo.
Segundo o padre, a confissão não deve ser vista como humilhação, mas como libertação. “Felizes somos nós que na Terra podemos ouvir o que lá no céu não ouviremos: ‘Eu te absolvo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’”, afirmou, ressaltando que o sacramento restaura a graça e prepara o fiel para a Eucaristia, considerada pelo Catecismo (nº 1324) o centro da vida cristã.
Para aprofundar o tema sob a ótica psicológica, o programa recebeu a psicóloga clínica Daniella Fankin Bett, que atua há 32 anos na área da saúde mental, possui duas pós-graduações e especializações voltadas ao cuidado emocional. Ao iniciar sua participação, ela diferenciou culpa de arrependimento verdadeiro.
“A diferença entre o arrependimento verdadeiro e a culpa está ligada ao sentimento imediato. A culpa é como um remorso que pode trazer ganhos secundários. Já o arrependimento verdadeiro causa transformação, porque a pessoa aceita a responsabilidade pelo que fez”, explicou.
Daniella destacou que muitas pessoas pedem perdão sem real disposição para mudar. “Pedir perdão não implica, necessariamente, em mudança. Às vezes, é apenas para aliviar a consciência ou restabelecer uma imagem”, afirmou. Segundo ela, o verdadeiro arrependimento envolve um processo interno profundo. “Quando eu me arrependo de fato, eu trago a responsabilidade para mim e passo por um processo de cura. Isso exige consciência.”
A psicóloga, que se declara influenciada pela logoterapia de Viktor Frankl, reforçou que a consciência deveria ser considerada como um “sexto sentido”, tamanha sua importância na construção do sentido da vida. “O arrependimento é um processo. Ele demora mais para ser absorvido. A culpa, se não trabalhada, é como carregar pedras numa mochila — vai ficando cada vez mais pesada.”
Durante a conversa, ela também esclareceu que o medo das consequências não pode ser confundido com arrependimento. “No calor da emoção, alguém pode dizer que está arrependido, mas muitas vezes é apenas medo do que vai acontecer. O arrependimento verdadeiro traz transformação de vida e atitude.”
Padre Reginaldo conduziu o diálogo reforçando que a Quaresma é tempo de metanoia — termo grego que significa “mudança de mente”. “Converte o meu coração, Senhor”, entoou, convidando os telespectadores a viverem uma conversão autêntica.
Ao final, o sacerdote agradeceu a participação da especialista e destacou a importância de unir fé e ciência na reflexão sobre temas espirituais e emocionais. O programa REDEVIDA Evangeliza vai ao ar todas as quartas-feiras, às 20h30, reunindo convidados e promovendo debates atuais à luz da fé católica.
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