Castro, nos Campos Gerais do Paraná, voltou a assumir protagonismo nacional no setor agropecuário ao receber o primeiro robô de ordenha Lely Astronaut A5 Next instalado na América Latina.
A tecnologia começou a operar no dia 18 de novembro, na Chácara Jardim do Éden, localizada na região de Santa Rita, no Abapan, e já demonstra resultados expressivos na rotina da propriedade, que conta atualmente com cerca de 170 vacas em lactação, em uma área de 50 hectares, sendo 37 agricultáveis.
A fazenda é conduzida pelo produtor Albert Jan Geert Strijker, e representa um modelo de pecuária leiteira familiar altamente tecnificada. O investimento marca um divisor de águas não apenas para a propriedade, mas também para a cadeia do leite no Brasil, ao consolidar a automação como uma alternativa viável diante da crescente escassez de mão de obra no campo.
O pecuarista Albert Jan Geert Strijker cresceu no meio da atividade leiteira e conta que o interesse pela tecnologia de ordenha robotizada não surgiu agora. Segundo ele, o robô sempre foi um sonho, mas se transformou em uma necessidade diante da realidade do campo.
Segundo Albert, a decisão de investir na ordenha robotizada foi motivada, sobretudo, pela dificuldade cada vez maior em contratar e manter funcionários qualificados.
“O principal motivo é a dificuldade de mão de obra. Mão de obra qualificada e quantidade de mão de obra, porque tá cada vez mais difícil e escasso. Já faz uns dois meses que eu tô tentando achar um funcionário e não aparece ninguém”, relata o produtor.
A Chácara Jardim do Éden possui 50 hectares, sendo 37 hectares efetivamente aproveitáveis, destinados exclusivamente à pecuária de leite. A atividade é 100% focada na produção leiteira, sem cultivo de grãos. No verão, a base alimentar é a silagem de milho; no inverno, capim para pré-secagem.
O rebanho é composto por um mix equilibrado de raças, com 50% Jersey e 50% Holandesa, uma estratégia construída ao longo dos anos pela família. “O Jersey mostrou ser um animal mais resistente, e acabamos mantendo os dois plantéis juntos”, explica Albert.
Os resultados da implantação do robô foram percebidos rapidamente. Já no segundo dia de funcionamento, houve aumento significativo na produção de leite por vaca.
“O robô mede certinho a produção de cada vaca. No segundo dia, percebemos aumento de cerca de 8 litros nas Jerseys e 7 litros nas Holandesas”, afirma o pecuarista.
Atualmente, a propriedade opera com dois robôs de ordenha, que juntos já realizam a ordenha de mais de 100 vacas, reduzindo drasticamente a demanda de trabalho na sala convencional. Com isso, a família conseguiu direcionar mais tempo para o manejo nutricional, cuidado com bezerras e monitoramento da saúde do rebanho.
“Antes, a gente precisava de pelo menos três pessoas para dar conta da ordenha. Hoje, com uma pessoa conseguimos fazer, e os outros trabalhos continuam andando”, destaca.
A adaptação dos animais ao sistema robotizado foi rápida e tranquila. Segundo Albert, cerca de 10 dias antes da ativação, as vacas passaram por um período de treinamento, sendo conduzidas ao robô com os portões abertos e recebendo ração como estímulo positivo.
“No terceiro dia de ordenha, elas já estavam entrando sozinhas no robô. Hoje estão muito mais tranquilas, passam mais tempo deitadas, descansando. Dá para ver que o bem-estar melhorou”, observa.
O robô também evita a chamada sobreordenha, retirando automaticamente, de forma individual, a teteira de cada teto assim que o fluxo de leite diminui, protegendo a saúde da glândula mamária.
Apesar de ser um investimento de alto valor, o produtor afirma que a decisão foi tomada com base em planejamento financeiro e análise técnica. O financiamento foi viabilizado por meio do Sicredi de Carambeí, com prazo de dez anos.
“Nós colocamos tudo na ponta do lápis. Fizemos orçamento com a Lely e vimos que precisava de um aumento de 4,8 litros por vaca por dia para o robô se pagar. Os técnicos falavam em 10% a 15% de aumento, mas fomos surpreendidos com mais”, relata Albert.
Para ele, o principal ganho está na tranquilidade de saber que o investimento é sustentável.
“Quando o investimento é bem pensado, ele não pesa na cabeça. Você dorme tranquilo sabendo que ele se paga sozinho com o aumento de produtividade. Isso também é sustentabilidade dentro da propriedade”, afirma.
O modelo instalado em Castro é o Astronaut A5 Next, considerado o mais moderno da linha Lely. Entre os diferenciais estão a câmera junto com o laser acoplada ao braço robótico, que permite identificação mais rápida e precisa dos tetos, tornando o processo de ordenha mais eficiente, confortável e segura.
Outro destaque é o filtro de inox autolimpante, único no mercado, que substitui filtros descartáveis. “Antes, eram três filtros por dia indo para o lixo. Hoje não tem mais isso. Ele se lava sozinho, é mais sustentável”, destaca Albert.
O robô também utiliza colares com tags eletrônicas, que identificam cada vaca individualmente, monitorando produção, ruminação, cio e possíveis alterações na saúde. “Hoje o robô enxerga coisas que a gente não via na correria do dia a dia”, completa.
Além da ordenha robotizada, a propriedade também conta com o robô Juno, responsável por empurrar o alimento no cocho ao longo do dia. O equipamento opera de forma autônoma, seguindo rotas programadas conforme o nível de alimento disponível.
“Qualquer hora que a vaca chega no cocho, tem comida. Isso melhora o consumo de matéria seca e reflete diretamente na produção de leite”, afirma Albert.
O Juno é controlado pelo celular e retorna sozinho à base para recarga quando a bateria atinge nível baixo, garantindo regularidade no trato e padronização da rotina alimentar.
Para Bárbara Liz Silva Camargo, Zootecnista que atua no suporte às fazendas da Lely, a robotização representa o futuro da pecuária leiteira.
“A tecnologia e os dados que esses equipamentos fornecem trazem muito mais precisão na tomada de decisão. Isso favorece a saúde, a longevidade do rebanho e a qualidade do leite”, explica.
Segundo ela, o A5 Next apresenta avanços importantes em relação às versões anteriores, com destaque para a modernização do sistema operacional, maior confiabilidade na coleta e análise de dados, além da manutenção simplificada. “O robô disponibiliza dados individualizados, permitindo intervenções mais rápidas e estratégicas. Portanto, a evolução do sistema operacional reflete diretamente em um suporte técnico mais ágil e eficaz.”
Bárbara também destaca a automação como solução concreta para o gargalo da mão de obra. “A robotização veio para ficar. Ela resolve um problema estrutural das fazendas e melhora a eficiência produtiva.”
A chegada do primeiro robô de ordenha Lely A5 Next da América Latina reforça o papel de Castro como referência nacional e internacional na produção de leite. Mais do que uma inovação tecnológica, o projeto simboliza a capacidade do produtor brasileiro de adotar soluções modernas, sustentáveis e economicamente viáveis.
Para Albert, o futuro é claro: “O robô vai fazer parte da pecuária de leite daqui para frente. Ele aumenta a produtividade, reduz a mão de obra e mostra todo o potencial da vaca. É um caminho sem volta.”
Para o produtor Albert, a robotização é um caminho sem volta. “O robô mostra o potencial completo da vaca. Ele ajusta a ração conforme a produção e extrai o máximo que o animal pode entregar com saúde. Com a falta de mão de obra que temos hoje, essa tecnologia vai fazer parte do futuro da pecuária de leite”, afirma.
A visão é compartilhada pela equipe técnica da Lely. “A robotização veio para ficar. Ela resolve um problema sério de mão de obra e ainda melhora a eficiência, o bem-estar animal e a rentabilidade da fazenda”, conclui Bárbara.
Com a chegada do primeiro robô de ordenha Lely A5 Next da América Latina, Castro reforça seu protagonismo no setor leiteiro e mostra que inovação, planejamento e tecnologia são aliados fundamentais para a sustentabilidade da atividade no campo.