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A agricultura com propósito que valoriza todos, porque todos somos agro
O valor da agricultura familiar — tantas vezes ignorado no dia a dia — reaparece com força quando crises, escassez ou mudanças climáticas lembram que cada alimento depende do esforço silencioso do produtor rural.
10/12/2025 08h20
Por: Redação Fonte: Luiz Francisco Araujo da Costa Vaz*
A agricultura com propósito que valoriza todos, porque todos somos agro

A gente só descobre o valor de algumas coisas quando perde. Caminhar, por exemplo. No dia a dia, quase nunca pensamos no privilégio de levantar, sair, ir e vir. Basta uma fratura ou uma dor mais séria para a gente entender o quanto andar era importante. Com a respiração é a mesma coisa: inspirar e expirar parece automático, até que uma crise alérgica, uma bronquite ou um enfisema mostrem que cada fôlego tem um preço e um valor.

Na mesa e no campo não é diferente.

Muitas vezes não damos valor à agricultura familiar e à pequena propriedade. Reclamamos do preço, procuramos sempre o mais barato, trocamos o produto local por algo industrializado, sem pensar em quem está por trás daquele alimento. Mas quando a fome aparece no noticiário, quando a prateleira esvazia, quando o clima derruba a safra, a ficha cai: alguém precisou plantar, cuidar, investir e acreditar para que o nosso prato estivesse cheio.

O produtor rural é esse alguém.

É ele que produz o alimento do carnívoro e do vegano.

É ele que planta o algodão que vira roupa.

É ele que movimenta a economia da cidade pequena e abastece a cadeia do agronegócio.

 

E faz tudo isso com propósito, mesmo quando ninguém está vendo.
Independente do humor, do preço do insumo, da chuva que não vem ou do excesso de água que atrapalha, o produtor está lá: preparando o solo, semeando, cuidando do que ainda nem nasceu. Planta sem ter garantia, mas com fé de que a produção será melhor a cada dia.

Quando falamos em “agricultura com propósito”, não é um slogan bonito.
É reconhecer que:

No fundo, todos somos agro.

Somos agro quando escolhemos valorizar o produtor local.

Somos agro quando entendemos que a comida na mesa não começa no mercado, mas na lavoura.

Somos agro quando percebemos que, assim como caminhar e respirar, ter alimento saudável disponível todos os dias não é detalhe: é benção.

 

Que esta semana seja um convite à gratidão: pela saúde, pela caminhada, pela respiração… e por cada produtor rural que insiste em plantar, mesmo sem saber se vai colher, acreditando que vale a pena seguir em frente por todos nós.

 

Autor:

Luiz Francisco Araujo da Costa Vaz – Engenheiro Agrônomo – Colunista Minuto Rural