Agricultura PULSE DAY
Pulse Day Campos Gerais destaca mercado do feijão, novas cultivares e estratégias para aumentar o consumo no Brasil
O 2º Pulse Day Campos Gerais reuniu produtores, técnicos, pesquisadores e lideranças do setor em Carambeí para discutir consumo, mercado, exportação e os avanços em novas cultivares de feijão desenvolvidas por instituições como IDR-Paraná, IAC e Embrapa.
18/11/2025 13h40
Por: Redação Fonte: Toninho Anhaia
Produtores, pesquisadores e lideranças reunidos no Pulse Day Campos Gerais para debater consumo, mercado e novas cultivares de feijão. Foto Toninho Anhaia

O 2º Pulse Day Campos Gerais reuniu, no dia 17 de novembro, produtores rurais, pesquisadores, técnicos, lideranças cooperativistas e representantes da cadeia do feijão no Clube Social de Carambeí. 

O encontro, que integra uma agenda itinerante que já percorreu 12 regiões do país em 2025, trouxe ao centro do debate temas como consumo interno, qualidade do grão, comercialização, exportações e o desenvolvimento de novas cultivares adaptadas às diferentes realidades brasileiras.

A iniciativa, promovida pelo Instituto Brasileiro do Feijão (IBRAFE) em parceria com entidades do agro, buscou aproximar campo, indústria e mercado, fortalecendo a principal leguminosa da dieta nacional — e que hoje enfrenta o desafio da queda de consumo e das oscilações de preço. Que contou como patrocinadores o Sistema FAEP/SENAR, Frísia, Castrolanda, Fundação ABC, Mingote Cereais, Sementes Aliança, Arbaza, Colombo, Sintese Agroscience, Buranello e Marambaia Sementes. Apoio Institucional (pesquisa): Institutos de Pesquisa renomados como IDR-Paraná, Embrapa e IAC (Instituto Agronômico de Campinas).

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Consumo, saúde pública e identidade regional

O presidente do IBRAFE, Marcelo Eduardo Lüders, destacou o papel estratégico do Pulse Day como espaço de escuta e construção coletiva. Antes de sua fala, ele explicou que a queda no consumo do feijão é hoje uma preocupação que transcende o setor produtivo e toca diretamente a saúde da população.

Segundo ele, o Pulse Day serve como ponto de partida para ações regionais que refletem em políticas públicas e iniciativas de valorização do alimento:

“Nós sabemos que o consumo caiu, e isso vai muito além da renda do produtor. Mais de 57 mil pessoas morrem por ano em consequência de uma má alimentação, dominada pelos ultraprocessados. O feijão entra como nutracêutico, um remédio natural para evitar doenças.”

Marcelo também reforçou a importância de trabalhar a identidade territorial do feijão brasileiro, destacando que o Paraná é responsável por até 80% de todo o feijão-preto consumido no país — base do prato que representa o Brasil no mundo: a feijoada.

“Será que quem consome feijoada em São Paulo ou no Rio sabe que o feijão sai do Paraná? O terroir paranaense dá sabor único ao grão. Isso precisa ser comunicado.”

Ele defendeu ainda a criação de rotas turísticas e gastronômicas que valorizem as regiões produtoras, fortalecendo a relação entre campo e consumidor final.

No mercado, Lüders pontuou que 2024 consolidou o Brasil como recordista em exportações, com mais de 450 mil toneladas enviadas ao exterior. O Paraná, sozinho, exportou mais de 1 milhão de sacas de feijão preto — algo inimaginável poucos anos atrás.

Mas o principal desafio segue sendo o equilíbrio entre oferta, preço e consumo interno: “Se o consumo não crescer, o feijão tende a ser exportado. E quem perde é o próprio consumidor brasileiro, que substitui o feijão por ultraprocessados.”

Planejamento, variedades e qualidade para o consumidor final

O presidente do Sindicato Rural de Carambeí, Ricardo Wolter, ressaltou que o Pulse Day também cumpre o papel de orientar quem está na lida diária com o plantio — sobretudo em anos de forte oscilação de mercado.

Antes de comentar os desafios atuais, Ricardo explicou que o evento oferece ferramentas para o produtor entender melhor as características que o mercado exige:

“Existem variedades muito produtivas que escurecem cedo. O consumidor olha um feijão que escurece rápido e não quer levar, mesmo sem perder qualidade. Hoje já temos cultivares tão produtivas quanto, mas com longevidade de prateleira muito maior.”

Esse fator, destacou ele, impacta diretamente a rentabilidade: “O produtor consegue vender mais caro um feijão de escurecimento lento. É renda na veia.”

Wolter reforçou ainda a necessidade de união da classe produtora para entender o passado, analisar o presente e planejar o futuro: “O feijão é uma excelente alternativa de safrinha na região. Essa troca de informações é fundamental para que possamos evoluir.”

Exportação, alternativas e futuro do feijão paranaense

Representando o Núcleo Sindical Rural dos Campos Gerais, Gustavo Ribas Netto reforçou que o Paraná precisa de alternativas para intensificar a produção em um território relativamente pequeno.

Antes de sua análise, ele destacou o papel estratégico do feijão no sistema produtivo regional: “O feijão abre oportunidade para viabilizar duas safras de verão, o que é um desafio na nossa região. Precisamos discutir mercado, exportações, variedade de preto e até acesso à China.”

Gustavo também chamou atenção para a necessidade de facilitar o consumo dentro das casas brasileiras: “Temos que pensar em meios para o feijão chegar mais preparado à mesa — como acontece com suínos e frango. Isso aumenta o consumo per capita.”

 

Cooperativismo e mercado: novas portas para o produtor

O presidente da Cooperativa Frísia, Geraldo Slob, valorizou o evento como instrumento de inovação e geração de oportunidades.

Antes de apresentar a visão cooperativista, ele destacou o papel da Frísia como parceira do Pulse Day: “Tudo que trouxer alternativa ao produtor — seja em cereais de inverno ou em pulses — tem grande valia. O produtor precisa produzir bem, mas também vender bem e saber para quem vender.”

Geraldo destacou ainda que o encontro reúne produtores, comercializadores e beneficiadores, criando um ambiente unificado em torno do fortalecimento da cultura: “É um grupo muito unido, que quer que os pulses tenham boa aceitação tanto do produtor quanto do consumidor.”

Clima, queda de área e crise de rentabilidade no feijão-preto

De Prudentópolis, capital nacional do feijão-preto, o produtor Edmilson Roberto Rickli relatou um cenário desafiador na safra atual.

Antes de relatar a situação das lavouras, ele contextualizou o momento: “O feijão-preto passa por grande dificuldade comercial, com preço desvalorizado e estoque muito alto da última safrinha.”

Edmilson revelou que, em sua região, a redução de área ultrapassou 50%, e mesmo as lavouras implantadas enfrentam condições climáticas extremamente desfavoráveis: “Excesso de chuva, umidade alta e temperaturas baixas prejudicaram muito. São poucas as lavouras em condições normais. A maioria tem baixo potencial produtivo.”

A expectativa é que o escoamento dos estoques e o aumento de consumo possibilitem recuperação dos preços nos próximos meses.


Novas cultivares: o futuro do feijão passa pelos laboratórios

Além das discussões de mercado, o Pulse Day Campos Gerais deu grande destaque às novas cultivares — tema conduzido por três instituições de referência: IDR-Paraná, IAC e Embrapa.

IDR-Paraná: escurecimento lento e adaptação ao terroir paranaense

O engenheiro agrônomo Henrique Luiz da Silva, do IDR-Paraná, reforçou que o Pulse Day é um palco ideal para apresentar ao produtor os avanços da pesquisa.

Antes de detalhar os cultivares, ele explicou: “O IDR vai apresentar materiais de escurecimento lento, que hoje são tendência no mercado de feijão carioca.”

O destaque foi o IPR Águia, primeira cultivar de escurecimento lento desenvolvida pelo instituto: “Ele tem porte ereto, ideal para colheita direta, tolerância às principais doenças e grão de excelente qualidade. O empacotador gosta e vende fácil.”

Henrique revelou ainda que uma nova cultivar de escurecimento lento será lançada em breve: “Já está praticamente em pré-lançamento. Mais produtiva, mais adaptada ao Paraná. Logo o produtor vai conhecer.”

 

IAC: produtividade e rusticidade com o feijão 'Nelore'

O pesquisador Sérgio Augusto Morais Carbonel, do IAC, apresentou as novidades da instituição.

Ele explicou que o IAC trabalha com variedades cariocas, pretas, rajadas, vermelhas, cramberry e brancas, sempre buscando maior renda e estabilidade ao produtor.

O destaque foi o recém-registrado IAC 2560 Nelore, cultivar lançada em 2025:“É um carioca de alta produtividade, tolerante ao escurecimento e com porte ereto. O nome ‘Nelore’ vem da rusticidade e da coloração branca do grão.”

Embrapa: cultivares que seguram a cor por até dois anos

O engenheiro agrônomo José Luiz Cabrera Dias, da Embrapa Arroz e Feijão, reforçou a importância do evento como elo entre pesquisa e produtor.

Antes de falar das cultivares, Cabrera destacou: “O Pulse Day permite que toda a cadeia entenda o que está acontecendo no mercado e no campo.”

Ele ressaltou que as cultivares mais modernas combinam alta produtividade com genética de escurecimento lento: “Hoje temos materiais capazes de manter a cor por até dois anos, permitindo que produtor, indústria e supermercado armazenem sem perda visual a exemplo do BRF SC 415”

Essa característica, segundo ele, é essencial em um mercado com preços deprimidos e forte concorrência.

Com debates técnicos, análises de mercado, perspectivas de exportação e apresentação de novas tecnologias, o Pulse Day Campos Gerais consolidou-se como uma referência para produtores e profissionais da cadeia do feijão no Paraná.