Agricultura SOJA E MILHO 2025/26
Safra de soja e milho 2025/2026 terá desafios com custos altos e crédito restrito
Abramilho e Aprosoja Brasil alertam para endividamento crescente e queda de investimentos que podem comprometer a produtividade da próxima safra e para falar sobre o assunto as entidades vão fazer uma transmissão ao vivo em seus canais oficiais no dia 16 de outubro.
30/09/2025 16h58
Por: Redação Fonte: Com assessoria
Safra de soja e milho 2025/2026 terá desafios com custos altos e crédito restrito

A safra de soja e milho 2025/2026 começa em meio a um cenário de pressão econômica sobre os agricultores brasileiros. Custos elevados, juros altos, escassez de crédito e o aumento dos pedidos de Recuperação Judicial (RJ) são fatores que preocupam entidades do setor e podem comprometer a produtividade e a rentabilidade das lavouras. 

O assunto será tratado em transmissão ao vivo nos canais oficiais das entidades no dia 16 de outubro das 9h30 às 12h com o tema “VEM AÍ A SAFRA DE SOJA E MILHO 2025/2026: E AGORA? O QUE ESPERAR DA NOVA SAFRA FRENTE AOS CUSTOS ELEVADOS E AO CRESCENTE ENDIVIDAMENTO NO CAMPO.  Canal Abramilho: https://www.youtube.com/@Abramilho 

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) e a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), é essencial avaliar como essas condições vão impactar a próxima safra. As análises destacam comportamento dos preços, custos de produção, geopolítica e os reflexos do endividamento agrícola no uso de tecnologias.

O diretor-executivo da Abramilho, Glauber Silveira, reforça que o tema da recuperação judicial precisa estar no centro do debate.

“O setor está bastante preocupado com o cenário de crédito e com o endividamento crescente dos produtores, o que pode impactar negativamente o uso de tecnologias na próxima safra — fator que reduz ainda mais a produtividade. Cria-se, assim, um ciclo vicioso: a queda da produtividade e dos preços aumenta o endividamento, agravado pela restrição no acesso ao crédito rural. Por isso, é fundamental abordar os temas da renegociação de dívidas e da recuperação judicial no agro brasileiro”, destaca.

Já o diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa, chama atenção para os impactos diretos na rentabilidade dos produtores e na economia do país.

“O objetivo é mostrar como a próxima safra pode impactar a rentabilidade dos produtores e de que forma o endividamento agrícola reduz investimentos e prejudica a economia das regiões produtivas e do país. Essas análises de cenários são fundamentais para os produtores se prepararem para o novo ciclo e ajudam os consumidores e público em geral a compreenderem os desafios da produção de alimentos”, afirma.

O debate também conta com especialistas como o pesquisador do CEPEA/ESALQ, Mauro Osaki, o superintendente do IMEA, Cleiton Gauer, e o advogado especialista em recuperação judicial, Alisson Giuliano, que analisam os reflexos da conjuntura econômica sobre o campo e a necessidade de medidas jurídicas para mitigar os efeitos do endividamento rural.

Com isso, a próxima safra de soja e milho traz consigo mais do que expectativas produtivas: carrega a responsabilidade de equilibrar a balança entre custos crescentes, crédito restrito e a busca por sustentabilidade econômica no agronegócio brasileiro.

 

Abramilho alerta para possível redução na produção de milho no Brasil

Apesar do aumento da demanda, a produção tende a cair devido à menor adoção de tecnologias no campo.

 

 

urante a 53ª reunião da Câmara Setorial de Milho e Sorgo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o diretor executivo da Abramilho, Glauber Silveira, chamou atenção para a possibilidade de queda na produtividade do milho na próxima safra de 2025/26. Ele citou que, na safra passada, por exemplo, mesmo com projeções iniciais de recorde por parte da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os números não se confirmaram. “Tivemos um clima praticamente perfeito no Mato Grosso, e ainda assim não atingimos o recorde de safra”, ponderou. 

Segundo ele, o cenário para a próxima safra também preocupa levando em consideração que não há expectativa de aumento significativo de área plantada. A Conab prevê um aumento de apenas 3,5%. “Pelo que a gente observa, parece que a tendência é que a próxima safra seja ainda menor. Não há um aumento de área plantada, e mesmo que exista algum incremento pequeno, estamos enfrentando um clima mais difícil.”

Redução do uso da tecnologia

Outro ponto levantado pelo diretor executivo foi sobre a queda no uso de tecnologia no campo. Isso porque, segundo ele, os produtores têm enfrentado um cenário econômico desafiador, o que tem levado à redução no uso de tecnologias fundamentais para ampliar a produtividade. 

“Tenho rodado bastante as fazendas e conversado com muitos produtores, e dá pra perceber uma redução no uso de tecnologia. A gente tem observado isso com clareza. E com os preços como estão agora, e ainda com essa explosão de oferta nos EUA — os americanos colocaram 50 milhões de toneladas a mais no mercado — fica difícil imaginar uma melhora nos preços.”

Cautela

O diretor da Abramilho também alertou para o papel da Conab na divulgação das estimativas de produção. Na avaliação dele, é necessário que os números reflitam a realidade do campo. 

“Acho até importante que a Conab evite divulgar estimativas de safra recorde. Porque senão, isso gera frustração no produtor, que acaba ficando irritado com essas projeções. Parece que falar de recorde virou algo positivo por si só, mas quando não se confirma, prejudica tudo — especialmente a formação de preços. E querendo ou não, o que a Conab divulga tem peso.”