Agricultura SHOW TECNOLÓGICO
Show Tecnológico Inverno destaca avanços na cultura da cevada nos Campos Gerais
Na 9ª edição do Show Tecnológico Inverno, promovido pela Fundação ABC em Ponta Grossa, produtores, pesquisadores e empresas discutiram a evolução genética da cevada e as oportunidades para ampliar a rentabilidade e qualidade da produção.
15/09/2025 16h06
Por: Redação Fonte: Toninho Anhaia
Pesquisadores e produtores discutem avanços da cevada durante o Show Tecnológico Inverno da Fundação ABC em Ponta Grossa. Fotos Toninho Anhaia

Nos dias 10 e 11 de setembro de 2025, a Fundação ABC realizou a 9ª edição do Show Tecnológico Inverno, em seu Campo Demonstrativo e Experimental (CDE), localizado na PR-151, em Ponta Grossa (PR).

O evento reuniu 25 empresas parceiras, além de pesquisadores, produtores e estudantes vindos de diferentes regiões do país, com foco em apresentar soluções práticas para o cultivo de inverno.

O grande destaque ficou para a cultura da cevada, que tem ganhado relevância nos Campos Gerais, impulsionada pela demanda da maltaria instalada na região e pela necessidade de variedades mais produtivas, adaptadas e de qualidade superior.

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A importância da cevada para a região

O gerente geral da Fundação ABC, Luis Henrique Penkoski, destacou que a programação do evento foi desenhada para valorizar o papel da cevada como alternativa de renda para os agricultores.

“Acho que o grande destaque é a programação bastante interessante que montamos, trazendo todo o histórico da cultura da cevada, de onde começamos até o que esperamos para o futuro. Pela importância da cevada na nossa região, conseguimos conectar diferentes áreas do conhecimento para construir estratégias que aumentem a produtividade, a rentabilidade e a qualidade exigida pela indústria, gerando mais resultados no campo”, afirmou.

Aprendizados que fortalecem o futuro da cultura

O pesquisador da Fundação ABC, Hélio Joris, reforçou que a cevada se consolidou como uma alternativa rentável para os cultivos de inverno, muito em função da maltaria. Ele também detalhou os avanços genéticos e de manejo que têm transformado a realidade dos produtores.

“A cevada tem aumentado bastante em importância, se tornando uma opção rentável para os cultivos de inverno. Entre os aprendizados ao longo dos anos, destaco a evolução no manejo de doenças, com cultivares mais tolerantes e resistentes, além de melhorias nutricionais, especialmente no uso de nitrogênio e boro. Isso se reflete em produtividade e qualidade para atender a maltaria”, explicou Joris.

Ele também lembrou que a capacidade de produção da maltaria já ultrapassa o planejamento inicial, e isso só é possível porque o cultivo vem sendo aprimorado no campo.

“O ponto de partida é sempre o cultivo bem feito, com variedades produtivas, estáveis e de qualidade. Isso motiva o produtor a apostar na cevada e fortalece todo o ecossistema da cultura”, completou.

40 anos de história e evolução genética

Convidado para a Arena 1 do Show Tecnológico, o pesquisador da FAPA (Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária), Noemir Antoniazzi, trouxe um resgate histórico da cultura na região, abordando os avanços genéticos que permitiram que a cevada se tornasse uma alternativa concreta de renda.

“Fomos convidados para destacar a história do cultivo da cevada aqui nos Campos Gerais, que começa na década de 80. No início, enfrentávamos grandes dificuldades porque os solos não eram adequados e a genética vinha de fora, principalmente da Europa. Com o tempo, vieram variedades nacionais, como as desenvolvidas pela Embrapa, e depois voltaram as variedades europeias, já mais adaptadas”, relatou.

Antoniazzi ressaltou que a consolidação da cevada se deu com o melhoramento genético local, liderado pela FAPA.

“A virada de chave foi quando conseguimos desenvolver variedades adaptadas aqui na região, como a Imperatriz e, mais recentemente, a Princesa, que se mostrou muito competitiva. Essa variedade foi testada, avaliada e selecionada nos nossos solos, corrigindo limitações anteriores e trazendo rentabilidade ao produtor. Hoje temos materiais que atendem tanto à indústria, pela qualidade de malte, quanto ao produtor, pela produtividade e estabilidade”, destacou.

Perspectivas para os próximos anos

Com a maltaria operando acima da capacidade inicial e planos de duplicação, a demanda por cevada nacional se torna ainda mais urgente. “O desafio é oferecer genética adaptada e adequada para que o produtor se anime a plantar e intensifique o cultivo. A indústria precisa de cevada, e isso só será viável se tivermos sementes nacionais de qualidade. Com a Princesa e outras variedades em desenvolvimento, esse momento chegou”, concluiu Antoniazzi.

Mais do que um espaço de difusão de conhecimento, o Show Tecnológico Inverno da Fundação ABC se firmou como um ponto de encontro entre ciência, tecnologia e produção agrícola. Ao longo dos dois dias, visitantes puderam conhecer inovações, trocar experiências e acessar informações atualizadas sobre as culturas de inverno.

A cevada, protagonista desta edição, mostrou-se não apenas uma alternativa rentável, mas um pilar estratégico para o futuro do agronegócio nos Campos Gerais, conectando produtores, pesquisadores e a indústria cervejeira em um ciclo de benefícios compartilhados.