Artigos ARROZ E FEIJÃO
O Brasil vai mesmo abandonar o Arroz e o Feijão?
O Feijão é saúde, tradição e economia. Opinião: por que o Brasil precisa se unir em torno do Prato Feito e dos alimentos de verdade.
15/09/2025 10h22
Por: Redação Fonte: Marcelo Lüders*
Marcelo Lüders, presidente do IBRAFE. Foto Toninho Anhaia

Sempre me pergunto: como o Brasil, maior produtor de Feijão do mundo, pode conviver com a queda constante no consumo interno desse alimento? O Feijão, base do nosso Prato Feito, símbolo de identidade cultural e nutricional, vem perdendo espaço para ultraprocessados. É um contrassenso: temos um alimento completo, nutritivo, barato e democrático, mas que ainda não recebe o valor que merece. Por isso defendo, com convicção, que precisamos agir agora. Não é apenas sobre mercado, mas sobre saúde pública, economia e até soberania alimentar.

Na minha visão, nós não podemos mais nos limitar a ser apenas bons observadores do setor, dizendo é alguém tem que fazer alguma coisa. Nós eu e você que esta lendo, podemos ser articuladores de uma causa maior: transformar o Feijão e os alimentos de verdade em bandeira nacional. E não estamos sozinhos. Já contamos com instituições de peso que entenderam a importância desse movimento, como a APROFIR – Associação dos Produtores Irrigantes do Mato Grosso, a EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, o IAC – Instituto Agronômico de Campinas, o IDR-Paraná – Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, o TAA – Instituto Terras Altas, o GFI – Good Food Institute e a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Feijão. Essa união prova que a pauta não é apenas de produtores ou de acadêmicos, mas de toda a sociedade.

O consumo regular de Feijão cinco vezes por semana é capaz de reduzir riscos de doenças crônicas, melhorar a qualidade de vida e aliviar gastos do sistema de saúde. No campo econômico, significa renda para milhares de famílias produtoras, empregos na indústria e novas oportunidades de exportação. Culturalmente, o Prato Feito — com arroz, Feijão, proteína e salada — é talvez o maior símbolo da nossa identidade alimentar. Negligenciá-lo é abrir mão de um patrimônio nacional. Não me parece exagero dizer: defender o Feijão é defender o Brasil real, o Brasil de verdade.

Se queremos que o Feijão reassuma seu protagonismo, precisamos de mobilização social, de articulação política e de compromisso produtivo. Consumidores devem se conscientizar, escolas precisam reforçar a alimentação saudável e restaurantes podem valorizar o Prato Feito. O setor público deve dar atenção ao tema e produtores têm de investir em qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e comunicação com o consumidor. O movimento Viva Feijão! mostra que já estamos no caminho. Ele nasce simples, mas com potencial para crescer e se tornar uma grande campanha nacional.

Eu acredito que o futuro do Feijão é também o futuro dos alimentos de verdade no Brasil. Não podemos aceitar que um alimento tão completo e acessível seja relegado a segundo plano. Temos instituições, temos parceiros e temos um legado cultural que nos obriga a agir. A hora é agora. Precisamos transformar o Feijão em símbolo de saúde, orgulho e união nacional.

Deixo aqui meu convite: siga a campanha Viva Feijão, compartilhe esta mensagem e ajude a espalhar essa ideia. O Brasil precisa, e o Feijão merece.

* Marcelo Lüders, presidente do IBRAFE.