Agricultura SHOW INVERNO ABC
9º Show Tecnológico de Inverno da Fundação ABC destaca cevada e forragens como protagonistas da agricultura sustentável
A 9ª edição do Show Tecnológico de Inverno da Fundação ABC reuniu pesquisadores, produtores e empresas nos dias 10 e 11 de setembro, em Ponta Grossa (PR), com foco em culturas de inverno, especialmente a cevada e as forrageiras voltadas à pecuária leiteira.
11/09/2025 13h29
Por: Redação Fonte: Toninho Anhaia
Pesquisadores, produtores e empresas reunidos no Show Tecnológico de Inverno da Fundação ABC, em Ponta Grossa (PR). Foto Toninho Anhaia

Nos dias 10 e 11 de setembro de 2025, a Fundação ABC realizou a 9ª edição do Show Tecnológico de Inverno, no Campo Demonstrativo e Experimental (CDE) em Ponta Grossa (PR), localizado na PR-151.

O evento reuniu 25 empresas parceiras, pesquisadores, produtores e estudantes vindos de diferentes estados, como Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

O objetivo foi compartilhar inovações tecnológicas e soluções práticas para as culturas de inverno, promovendo a troca de conhecimento em um ambiente de campo aberto.

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O gerente geral da Fundação ABC, Luis Henrique Penkoski, destacou o papel estratégico do evento.

“A importância do nosso Show Tecnológico de Inverno está na oportunidade de contato direto com os produtores, não apenas da nossa região, mas também de outros estados. É uma troca que permite apresentar o que estamos fazendo e, ao mesmo tempo, captar a percepção dos produtores sobre as culturas de inverno, que são fundamentais para os sistemas de produção.”

Segundo Penkoski, a cevada foi protagonista desta edição, com uma programação voltada à sua evolução histórica, avanços genéticos e perspectivas futuras. Além disso, o evento reforçou a importância da produção de forragens para o setor leiteiro da região dos Campos Gerais, onde Castro é reconhecida como a capital nacional do leite. “Precisamos produzir comida de alta qualidade para sustentar uma produção que ultrapassa 1 bilhão de litros de leite por ano nas cooperativas da região. Por isso, também dedicamos espaço ao produtor de leite, com práticas de manejo de forrageiras voltadas para manter e ampliar a produção”, afirmou Penkoski.

Cevada: da história às novas variedades

Cevada: da história às novas variedades - Foto Toninho Anhaia

Na arena dedicada à cevada, o pesquisador da Fundação ABC, Hélio Joris, trouxe uma visão aprofundada sobre a cultura, que vem ganhando espaço graças à maltaria instalada na região.

“Hoje a cevada é uma opção rentável para o produtor, e os avanços genéticos têm sido fundamentais para enfrentar desafios de sanidade, nutrição e manejo. Melhorias contínuas no uso de nitrogênio e boro, por exemplo, têm garantido produtividade e qualidade necessárias à indústria cervejeira”, explicou Joris.

Complementando a discussão, o pesquisador da FAPA, Noemir Antoniazzi, apresentou uma retrospectiva de mais de 40 anos de cultivo da cevada no Paraná, destacando a evolução das variedades.

“No início, utilizamos materiais europeus pouco adaptados às nossas condições de solo e clima. Com o tempo, vieram variedades da Embrapa e, mais recentemente, desenvolvemos genéticas regionais, como a Imperatriz e a Princesa, que corrigiram limitações e ofereceram melhor adaptação. Hoje temos materiais que atendem tanto à rentabilidade do produtor quanto à qualidade exigida pela indústria”, ressaltou Antoniazzi.

O pesquisador ainda apontou que o desafio atual é garantir sementes adaptadas e de qualidade, essenciais para que a maltaria continue crescendo com base na produção nacional.

Forragens para a pecuária de leite

IPR Esmeralda, de ciclo precoce - Foto Toninho Anhaia

 

Na área destinada à pecuária, o zootecnista Rafael Moreira, do IDR Paraná, apresentou cultivares de aveia e triticale voltados à produção de forragem.

“Estamos mostrando aos produtores cinco materiais forrageiros com potencial para pastejo, corte e pré-secado. Entre eles, a IPR Esmeralda, de ciclo precoce, e a IPR Prata, primeiro triticale forrageiro desenvolvido no Brasil, ambos muito bem adaptados às necessidades da pecuária leiteira da região”, explicou Moreira.

Segundo ele, os materiais estão disponíveis para aquisição por meio de parceiros comerciais do IDR e podem ser fundamentais para melhorar a nutrição de rebanhos leiteiros e de corte.

Empresas parceiras levam tecnologia ao campo

Entre as empresas presentes, a Agrocete destacou seu inoculante biológico “NOD PHOS”, apresentado pelo gerente regional Fabiano Ramos. “É um produto três em um, que promove fixação biológica de nitrogênio, crescimento das plantas e solubilização de fósforo. Com isso, o produtor reduz custos de adubação e aumenta a produtividade em culturas como soja, trigo, milho e batata.”

Já a Nitro, representada por Hermano Furtado, enfatizou a parceria com a Fundação ABC no desenvolvimento de novas tecnologias. “Estamos há três anos testando, junto à Fundação, um modulador de plantas para soja e feijão. A pesquisa é fundamental para levar ao agricultor uma tecnologia validada, capaz de reduzir gastos energéticos da planta e transformá-los em produtividade de grãos.”

O papel das cooperativas

A Capal Cooperativa Agroindustrial, mantenedora da Fundação ABC, marcou presença oferecendo suporte direto aos cooperados. A analista de comunicação Ana Cláudia Pereira destacou:

“O Show Tecnológico permite que o cooperado veja no campo os resultados das pesquisas, além de acompanhar palestras e demonstrações. Nosso papel é dar suporte e incentivar essa aproximação entre ciência e prática agrícola.”

Olhar do visitante

O engenheiro agrônomo e professor do Colégio Agrícola de São Mateus, Cleverson Ferreira, visitou o evento com seus alunos e destacou a importância pedagógica:

“Cada estande traz novidades que despertam curiosidade. Para nós, educadores, é uma oportunidade de levar conhecimento atualizado para a sala de aula e formar profissionais mais preparados para os desafios do campo.”

Ao longo dos dois dias, o Show Tecnológico de Inverno da Fundação ABC consolidou-se como um espaço essencial de diálogo entre ciência, mercado e produtores rurais. Com foco em cevada e forragens, os debates mostraram como as culturas de inverno são estratégicas para a rentabilidade agrícola e a sustentabilidade da produção.

Mais do que apresentar resultados, o encontro reforçou o papel da Fundação ABC como elo entre pesquisa aplicada, inovação tecnológica e desenvolvimento regional.