Ponta Grossa (PR) – A base de qualquer produção animal é a nutrição, e, no caso da pecuária, as forrageiras desempenham papel decisivo para garantir produtividade e sustentabilidade. Foi com esse foco que o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR Paraná) apresentou, durante a 25ª Agroleite de 5 a 8 de agosto em Castro no Paraná, suas cultivares de plantas forrageiras, combinando novidades e variedades já consolidadas no campo.
À frente da apresentação, a pesquisadora em melhoramento de plantas Josiane Aliança conduziu produtores e visitantes por um tour técnico, detalhando características, diferenciais e avanços obtidos pelo IDR Paraná na pesquisa de novas cultivares.
“Uma boa forrageira é a base da nutrição animal, que é o pilar de qualquer produção. Quando pensamos em gado de leite, por exemplo, devemos considerar genética, nutrição e manejo. Isso vale também para ovinos, caprinos, suínos e até produção de ovos”, afirmou Josiane.
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Segundo ela, a escolha correta da cultivar, adaptada à região e ao calendário de plantio, reflete diretamente na produtividade do pasto e, consequentemente, no desempenho dos animais.
O espaço do IDR Paraná no evento destacou não apenas lançamentos, mas também variedades tradicionais que se tornaram referência entre produtores dos Campos Gerais.
Um exemplo é a IAPAR 61, uma cultivar de aveia-preta forrageira com ciclo longo, alta tolerância às principais doenças e produtividade acima da média. Mesmo após mais de 30 anos no mercado, continua sendo campeã nos ensaios da Comissão Brasileira de Pesquisa de Aveia.
“Nosso objetivo é desenvolver uma cultivar que supere a IAPAR 61 em produção de massa seca e produtividade de sementes, sempre garantindo que sejam certificadas para evitar problemas com venda ilegal”, explicou a pesquisadora.
A cor creme das sementes, segundo Josiane, pode confundir produtores, que às vezes esperam a casca preta típica da aveia-preta. Essa atenção ao detalhe é parte do trabalho do IDR Paraná para orientar o uso correto.
Outra estrela do portfólio é a IPR Esmeralda, de aveia-branca, conhecida pelo alto teor de proteína obtido na silagem pré-secada. De ciclo curto, ela permite cortes no ponto ideal, otimizando o fornecimento de alimento ao gado.
“Infelizmente, toda cultivar tem seu prazo de validade. No caso da Esmeralda, novas doenças foliares exigem que busquemos substitutas à altura”, destacou Josiane.
Entre as novidades, a IPR Ametista desponta como candidata promissora. Em fase de registro, apresenta características semelhantes à Esmeralda, com alta produtividade tanto para forragem quanto para cobertura de solo.
Outra aposta é a futura IPR Ônix, que está passando pelo Teste de Valor de Cultivo e Uso (VCU). Ela surge como alternativa à tradicional IAPAR 61, oferecendo mais sementes e matéria seca em um ciclo ligeiramente mais curto – uma demanda frequente dos produtores locais.
“O grande desafio é unir produtividade e adaptabilidade, sempre atendendo ao que o produtor precisa para manejar bem suas áreas”, completou Josiane.
O trabalho do IDR Paraná vai além do desenvolvimento genético. A instituição também busca responder às demandas do campo com agilidade, mantendo diálogo constante com produtores e realizando testes de desempenho em diferentes condições climáticas e de solo.
A pesquisadora ressalta que manejo adequado é tão importante quanto a escolha da cultivar. “Não basta ter uma semente de alto potencial. É preciso respeitar a época de plantio, fazer adubação correta e garantir o manejo que preserve a produtividade ao longo do ciclo”, disse.
A presença do IDR Paraná no evento reafirma a importância da pesquisa aplicada para manter a competitividade e a sustentabilidade da pecuária, especialmente na região dos Campos Gerais.
Com variedades consolidadas e lançamentos estratégicos, o instituto mostra que inovação e tradição podem caminhar juntas, beneficiando toda a cadeia produtiva.