A Cooperativa Frísia, a mais antiga do Paraná e a segunda mais antiga do Brasil, comemorou na sexta-feira, 1º de agosto seu centenário com a inauguração do memorial “Cooperativismo: um século de história no Paraná”. Localizado na Vila Histórica, no Parque Histórico de Carambeí, o espaço foi criado para preservar e compartilhar com as futuras gerações a memória de uma trajetória marcada por trabalho coletivo, superação e desenvolvimento sustentável.
A inauguração do memorial fez parte das festividades dos 100 anos da Frísia e contou com a presença de lideranças do cooperativismo, representantes de entidades do setor, autoridades políticas e membros da comunidade. Para Geraldo Slob, presidente da Frísia, o centenário simboliza mais que uma data histórica: é um marco de legado e de continuidade.
"É até difícil mensurar o que são 100 anos. Quantas gerações passaram por aqui, iniciando no coletivo, unindo-se porque descobriram que juntos chegariam mais longe. Fico feliz que a Frísia tenha sido e continue sendo um exemplo de cooperação, de trabalho conjunto pelo bem comum", disse.
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Slob destacou a resiliência como fator determinante para a longevidade da cooperativa, especialmente em tempos de crise. "A palavra que mais traduz essa passagem por bons e maus momentos é resiliência. E essa resiliência se conquista com união. Quando uma atividade está em dificuldade, as outras sustentam. Isso é o que fortalece uma cooperativa", afirmou.
Segundo o presidente, a sucessão familiar e corporativa tem sido uma preocupação constante da Frísia, como forma de garantir a perenidade da missão cooperativista.
"Cooperativa também tem o propósito de formar líderes. É sucessão familiar no campo, mas também sucessão nos quadros administrativos. Esse memorial é um presente à sociedade, um espaço com alma, que mostra ao jovem o que é ser coletivo, o que é ser cooperativista", concluiu Slob.
O evento também teve a presença de Luiz Henrique de Geus, diretor da Frísia, que reforçou o papel da cooperativa em construir um futuro sólido para as novas gerações. "A Frísia chegou até aqui porque os cooperados foram resilientes. Passaram por muitas dificuldades, mas também tiveram conquistas. Hoje colhemos os frutos dessas sementes e esperamos continuar por mais 100 anos", declarou.
O diretor destacou programas internos de sucessão familiar, que preparam os filhos dos cooperados para assumir as atividades nas propriedades e manter viva a cultura cooperativista.
"Trabalhamos diretamente nas famílias, preparando os herdeiros para assumirem suas responsabilidades no momento certo. Isso perpetua o nosso modelo de organização", disse.
A importância do memorial e da data para o Parque Histórico de Carambeí foi destacada por Dick Carlos de Geus, presidente da associação que administra o local.
"Essa casa dedicada ao cooperativismo é extremamente importante, principalmente para os paranaenses conhecerem o valor desse modelo. A Frísia é exemplo de garra, fé e resiliência. Hoje o Paraná é referência em cooperativismo graças a um trabalho consistente", afirmou.
Com vasta experiência no setor e ex-presidente da Frísia e da Ocepar, Dick expressou preocupação com a formação das novas gerações.
"Os jovens não vivenciaram as dificuldades que enfrentamos. É preciso ensiná-los, mostrar a importância de ser fiel à cooperativa. A união é fundamental, principalmente para pequenos e médios produtores. Sozinhos, terão muitas dificuldades", alertou.
Representando o sistema cooperativista paranaense, Robson Mafioletti, superintendente da OCEPAR, celebrou a simbologia do evento em um ano especial.
"É uma alegria enorme comemorar os 100 anos da Frísia, justamente no ano internacional das cooperativas, reconhecido pela ONU. A Frísia está estruturada, com futuro brilhante, e o memorial é um marco que ajudará a levar essa história para toda a sociedade", declarou.
Mafioletti ressaltou o papel econômico das cooperativas nos municípios do estado.
"Mais de 130 dos 399 municípios do Paraná têm cooperativas como principais empregadoras. Em muitos deles, até 90% da arrecadação vem da indústria cooperativista. É um sistema fundamental para o desenvolvimento do estado, que hoje é a quarta economia do Brasil", afirmou.
Para Elisangela Pedroso de Oliveira Nunes, prefeita de Carambeí, o centenário da Frísia é um orgulho não só para a cooperativa, mas para toda a população local. "Comemorar os 100 anos da Frísia é comemorar uma história de suor, união e trabalho. A Frísia é uma peça essencial para a economia e o desenvolvimento de Carambeí. Temos uma parceria forte, baseada em diálogo e respeito", afirmou a prefeita.
A construção do memorial foi viabilizada por meio de parceria entre a Frísia, OCEPAR e o Parque Histórico de Carambeí. O espaço reúne imagens, objetos, documentos e painéis interativos que narram a evolução do cooperativismo desde os primeiros imigrantes holandeses que se instalaram na região até os dias atuais.
O memorial visa ser uma ferramenta educativa, servindo de apoio para escolas e visitantes de todas as idades. Com uma linguagem acessível e interativa, o objetivo é inspirar novos líderes cooperativistas e reforçar os valores de solidariedade, democracia e coletividade.
Ao final da cerimônia, autoridades e cooperados participaram de um tour guiado pela nova casa do memorial, que já está aberta para visitação. A Frísia encerra seu centenário reafirmando seu compromisso com o futuro e com o fortalecimento do cooperativismo no Brasil.