Em evento realizado no dia 11 de julho, no Salão Padre Evaldo Fidelix do Santuário Nossa Senhora das Brotas, em Piraí do Sul (PR), a Agência do Sicredi local apresentou oficialmente o Plano Safra 2025/2026, destacando o volume recorde de R$ 68 bilhões em crédito para produtores rurais de todo o Brasil.
O valor representa um crescimento de 10% em relação ao ciclo anterior e reforça o papel da instituição como a maior operadora privada de crédito rural do país.
Durante o encontro, que reuniu cooperados, representantes do agronegócio regional, lideranças sindicais e empresas integradoras, o Sicredi reafirmou seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, a valorização da produção local e o atendimento próximo e individualizado aos produtores.
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O gerente da agência do Sicredi de Piraí do Sul, Eduardo Hening, abriu o evento destacando que os R$ 68 bilhões já estão à disposição dos produtores. “Este ano, o Sicredi vai operar R$ 68 bilhões em crédito rural. A orientação é simples e clara: estar perto do produtor e garantir que o recurso chegue da melhor forma possível a cada propriedade”, afirmou.
Segundo Hening, esse valor não é apenas expressivo em números, mas representa um esforço consciente da cooperativa em trabalhar o crédito como instrumento de sustentabilidade de longo prazo. “Quando falamos em sustentabilidade, é pensar a propriedade rural com visão de futuro. Nosso papel é ajudar o produtor a tomar decisões seguras. Por isso, incentivamos que venham conversar conosco o quanto antes, para garantir acesso às taxas mais equalizadas”, reforçou.
A fala de Eduardo trouxe à tona um dos pilares da atuação do Sicredi no agro: o relacionamento personalizado. “Fazemos visitas frequentes às granjas, às lavouras. O olhar é individual. Cada produtor tem uma realidade, e nosso crédito precisa estar alinhado com isso. Não é apenas sobre liberar dinheiro, é sobre fazer o simples bem-feito”, completou.
Geltrude Tobias, gerente de agro da mesma agência, reforçou a importância da antecipação na contratação dos créditos, ponto fundamental para o sucesso da safra. “Quem chega antes, tem acesso ao recurso de governo com taxas menores. Se deixar para o fim do ciclo, pode acabar caindo em linhas mais caras, como a CPR com juros de mercado. Nosso objetivo é evitar isso.”
Geltrude explicou que o Sicredi atua com todas as linhas do crédito rural — do Pronaf (voltado à agricultura familiar) ao Pronamp (para produtores de médio porte), além das modalidades de investimento e custeio para grandes propriedades. Mas fez um alerta. “O produtor precisa ter a documentação da Área beneficiada em dia: ITR, CCIR, CAR, projeto técnico. Isso acelera o processo de liberação. Estamos prontos, mas a formalidade do crédito rural exige esse preparo”, afirmou.
Para ela, o diferencial da cooperativa está no diálogo constante com o produtor. “Buscamos entender a realidade de cada um. O crédito que funciona é o que respeita a capacidade de pagamento. Estamos aqui para construir isso juntos. O Sicredi é, de fato, alguém com quem contar”, resumiu.
Para o presidente do Sindicato Rural de Piraí do Sul e também conselheiro do Sicredi, Fernando Tonon, o evento foi essencial para clarear os números e as regras do novo ciclo. No entanto, ele trouxe à mesa uma análise crítica sobre o atual cenário. “Esperávamos mais. O juro subiu, e o volume de recursos ficou abaixo do necessário, principalmente para os médios e grandes produtores. A situação climática e internacional já é difícil — e agora temos que lidar com crédito mais caro também.”
Tonon explicou que, apesar do crédito ser rotulado como “subsidiado”, isso nem sempre se traduz em alívio real no bolso. “O produtor pega o crédito e paga — com juros. Hoje, um médio produtor está enfrentando taxas de até 10% ao ano, e os grandes chegam a 14% ou mais. Isso compromete o planejamento e até a decisão sobre o que plantar.”
Segundo ele, há um descompasso entre o discurso e a realidade prática. “O subsídio prometido não chegou na ponta. O pequeno até recebe alguma atenção pelo Pronaf, mas quem sustenta boa parte da produção está sofrendo. É preciso rever essa política.”
Apesar das críticas, Tonon valorizou a parceria entre cooperativa, sindicato e empresas integradoras, destacando o papel da união regional. “A Scheller Agro está conosco, o Santuário nos recebeu, o Sicredi mobilizou tudo. Isso mostra força. É fundamental que os produtores participem, entendam como funciona o crédito, e exijam melhores condições.”
Representando o setor de suinocultura, o gerente de produção da Schoeler Agro, Erivelton Luis Schinermann, revelou que a empresa já começou a prospectar novos produtores para projetos de integração, aproveitando as condições do Plano Safra. “Estamos buscando produtores que queiram ampliar suas granjas ou iniciar no sistema de integração. O plano viabiliza isso com recursos que fazem a diferença.”
Segundo Erivelton, a integração é uma solução inteligente, principalmente para pequenas propriedades. “A granja integrada traz estabilidade financeira para o produtor. Ele trabalha com a família, gera renda local, cria empregos. É uma cadeia que movimenta a economia da região.”
A expectativa da Schoeler é ampliar sua rede de integrados nos próximos meses. O Sicredi, nesse cenário, entra como peça-chave na capitalização dos produtores. “A parceria entre empresa e cooperativa é essencial. É isso que vai viabilizar o crescimento da nossa produção e garantir que a região continue gerando valor para o Brasil.”
Por fim, o conselheiro do Sicredi e empresário local, Fernando José Fuganti Casarin, destacou a importância da cultura cooperativista como fator de fortalecimento da economia regional. “O crédito rural nasce da poupança das pessoas. Quando aplicamos aqui, o dinheiro gira aqui. Isso vale para o campo, a indústria, o comércio. A lógica é simples: o produtor precisa de crédito; a comunidade, de crescimento.”
Fernando lembrou que a agência de Piraí do Sul foi destaque na campanha “Poupança Premiada Sicredi”, com quatro ganhadores locais, e usou isso como exemplo para mostrar como a cooperativa valoriza o que é da terra. “É um orgulho. Nosso povo participa, investe e colhe os frutos. Isso mostra que o Sicredi não é apenas um banco. É uma instituição feita de pessoas, para pessoas.”
Do total de R$ 68 bilhões previstos, a divisão dos recursos será:
R$ 24,3 bilhões para custeio da produção
R$ 12,5 bilhões para investimentos
R$ 1,7 bilhão para comercialização e industrialização
R$ 24,6 bilhões por meio de Cédulas de Produto Rural (CPR)
A agricultura familiar, via Pronaf, terá R$ 13,5 bilhões (11% a mais que o ano anterior). Já o Pronamp destinará R$ 16,7 bilhões aos médios produtores (crescimento de 21%). Para os demais produtores, serão R$ 13,2 bilhões, dos quais R$ 4,9 bilhões estarão disponíveis em linhas dolarizadas, voltadas à exportação.
O lançamento do Plano Safra em Piraí do Sul mostrou mais do que números: apresentou vozes, preocupações e esperanças de quem vive o agro no dia a dia. Mais do que oferecer crédito, o Sicredi se posiciona como parceiro estratégico, fomentando o desenvolvimento com responsabilidade, proximidade e visão de futuro.