Agricultura SORGO BRASILEIRO
Brasil mira exportação de sorgo para a China com foco em crescimento até 2030
Durante missão oficial na China, a Abramilho reforçou o potencial do sorgo brasileiro como alternativa estratégica para exportação, destacando a versatilidade do grão e a necessidade de avanços em infraestrutura para atender à crescente demanda chinesa.
14/07/2025 18h06
Por: Redação
Paulo Bertolini, presidente da Abramilho, representa o Brasil em missão na China para expandir o mercado internacional do sorgo. Fotos divulgação

A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), representada pelo presidente Paulo Bertolini, participou, entre os dias 9 e 11 de julho, de uma missão oficial em Guilin, na China, a convite da Aprosoja-MT. Durante o encontro, foram realizadas reuniões com autoridades governamentais e representantes da iniciativa privada, além da participação na 16ª Conferência Internacional de Cereais e Óleos da China, onde o sorgo brasileiro foi o centro das atenções.

O objetivo principal da missão foi abrir caminhos para ampliar a exportação de sorgo brasileiro ao mercado chinês, um dos maiores importadores mundiais do grão. Segundo Bertolini, o Brasil busca atingir a marca de 10 milhões de toneladas de sorgo até 2030, mas enfrenta desafios estruturais.

“O Brasil precisa investir em infraestrutura, como armazenagem e adequação de portos. Hoje, grande parte da exportação é feita por container, o que limita nosso potencial. Precisamos melhorar isso para ampliar nossa presença no mercado global de sorgo”, explicou.

O presidente da Abramilho também ressaltou as características do sorgo como uma cultura adaptável e estratégica para a agricultura brasileira. “Com o sorgo, podemos otimizar a produção agrícola em regiões onde o milho safrinha não é viável. Ele é versátil e resistente, ideal para enfrentar os desafios climáticos e aumentar a rentabilidade do produtor”, destacou Bertolini.

Além da alimentação animal, o sorgo tem usos variados, como o consumo humano em países da Ásia e da África, a produção de bebidas alcoólicas como o baijiu, e também como matéria-prima para o etanol, um biocombustível sustentável. “Atualmente, no Brasil, duas usinas já produzem etanol exclusivamente a partir do sorgo, o que mostra o avanço desse setor”, afirmou.

“Com o DDG, um coproduto dessa produção, também atendemos o mercado de nutrição animal, e agora temos a oportunidade de exportar para a China, que abriu esse mercado em maio de 2025.”

A delegação chinesa demonstrou interesse em visitar o Brasil em agosto para conhecer de perto os campos de cultivo e a infraestrutura voltada à produção do grão. A missão pode consolidar o Brasil como um fornecedor confiável de sorgo para o país asiático, que hoje importa majoritariamente dos Estados Unidos.

A Abramilho atua em parceria com a Aprosoja, a Anec e a Abiove, reforçando o papel estratégico do agronegócio brasileiro no fornecimento global de alimentos. Juntas, essas entidades destacam a qualidade, sustentabilidade e competitividade da produção nacional de sorgo, milho e soja.