No último domingo, 6 de julho de 2025, o município de Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná, foi palco de uma das mais significativas manifestações culturais da região: o 6º Encontro Tropeiro, promovido pelo Grupo Tropeiros Nativos de Piraí do Sul com apoio da Prefeitura Municipal. A cavalgada, que contou com a presença de cerca de mil cavaleiros, percorreu as principais ruas da cidade, revivendo o caminho das tropas até o Santuário de Nossa Senhora das Brotas, padroeira da Rota dos Tropeiros.
O evento também marcou o encerramento da 3ª Romaria Tropeira da Rota do Rosário, com intensa programação e grande envolvimento da comunidade.
O trajeto começou na Antiga Estação Ferroviária de Piraí do Sul, com o tradicional Café Tropeiro, e seguiu pelas ruas históricas do centro, em especial a Rua XV de Novembro. Nela, ainda permanecem vestígios físicos do passado tropeiro: argolas cravadas no meio-fio que serviam para amarrar os cavalos enquanto seus donos faziam compras ou descansavam. A cavalgada seguiu até o Santuário de Nossa Senhora das Brotas, onde foi celebrada uma missa especial, encerrando o ciclo da romaria.
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À frente dessa tradição está João Carlos da Silva, o Carlinhos Tropeiro, fundador do Grupo Tropeiros Nativos de Piraí do Sul. Visivelmente emocionado, ele destacou a importância da continuidade desse legado, agora nas mãos de seu filho.
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“A gente fundou o grupo em 2003 e veio crescendo, graças a Deus, dia a dia. Hoje fico muito honrado porque passei para o meu filho a continuação. É um evento livre, sem fins lucrativos, que reúne o povo da nossa cidade e de toda a região dos Campos Gerais. Hoje temos cerca de mil cavaleiros aqui”, afirmou Carlinhos.
Em sua fala, Carlinhos reforçou o elo entre fé, história familiar e cultura tropeira. “Meu pai trabalhava na Remonta. Antigamente, o transporte era feito com carroça e cavalo. Representar essa história hoje é um orgulho. E fico mais feliz ainda em ver meu filho Joãozinho continuar essa tradição.”
João Carlos da Silva Filho, o Joãozinho Tropeiro, atual coordenador do evento, ressaltou a importância da fé como base de toda a celebração. “Estamos na sexta edição do Encontro Tropeiro. É gratificante ver tantas famílias participando. O carro de boi, por exemplo, é um símbolo que muitos jovens nunca viram. Ele resgata a cultura do transporte e do esforço do passado. A gente traz para mostrar como tudo começou.”
Joãozinho também falou sobre a parceria com o Santuário e o encerramento da Romaria Tropeira.
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“Hoje, encerramos a Romaria com as imagens de São João Batista e Nossa Senhora das Brotas, que percorreram a Rota do Rosário. É uma emoção grande, porque esse é também o Dia Municipal do Tropeiro. Já estamos pensando na festa de 2026.”
O prefeito de Piraí do Sul, Henrique Carneiro, reafirmou o papel do poder público no apoio e valorização das tradições locais que ajudaram na formação da comunidade de hoje.
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“Piraí do Sul está na Rota dos Tropeiros. Apoiar esse evento é manter viva a nossa memória. As crianças e os jovens precisam conhecer essa história. Desde o café tropeiro até a cavalgada e o almoço em prol do ECC, tudo reforça a identidade cultural da nossa cidade.”
Henrique também relembrou outras ações culturais promovidas pela prefeitura, como a "Experiência Tropeira" realizada anteriormente em parceria com a Adetur e Governo do Estado. “Precisamos manter essas tradições vivas. A cultura tropeira é um patrimônio que forma a base da nossa identidade e precisa ser sempre incentivada.”
Para o vice-prefeito Wagner Zadra, o Encontro Tropeiro transcende o aspecto cultural e atinge a essência da formação regional. “Esse evento mostra o que é a história de Piraí e das cidades da região. O tropeirismo foi essencial para a formação econômica e social do nosso território. Em outubro, teremos o 4º Rodeio em Piratuba Sul, e aproveito para convidar todos para prestigiar mais esse evento cultural.”, convida
Um dos momentos mais marcantes do encontro foi o encerramento da 3ª Romaria Tropeira da Rota do Rosário, coordenada por Vinicius Nadal de Masi, presidente do Clube Tropeiros Alma Sem Fronteira.
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“A romaria começou em 12 de janeiro e percorreu mais de 700 km, passando por 22 municípios e 16 santuários. Cada cidade tem sua comitiva. É um trabalho conjunto que envolve fé, organização e amor à cultura.”
Vinicius compartilhou momentos emocionantes vividos durante a romaria. “Ontem, saímos de Jaguariaíva e passamos por locais históricos como a Serra do Mascate. Cada ponto tem sua fé e história. Encontramos uma capela com mina d’água dedicada a São João e Maria. Isso mostra que o tropeiro é, antes de tudo, um homem de fé.”
Além do aspecto espiritual, Vinicius destacou a importância econômica das cavalgadas.
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“A equinocultura movimenta mais de R$ 30 milhões por ano. Gera empregos, fomenta comércio e serviços locais. Tudo isso gira em torno da cultura tropeira. Setenta por cento dessa movimentação vem das cavalgadas.”
O 6º Encontro Tropeiro de Piraí do Sul, foi um reencontro com as raízes, um ato de fé e uma afirmação da identidade local. Entre o som dos cascos, as imagens sagradas e o aroma do café tropeiro, cavaleiros e visitantes testemunharam o quanto essa tradição segue viva, pulsante e essencial.
Com os olhos já voltados para 2026, os organizadores saem com a missão de manter viva a chama da cultura tropeira. Como bem disse Joãozinho Tropeiro, “é uma cavalgada de respeito, feita com fé e por amor à história”.