O Brasil sediará, entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro, um dos mais importantes encontros do setor de sementes da América, em Foz do Iguaçu (PR). O evento, organizado pela Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), reunirá produtores rurais, especialistas, pesquisadores e reguladores para discutir os avanços tecnológicos e os desafios da legislação no setor.
Ronaldo Troncha, presidente executivo da Abrasem, explica que a iniciativa reforça o protagonismo do Brasil na pesquisa, produção e certificação de sementes de alta qualidade. Segundo ele, o investimento contínuo em inovação genética tem proporcionado ganhos expressivos de produtividade no campo, tornando o país uma referência global. “Hoje, as sementes têm tanta tecnologia quanto um chip, porque precisamos de tecnologias para termos bons trabalhos no campo”, afirma Troncha.
Com sede em Brasília e atuação nacional, a Abrasem representa empresas e instituições ligadas à produção e comercialização de sementes e mudas. A entidade também é filiada às duas maiores organizações internacionais do setor: a International Seed Federation (ISF) e a Seed Association of the Americas (SAA). Essa inserção global fortalece a articulação entre o Brasil e os principais mercados agrícolas do mundo.
“A associação visa justamente trabalhar a legislação em prol do melhoramento de sementes. A Lei de Proteção de Cultivares, a Lei de Sementes e até a Lei de Patentes são observadas de perto por nós. Procuramos aprimorar a legislação por meio de portarias do Ministério da Agricultura e alinhamento com diretrizes internacionais”, completa Troncha.
O evento internacional em Foz do Iguaçu será uma oportunidade estratégica para reunir toda a cadeia produtiva de sementes. A programação inclui painéis técnicos, workshops e rodadas de negócios, além da presença de representantes da CTNBio, universidades, reguladores das Américas e cooperativas agrícolas locais. “Desde já convidamos os paranaenses, em especial os representantes das cooperativas da região de Castro, para participarem desse momento de inovação tecnológica, com destaque para o melhoramento genético das sementes e o avanço da agricultura brasileira”, convida Troncha.
Entre os principais destaques do setor, o presidente da Abrasem enfatiza o aumento significativo da qualidade das sementes ofertadas ao mercado. “Hoje já existem associações que não liberam sementes com vigor inferior a 90%”, ressalta. Ele cita como exemplo a Associação dos Produtores de Sementes do Mato Grosso (Aprosmat), que recentemente obteve o selo internacional WISTA de qualidade em análise e tratamento de sementes.
Esse avanço se deve, em parte, ao trabalho de mais de 14 laboratórios especializados que integram a Abrasem. “Estamos entregando sementes cada vez mais certificadas e produtivas aos agricultores, o que resulta em melhores colheitas e ganhos para toda a cadeia”, reforça Troncha.
Um dos frutos desse investimento em inovação foi a safra recorde de 2024/2025, que ultrapassou 330 milhões de toneladas de grãos. Para Troncha, esse resultado reflete o comprometimento dos obtentores e o alto padrão das sementes utilizadas no país.
Ele destacou uma nova tecnologias como o Short Corn, uma variedade de milho de menor estatura e alta produtividade, resistente ao acamamento — o tombamento das plantas causado por intempéries como ventanias e chuvas intensas. “Essa variedade traz excelente produtividade e é mais adaptada às mudanças climáticas”, explica Troncha.
Ele também ressalta o papel crescente do milho no mercado de etanol, com 59 projetos de novas plantas industriais previstas até 2027, muitas delas associadas a outras culturas. “O objetivo é não só produzir etanol para o mercado interno e externo, mas também gerar subprodutos como o DDG, que é fundamental para a produção de proteína animal”, destaca. Segundo ele, o crescimento da indústria do etanol de milho contribui diretamente para a geração de empregos, aumento das exportações e arrecadação de impostos, promovendo o desenvolvimento regional.
Para que esse progresso continue, Troncha reforça a importância de políticas públicas de apoio ao setor. “Precisamos de melhores sinalizações do governo quanto a recursos para o Plano Safra e de uma redução no prêmio do seguro rural. Assim, o produtor terá mais segurança para investir e colher os melhores resultados possíveis”, conclui.
A expectativa é que o congresso em Foz do Iguaçu marque um novo capítulo para a agricultura brasileira, consolidando o país como um dos líderes mundiais em inovação, produtividade e sustentabilidade agrícola.