Um foco do vírus da gripe aviária H5N1 foi confirmado no Rio Grande do Sul na última quinta-feira (16), acendendo o alerta entre autoridades sanitárias e representantes do setor agropecuário. Em resposta imediata, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) realizou nesta terça-feira (20) uma reunião para discutir os desdobramentos da situação e as medidas já adotadas para conter o avanço da doença. O encontro contou com a presença do diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Marcelo Osório, além do presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), que destacou a eficácia do sistema de defesa agropecuária brasileiro e reforçou a confiança na vigilância sanitária.
A reunião reforçou o posicionamento do Brasil como referência mundial no controle de doenças agropecuárias. O deputado Pedro Lupion sublinhou a importância do setor avícola para o país, especialmente para o Paraná, maior exportador de carne de frango do Brasil, e frisou que o momento exige atenção redobrada e ação coordenada.
“Ontem tivemos reuniões importantes no estado do Paraná com as cooperativas, principalmente as que são os maiores produtores do estado. Vamos lembrar que 40% da carne de frango consumida vendida pelo Brasil sai do Paraná, ou seja, a gente tem uma responsabilidade enorme nesse sentido, mas a preocupação é gigantesca”, afirmou Lupion.
Lupion destacou o papel da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), elogiando sua atuação rápida e eficaz, o que, segundo ele, tem sido crucial para a manutenção da confiança dos mercados internacionais. “Tem uma confiança enorme na ADAPAR, que é a agência de defesa agropecuária do estado. Tem um trabalho que é exemplo para muitos estados e muitos países, tanto que o Paraná conseguiu abrir tantos mercados e tem o protagonismo tão forte frente ao mercado mundial em relação à carne de frango”, afirmou.
Apesar do alerta causado pelo foco isolado, o parlamentar relembrou que o Brasil se manteve por dois anos sem registro de H5N1, mesmo enquanto países concorrentes enfrentavam surtos recorrentes. “Há dois anos atrás nós tivemos um caso sério de influenza aviária no Uruguai. Nós apostávamos e torcíamos para que isso não acontecesse no Brasil. O nosso serviço de vigilância sanitária e de segurança agropecuária é tão bom que ficamos dois anos sem nenhum foco aqui”, relembrou.
O deputado ressaltou ainda a necessidade de avançar em projetos legislativos que garantam estrutura permanente para o enfrentamento de crises sanitárias, incluindo o fortalecimento de fundos públicos e privados, além do chamamento de novos fiscais agropecuários. “Tem um projeto antigo tramitando na CFT. Precisamos resolver como é que o fundo privado dos estados conversa com o fundo público nacional. Criar e operacionalizar esse fundo é questão de médio a longo prazo, mas agora a gente precisa trabalhar com o que temos. É preciso garantir o pagamento de horas extras e reforçar a regulamentação da lei do autocontrole”, destacou.
A rápida atuação para isolar a área afetada, realizar a desinfecção e notificar os organismos internacionais foi fundamental para evitar a propagação do vírus e assegurar a confiança dos compradores estrangeiros. “Na quinta-feira à noite foi atestado o primeiro foco. Já estamos com a desinfecção e com o isolamento da área de todas as granjas da área de abrangência desse impacto inicial. Ou seja, o serviço funciona muito bem e é muito célere, muito rápido”, concluiu Lupion.
A FPA seguirá acompanhando de perto a evolução do caso e defende que o momento seja aproveitado para acelerar políticas estruturantes, como o fortalecimento da fiscalização em fronteiras secas e o investimento em inteligência sanitária.
A reunião também contou com representantes do Ministério da Agricultura e da defesa agropecuária estadual, reforçando a necessidade de cooperação institucional para lidar com ameaças à sanidade animal, que impactam diretamente a economia e a segurança alimentar.