Na manhã de quarta-feira (26) de março de 2025, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater (IDR-Paraná) lançou oficialmente uma cultivar de feijão preto IPR Tapicuru, em um evento realizado no Polo de Pesquisa e Inovação de Ponta Grossa. A cerimônia contou com a presença de autoridades do setor agrícola, pesquisadores, produtores, sementeiros e representantes do mercado de feijão , reforçando a importância da inovação para a agricultura paranaense e brasileira.
O novo feijão se destaca pelo alto potencial produtivo – superior a 4,5 toneladas por hectare – e resistência Moderada às principais doenças da cultura , como antracnose, mancha angular e crestamento bacteriano comum. Além disso, possui tolerância ao ácaro branco , um dos grandes desafios para os produtores. A arquitetura ereta e a altura das vagens (25 cm do solo) facilitam a colheita mecanizada, reduzindo perdas e tornando a produção mais eficiente.
Outro diferencial da cultivar é a sua qualidade culinária superior . O IPR Tapicuru cozinha em cerca de 21 minutos , tem grãos macios e um caldo espesso de coloração achocolatada, características muito valorizadas pelos consumidores.
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A pesquisadora Vânia Moda Cirino, diretora de pesquisas do IDR-Paraná e especialista em melhoramento genético vegetal , explicou que uma nova cultivar foi desenvolvida com o objetivo de garantir maior rentabilidade aos produtores e agregar valor ao feijão preto no mercado.
"Nosso foco é oferecer variedades que tragam estabilidade na produção, resistência às doenças e excelente qualidade comercial. O IPR Tapicuru apresenta alto rendimento, chegando a 4.560 kg por hectare, além de ser menos dependente de insumos, o que favorece a sustentabilidade da produção" , destacou Cirino.
Os experimentos de campo comprovaram a resistência da cultivar mesmo em condições climáticas adversas . O técnico Carlos Frederico de Oliveira , do IDR-Paraná, que acompanha pesquisas na área há 36 anos, relatou o desempenho da cultura em períodos de estiagem."Plantamos o IPR Tapicuru no dia 15 de janeiro, pegamos uma chuva forte logo depois e, depois disso, tivemos 22 dias sem ocorrência. Mesmo assim, o feijão se manteve saudável, mostrando um comportamento muito bom frente ao estresse hídrico" , contou Oliveira.
A robustez da cultivar também foi destacada pelo produtor Eduardo Gomes Medeiro , de Castro (PR), que reforça a importância de o Paraná continuar investindo no desenvolvimento de novas variedades.
"O IDR-Paraná tem um dos melhores trabalhos com feijão do país. Esse evento mostra por que o Paraná é considerado o 'supermercado do mundo'. O IPR Tapicuru vem para somar, com um excelente potencial produtivo e um tempo de cozimento ultrarrápido de 21 minutos" , comentou o produtor.
Produtores e pesquisadores observam uma nova cultivar IPR Tapicuru no campo experimental do IDR-Paraná em Ponta Grossa. Foto Toninho Anhaia
O feijão preto IPR Tapicuru já está sendo multiplicado para chegar ao mercado nos próximos anos. Segundo Airton Cittolin, sementeiro da Sementes Cittolin , uma cultivar que representa um avanço significativo em produtividade e resistência. "Trabalhar com sementes exige um manejo diferenciado. O IPR Tapicuru tem grande potencial e vamos multiplicá-lo com todo o rigor necessário para garantir a pureza genética e a sanidade das plantas" , explicou Cittolin.
A nova cultivar também foi bem recebida pelo setor de comercialização. O cerealista Laurival Pontarollo, do Feijão Pontarollo , destacou que o novo produto pode apresentar economia para a dona de casa. "O IPR Tapicuru tem uma aparência excelente, um caldo grosso e um tempo de cozimento reduzido. Isso significa mais valorização no mercado e uma economia real para o consumidor, que usa menos gás de cozinha" , enfatizou.
Já no setor financeiro, a nova cultivar representa uma oportunidade para investimentos na agricultura. O diretor de negócios do Sicredi Campos Gerais Grande Curitiba PR/SP, Reinaldo de Oliveira , reforçou o compromisso da cooperativa com os produtores. "O Sicredi sempre esteve ao lado do homem do campo, e conhecer novas cultivares como essa nos permite oferecer crédito rural de forma mais assertiva. Estamos prontos para apoiar os agricultores na adoção dessa tecnologia" , afirmou Oliveira.
O feijão se destaca pela alta produtividade, resistência a doenças. Foto Toninho Anhaia.
Além dos benefícios agronômicos, o IPR Tapicuru também se destaca na culinária . A cozinheira Joslaine Vieira , que participou da apresentação, aprovou a nova variedade e destacou sua textura e sabor.
"Esse feijão é maravilhoso! O caldo é bem grosso e o sabor é incrível. Ele cozinha rápido e fica muito gostoso. Para quem trabalha com cozinha, isso é essencial" , afirmou Joslaine, enquanto mostrava a textura do feijão preparado em dois modos: com bacon e na versão tradicional apenas com alho e sal.
O tempo médio de cozimento de 21 minutos é um grande diferencial, tornando o produto mais atraente para consumidores que buscam praticidade no preparo das refeições.
O IPR Tapicuru já está registrado para cultivo nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul . Estudos estão sendo realizados para expandir seu plantio para Goiás e Mato Grosso, garantindo que mais produtores tenham acesso a uma nova cultivar.
Segundo Vânia Moda Cirino , a primeira etapa do processo de disponibilização ao mercado já começou. "Já estamos anotando os pedidos e, até meados de abril, teremos sementes básicas para os produtores multiplicadores. A previsão é que os agricultores tenham acesso à cultivar já no início da safra de 2026" , afirmou o pesquisador.
Além da alta produtividade e resistência , o IPR Tapicuru também é uma excelente opção para o cultivo orgânico . Estudos realizados pelo IDR-Paraná demonstraram que variedade foi destacada ao longo de quatro safras consecutivas dentro desse sistema.
"O IPR Tapicuru é uma das cultivares mais indicadas para o sistema de produção orgânico. Nos experimentos realizados ao longo de dois anos, ela apresentou ótima adaptação e estabilidade, mantendo alto rendimento e qualidade mesmo sem o uso de defensivos químicos" , ressaltou Cirino.
Com alta produtividade, resistência, facilidade de colheita e qualidade culinária superior , uma nova cultivar promete fortalecer a cadeia produtiva do feijão preto no Brasil . O lançamento reforça o compromisso do IDR-Paraná com a pesquisa e a inovação no agronegócio, beneficiando pequenos e grandes produtores e trazendo vantagens também para os consumidores.