Agricultura PREÇOS
Clima e preços em queda preocupam produtor de soja; quebra na safra deve atingir 5%
Consultoria Agromove prevê chuvas mais regulares em janeiro e fevereiro e margens apertadas aos sojicultores; milho e boi apresentam melhora no próximo ano
20/12/2023 09h57
Por: Redação
O produtor rural enfrentou desafios em 2023 com condições climáticas adversas e quedas nos preços, impactando as margens de lucro e exigindo adaptações nas estratégias dentro da porteira. Nesse contexto, foi crucial um planejamento eficiente, gestão ágil

O produtor rural teve mais um ano desafiador em 2023. Além da questão climática, a queda dos preços apertou as margens de lucro e  interferiram nas estratégias dentro da porteira. As mudanças exigiram planejamento, gestão e visão de mercado.

No último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de grãos deve atingir pelo menos 312 milhões de toneladas na safra 23/24, volume 2,4% menor em relação ao ano passado. O fenômeno El Niño prejudicou as regiões produtoras, com destaque para o cultivo da soja.  

Com base em dados coletados em nível nacional e com produtores do país, pela consultoria Agromove, é possível notar que a preocupação está no carro-chefe da safra brasileira - A SOJA. A oferta elevada da oleaginosa vai deixar as margens mais apertadas ao produtor.  O levantamento mostra que os embarques elevados do grão estão contribuindo para o escoamento do produto, em função dos preços mais baixos serem atrativos para o mercado, algo que deve contribuir para melhorar o quadro da demanda. 

Outro fator importante é o clima: “Na semeadura notamos perdas na produtividade nas regiões muito chuvosas e no replantio, também haverá algumas desistências de replantio em diversas regiões. Norte, Centro-oeste e Nordeste com chuvas irregulares, e no Sul o excesso de precipitações prejudicou as lavouras. A previsão é de uma regularização das chuvas, e caso não ocorram novos eventos climáticos significativos, no pior cenário a quebra na safra de soja pode atingir 5%, explica Pessina.   

O MILHO é um exemplo do “vai e vem” do mercado. Apesar de um ano difícil, o produtor deve respirar mais aliviado em relação às margens. O levantamento feito pela Consultoria Agromove com agricultores em todo o país, sinaliza melhora das margens em várias regiões. No entanto, as tradings ainda estão ofertando diferenciais de base elevados entre as regiões, o que favorece as operações em bolsa.

“O milho da safra 23/24 teve uma alta significativa, o que vai gerar margens boas. Claro que o clima precisa cooperar neste sentido, para que não ocorra uma quebra significativa da produção”, avalia Alberto Pessina, CEO da Consultoria Agromove. 

Já em relação ao mercado do BOI, o cenário também é positivo. Após um ano turbulento, com queda no preço da arroba, excesso de oferta no mercado e incertezas no ambiente político e econômico dentro e fora do Brasil, a tendência é de melhora nas margens de lucro - a queda significativa dos custos de reposição em 2023 e um cenário de preços mais estáveis a frente deve trazer uma alívio e mais estabilidades nas margens de lucro.

Alberto Pessina Agromove

 

“É possível notar que alguns pecuaristas saíram de uma boiada de custo mais elevado, comprando bezerro mais barato em 2023, com expectativa de vender o gado num valor melhor em 2024. Isso gera uma margem de lucro melhor, se comparado ao ano passado, onde os custos elevados da reposição em 2022 pesaram na conta. A previsão, de forma geral, é de ESTABILIDADE nos preços em 2024, com suaves altas”, conceitua Pessina.