Floresta EXPORTAÇÃO MADEIRA
Queda nas exportações de produtos madeireiros preocupa setor no primeiro trimestre de 2023, afirma CEO da WoodFlow
As exportações de produtos madeireiros no Brasil tiveram uma queda de 7% no primeiro trimestre de 2023, segundo o CEO da WoodFlow, Gustavo Milazzo. Além disso, o valor em USD/m3 caiu quase 30%, o que inviabiliza a produção no país devido à diferença entre custos internos e preços praticados no exterior. Os dados são do portal ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento Indústria Comércio e Serviços (MDIC). A perspectiva é de um mercado com baixa demanda e preços ruins nos próximos meses, com a necessidade de medidas como crédito e incentivos à plantação de florestas e sistemas de manejo sustentáveis para melhorar a posição dos produtos madeireiros no mercado internacional.
06/05/2023 12h26
Por: Redação
Exportações de produtos madeireiros caem no primeiro trimestre de 2023, alerta CEO da WoodFlow sobre prejuízos ao setor e necessidade de medidas sustentáveis.

O CEO da WoodFlow, Gustavo Milazzo, afirmou que houve uma redução de 7% no volume de exportações de produtos madeireiros no primeiro trimestre de 2023, em comparação com o mesmo período de 2022. Os dados são do portal ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento Indústria Comércio e Serviços (MDIC). Além disso, o valor em USD/m3 caiu quase 30%, o que inviabiliza a produção no Brasil devido à diferença entre custos internos e preços praticados no exterior.

De acordo com Milazzo, a redução nos volumes exportados representa uma regularidade em relação aos volumes dos últimos anos e já era esperada. Os anos de 2020 e 2021 foram atípicos, com uma demanda que as fábricas no Brasil e no mundo não estavam preparadas para atender, o que elevou os preços em todos os aspectos.

Para os próximos meses, a perspectiva é de um mercado com baixa demanda e preços ruins, com uma posição de cautela no mercado entre a maioria dos fabricantes. Os principais desafios enfrentados pelo setor de exportação de produtos madeireiros brasileiro no mercado internacional são o equilíbrio entre custo e preço, enquanto os principais fatores que dificultam as negociações no exterior são o aumento dos custos produtivos.

Milazzo destaca que medidas como crédito e incentivos à plantação de florestas e sistemas de manejo sustentáveis são necessárias para melhorar a posição dos produtos madeireiros no mercado internacional. Além disso, o governo precisa começar a divulgar as coisas boas sobre as florestas e produtos madeireiros brasileiros, mostrando o trabalho sério, responsável e sustentável que os produtores realizam no país.

Medidas como crédito e incentivos à plantação de florestas e sistemas de manejo sustentáveis são necessárias para melhorar a posição dos produtos madeireiros no mercado internacional. 

 

Acompanhe a entrevista

 

MINUTO RURAL - Como você avalia o desempenho do setor de exportação de produtos madeireiros no primeiro trimestre de 2023 em comparação com o mesmo período em 2022?

MILAZZO - Segundo dados do do portal ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento Indústria Comércio e Serviços (MDIC), tivemos uma redução de 7% no volume exportado de produtos madeireiros no primeiro trimestre de 2023 comparando com o primeiro trimestre de 2022. O dado preocupante para o setor é que o valor em USD/m3 (dólares por metro cúbico) caiu praticamente 30%. Essa queda no preço da exportação inviabiliza a produção no Brasil da grande maioria dos produtos, pois os custos internos não caíram na mesma proporção. Estamos passando por um desequilíbrio entre os custos internos e os preços praticados fora do país. Enquanto essa diferença existir não vemos uma retomada significativa para as exportações brasileiras.

MINUTO RURAL - Qual é a principal razão para a redução de 7% nas exportações de produtos madeireiros no primeiro trimestre de 2023? 

MILAZZO - Os volumes exportados nos últimos anos superaram as médias históricas exportadas. Essa redução aponta para uma regularidade nos volumes exportados e já era esperado. A demanda durante a pandemia aumentou acima do normal e a queda no volume representa essa volta a um volume normal de exportação.

MINUTO RURAL - Como a pandemia de Covid-19 afetou o setor de exportação de produtos madeireiros nos últimos dois anos?

MILAZZO - Os anos de 2020 e 2021 foram extremamente atípicos. A pandemia criou uma demanda que as fábricas no Brasil, e no mundo, não estavam prontas para atender e com isso o ano foi um dos melhores da história em termos de demanda e preços. Evidentemente essa alta fora do comum, acabou por criar um mercado extremamente caro em todos os aspectos; logístico, matérias-primas, serviços e toda a cadeia sofreu com uma inflação dos preços devido à falta de praticamente tudo. 

Em 2022 esse mercado começou a se ajustar. A demanda caiu, estoques foram supridos e com inflação ainda alta no mundo todo, a reação do mercado é segurar novas compras até que toda a cadeia volte a um nível normal de oferta e demanda. Esse período de ajuste deve se estender até metade de 2023. Volumes e preços devem retornar a patamares muito próximos aos níveis pré-pandemia. Acredito que o setor florestal, principalmente de florestas plantadas, foi fortalecido durante esse período de alta. Muitos investimentos foram feitos em máquinas, processos e práticas que elevaram a qualidade de nosso material. Temos novos mercados para trabalhar e nos posicionamos de forma mais relevante no mercado internacional.

MINUTO RURAL - Quais são as perspectivas para o setor de exportação de produtos madeireiros nos próximos meses?

MILAZZO - A perspectiva ainda é de um mercado com baixa demanda e preços ruins para os próximos meses. Ainda estamos no momento de ajustes entre oferta e demanda. Esse período deve se prolongar por mais tempo devido a tantas incertezas no mundo. A posição de cautela no mercado é comum entre a maioria dos fabricantes. Novos investimentos já não estão ocorrendo. Volume de produção diminuiu. Busca por mais produtividade com menores custos também estão ocorrendo.

A diminuição da produção de modo geral, da comercialização e consequentemente das exportações é uma nova realidade que desafia todo o setor a se ajustar. 

MINUTO RURAL - Como o aumento dos custos produtivos afeta o setor de exportação de produtos madeireiros no Brasil? 

MILAZZO - Esse é o principal fator que dificulta as negociações no exterior. Os custos no Brasil para produção da maioria dos produtos tradicionalmente exportados, estão acima dos preços internacionais.

MINUTO RURAL - Quais são os principais desafios enfrentados pelo setor de exportação de produtos madeireiros brasileiro no mercado internacional? 

MILAZZO - O grande desafio é o equilíbrio entre custo e preço. Enquanto não acontecer um realinhamento dos custos de produção X preços internacionais não acontecerá a retomada regular dos negócios.

"O governo precisa começar a divulgar as coisas boas sobre nossas florestas e produtos madeireiros. Temos que parar de focar somente em coisas ruins que acontecem aqui e mostrar o trabalho sério, responsável e sustentável que os produtores realizam no Brasil.", afirma o CEO da WoodFlow, Gustavo Milazzo

 

MINUTO RURAL - Quais são as medidas que o governo brasileiro pode tomar para melhorar a posição dos produtos madeireiros no mercado internacional? 

MILAZZO - O governo precisa começar a divulgar as coisas boas sobre nossas florestas e produtos madeireiros. Temos que parar de focar somente em coisas ruins que acontecem aqui e mostrar o trabalho sério, responsável e sustentável que os produtores realizam no Brasil. Essa posição tem que ser imediata e a curto prazo. É algo que pode nos ajudar. 

Medidas a médio prazo envolvem crédito e incentivos à plantação de florestas e sistemas de manejo sustentáveis. Existem várias opções para financiar máquinas e plantação de lavouras mas poucas opções para produtores florestais. A longo prazo precisamos melhorar nossa infraestrutura, na verdade essa seria uma demanda imediata, mas sabemos que no Brasil isso é algo que sempre escutamos mas que pouco melhorou com o tempo.

MINUTO RURAL - Como a sustentabilidade é considerada no setor de exportação de produtos madeireiros no Brasil? 

MILAZZO - Extremamente essencial para nosso setor. Quem depende da floresta tem consciência que somente práticas sustentáveis podem garantir o futuro do setor. 

MINUTO RURAL - Como a WoodFlow está trabalhando para enfrentar os desafios do setor de exportação de produtos madeireiros no Brasil? 

MILAZZO - Temos trabalhado para impactar positivamente todos aqueles que acompanham e utilizam a plataforma Woodflow. Conseguimos divulgar, de forma clara e transparente, produtores nacionais de madeira para todo o mundo através de uma vitrine digital. A plataforma permite que o importador interessado em adquirir um produto brasileiro tenha acesso a vários fabricantes, seus respectivos produtos e estrutura. Divulgamos as fábricas através de um vídeo onde a equipe Woodflow, de forma independente, realiza visitas aos fabricantes mostrando sua estrutura e produtos.

Montamos uma página dedicada ao fornecedor onde detalhamos os produtos, certificados, qualidades e tudo aquilo que seja necessário para que o importador tenha confiança ao decidir comprar um produto nacional. Criamos também um tour virtual, permitindo que o importador, em qualquer parte do planeta, possa visitar a fábrica em poucos cliques, gerando assim mais transparência em toda a negociação. Nossos principais usuários são fornecedores brasileiros e importadores ao redor do mundo. De um lado o produtor tem uma grande vitrine a sua disposição e do outro temos importadores que conseguem pesquisar, filtrar e conhecer a fundo o possível fornecedor. Através da tecnologia a Woodflow consegue gerar transparência, facilidade na busca por novos parceiros, aumentar a confiança e rastreabilidade em um comércio que é de extrema importância para o Brasil.

MINUTO RURAL - Quais são as oportunidades para o setor de exportação de produtos madeireiros no Brasil?

MILAZZO - O setor madeireiro nunca esteve tão preparado para se engajar no desenvolvimento sustentável do setor. Os controles de origem da madeira nativa ou plantadas estão em vigor e se aperfeiçoando cada vez mais. A busca por aumento de produtividade por área plantada ou nativa com novas tecnologias também está evoluindo e o Brasil tem tudo para se consolidar como grande produtor de diferentes produtos de madeira para todo o mundo. Temos uma extensa variedade de produtos em nosso país e podemos atender às mais exigentes necessidades do mercado mundial. A Woodflow está focada na missão de levar os produtos brasileiros para os 4 cantos do mundo.