O CEO da WoodFlow, Gustavo Milazzo, afirmou que houve uma redução de 7% no volume de exportações de produtos madeireiros no primeiro trimestre de 2023, em comparação com o mesmo período de 2022. Os dados são do portal ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento Indústria Comércio e Serviços (MDIC). Além disso, o valor em USD/m3 caiu quase 30%, o que inviabiliza a produção no Brasil devido à diferença entre custos internos e preços praticados no exterior.
De acordo com Milazzo, a redução nos volumes exportados representa uma regularidade em relação aos volumes dos últimos anos e já era esperada. Os anos de 2020 e 2021 foram atípicos, com uma demanda que as fábricas no Brasil e no mundo não estavam preparadas para atender, o que elevou os preços em todos os aspectos.
Para os próximos meses, a perspectiva é de um mercado com baixa demanda e preços ruins, com uma posição de cautela no mercado entre a maioria dos fabricantes. Os principais desafios enfrentados pelo setor de exportação de produtos madeireiros brasileiro no mercado internacional são o equilíbrio entre custo e preço, enquanto os principais fatores que dificultam as negociações no exterior são o aumento dos custos produtivos.
Milazzo destaca que medidas como crédito e incentivos à plantação de florestas e sistemas de manejo sustentáveis são necessárias para melhorar a posição dos produtos madeireiros no mercado internacional. Além disso, o governo precisa começar a divulgar as coisas boas sobre as florestas e produtos madeireiros brasileiros, mostrando o trabalho sério, responsável e sustentável que os produtores realizam no país.
Medidas como crédito e incentivos à plantação de florestas e sistemas de manejo sustentáveis são necessárias para melhorar a posição dos produtos madeireiros no mercado internacional.
Acompanhe a entrevista
MINUTO RURAL - Como você avalia o desempenho do setor de exportação de produtos madeireiros no primeiro trimestre de 2023 em comparação com o mesmo período em 2022?
MILAZZO - Segundo dados do do portal ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento Indústria Comércio e Serviços (MDIC), tivemos uma redução de 7% no volume exportado de produtos madeireiros no primeiro trimestre de 2023 comparando com o primeiro trimestre de 2022. O dado preocupante para o setor é que o valor em USD/m3 (dólares por metro cúbico) caiu praticamente 30%. Essa queda no preço da exportação inviabiliza a produção no Brasil da grande maioria dos produtos, pois os custos internos não caíram na mesma proporção. Estamos passando por um desequilíbrio entre os custos internos e os preços praticados fora do país. Enquanto essa diferença existir não vemos uma retomada significativa para as exportações brasileiras.
MINUTO RURAL - Qual é a principal razão para a redução de 7% nas exportações de produtos madeireiros no primeiro trimestre de 2023?
MILAZZO - Os volumes exportados nos últimos anos superaram as médias históricas exportadas. Essa redução aponta para uma regularidade nos volumes exportados e já era esperado. A demanda durante a pandemia aumentou acima do normal e a queda no volume representa essa volta a um volume normal de exportação.
MINUTO RURAL - Como a pandemia de Covid-19 afetou o setor de exportação de produtos madeireiros nos últimos dois anos?
MILAZZO - Os anos de 2020 e 2021 foram extremamente atípicos. A pandemia criou uma demanda que as fábricas no Brasil, e no mundo, não estavam prontas para atender e com isso o ano foi um dos melhores da história em termos de demanda e preços. Evidentemente essa alta fora do comum, acabou por criar um mercado extremamente caro em todos os aspectos; logístico, matérias-primas, serviços e toda a cadeia sofreu com uma inflação dos preços devido à falta de praticamente tudo.
Em 2022 esse mercado começou a se ajustar. A demanda caiu, estoques foram supridos e com inflação ainda alta no mundo todo, a reação do mercado é segurar novas compras até que toda a cadeia volte a um nível normal de oferta e demanda. Esse período de ajuste deve se estender até metade de 2023. Volumes e preços devem retornar a patamares muito próximos aos níveis pré-pandemia. Acredito que o setor florestal, principalmente de florestas plantadas, foi fortalecido durante esse período de alta. Muitos investimentos foram feitos em máquinas, processos e práticas que elevaram a qualidade de nosso material. Temos novos mercados para trabalhar e nos posicionamos de forma mais relevante no mercado internacional.
MINUTO RURAL - Quais são as perspectivas para o setor de exportação de produtos madeireiros nos próximos meses?
MILAZZO - A perspectiva ainda é de um mercado com baixa demanda e preços ruins para os próximos meses. Ainda estamos no momento de ajustes entre oferta e demanda. Esse período deve se prolongar por mais tempo devido a tantas incertezas no mundo. A posição de cautela no mercado é comum entre a maioria dos fabricantes. Novos investimentos já não estão ocorrendo. Volume de produção diminuiu. Busca por mais produtividade com menores custos também estão ocorrendo.
A diminuição da produção de modo geral, da comercialização e consequentemente das exportações é uma nova realidade que desafia todo o setor a se ajustar.
MINUTO RURAL - Como o aumento dos custos produtivos afeta o setor de exportação de produtos madeireiros no Brasil?
MILAZZO - Esse é o principal fator que dificulta as negociações no exterior. Os custos no Brasil para produção da maioria dos produtos tradicionalmente exportados, estão acima dos preços internacionais.
MINUTO RURAL - Quais são os principais desafios enfrentados pelo setor de exportação de produtos madeireiros brasileiro no mercado internacional?
MILAZZO - O grande desafio é o equilíbrio entre custo e preço. Enquanto não acontecer um realinhamento dos custos de produção X preços internacionais não acontecerá a retomada regular dos negócios.
"O governo precisa começar a divulgar as coisas boas sobre nossas florestas e produtos madeireiros. Temos que parar de focar somente em coisas ruins que acontecem aqui e mostrar o trabalho sério, responsável e sustentável que os produtores realizam no Brasil.", afirma o CEO da WoodFlow, Gustavo Milazzo
MINUTO RURAL - Quais são as medidas que o governo brasileiro pode tomar para melhorar a posição dos produtos madeireiros no mercado internacional?
MILAZZO - O governo precisa começar a divulgar as coisas boas sobre nossas florestas e produtos madeireiros. Temos que parar de focar somente em coisas ruins que acontecem aqui e mostrar o trabalho sério, responsável e sustentável que os produtores realizam no Brasil. Essa posição tem que ser imediata e a curto prazo. É algo que pode nos ajudar.
Medidas a médio prazo envolvem crédito e incentivos à plantação de florestas e sistemas de manejo sustentáveis. Existem várias opções para financiar máquinas e plantação de lavouras mas poucas opções para produtores florestais. A longo prazo precisamos melhorar nossa infraestrutura, na verdade essa seria uma demanda imediata, mas sabemos que no Brasil isso é algo que sempre escutamos mas que pouco melhorou com o tempo.
MINUTO RURAL - Como a sustentabilidade é considerada no setor de exportação de produtos madeireiros no Brasil?
MILAZZO - Extremamente essencial para nosso setor. Quem depende da floresta tem consciência que somente práticas sustentáveis podem garantir o futuro do setor.
MINUTO RURAL - Como a WoodFlow está trabalhando para enfrentar os desafios do setor de exportação de produtos madeireiros no Brasil?
MILAZZO - Temos trabalhado para impactar positivamente todos aqueles que acompanham e utilizam a plataforma Woodflow. Conseguimos divulgar, de forma clara e transparente, produtores nacionais de madeira para todo o mundo através de uma vitrine digital. A plataforma permite que o importador interessado em adquirir um produto brasileiro tenha acesso a vários fabricantes, seus respectivos produtos e estrutura. Divulgamos as fábricas através de um vídeo onde a equipe Woodflow, de forma independente, realiza visitas aos fabricantes mostrando sua estrutura e produtos.
Montamos uma página dedicada ao fornecedor onde detalhamos os produtos, certificados, qualidades e tudo aquilo que seja necessário para que o importador tenha confiança ao decidir comprar um produto nacional. Criamos também um tour virtual, permitindo que o importador, em qualquer parte do planeta, possa visitar a fábrica em poucos cliques, gerando assim mais transparência em toda a negociação. Nossos principais usuários são fornecedores brasileiros e importadores ao redor do mundo. De um lado o produtor tem uma grande vitrine a sua disposição e do outro temos importadores que conseguem pesquisar, filtrar e conhecer a fundo o possível fornecedor. Através da tecnologia a Woodflow consegue gerar transparência, facilidade na busca por novos parceiros, aumentar a confiança e rastreabilidade em um comércio que é de extrema importância para o Brasil.
MINUTO RURAL - Quais são as oportunidades para o setor de exportação de produtos madeireiros no Brasil?
MILAZZO - O setor madeireiro nunca esteve tão preparado para se engajar no desenvolvimento sustentável do setor. Os controles de origem da madeira nativa ou plantadas estão em vigor e se aperfeiçoando cada vez mais. A busca por aumento de produtividade por área plantada ou nativa com novas tecnologias também está evoluindo e o Brasil tem tudo para se consolidar como grande produtor de diferentes produtos de madeira para todo o mundo. Temos uma extensa variedade de produtos em nosso país e podemos atender às mais exigentes necessidades do mercado mundial. A Woodflow está focada na missão de levar os produtos brasileiros para os 4 cantos do mundo.