Agricultura ESCARPA DEVONIANA
Instituto Terra e Água promove oficina para contribuir com o Plano de Manejo da APA da Escarpa Devoniana
A oficina acontece dia 18 de Abril em Ponta Grossa é o evento é uma importante iniciativa voltada à conservação ambiental na região, onde produtores rurais, pesquisadores e técnicos podem discutir o Plano de Manejo da APA.
15/04/2023 09h16
Por: Redação
Oficina de Contribuição ao Diagnóstico do Plano de Manejo da APA da Escarpa Devoniana será realizado dia 18 de abril em Ponta Grossa. Foto Toninho Anhaia

A oficina promovida pelo Instituto Terra e Água, será realizada no próximo dia 18 de abril, no Centro de Cultura de Ponta Grossa, no período da manhã das 9h às 12h e a tarde das 13h30 às 17h.  O evento é uma importante iniciativa voltada à conservação ambiental na região.

Os convidados para a oficina são representantes do governo, representações de classe como Sistema OCEPAR, Prefeituras, Frísia Cooperativa Agroindustrial, CRMV-PR, APRE floresta, Fundação ABC, Secretaria Municipal de Turismo e Meio Ambiente (SETMA) – Jaguariaíva, Associação de Preservação do Patrimônio Cultural e Natural da bacia do rio Tibagi, GUPE, Cooperativa Witmarsum, Copagricola – Ponta Grossa/PR, UEPG, entre outros. São usuários da APA entre sociedade civil, instituições públicas, instituições privadas, prefeituras, cooperativas, associações, etc. 

 

O objetivo da oficina é construir coletivamente o Plano de Manejo da APA, iniciando pela coleta de informações junto aos convidados da Oficina. A programação conta com a apresentação do que é um Plano de Manejo, as etapas do trabalho e o que é o Diagnóstico da APA.

Também será apresentado o Diagnóstico Preliminar da APA Estadual da Escarpa Devoniana, seguido de análise estratégica da APA, compreendendo o contexto histórico do território a partir do conhecimento dos participantes da oficina e atores da unidade de conservação.

 

O evento é uma oportunidade para os participantes da oficina compreenderem seu papel fundamental na conservação ambiental e na preservação da biodiversidade local.  Portanto, a participação no evento é uma oportunidade para contribuir com a construção de políticas públicas que promovam o desenvolvimento sustentável da região, conciliando o uso da terra com a conservação ambiental.

 

Serviço

Oficina de Contribuição ao Diagnóstico do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental Estadual da Escarpa Devoniana.

Local: Centro de Cultura - Rua Dr. Collares, 436 - Centro, Ponta Grossa

Dia: 18 de abril

Horário: 09h00 às 12h00 - 13h30 às 17h00.

 

 

Plano de Manejo: Consultor ambiental explica a importância da APA da Escarpa Devoniana e como a oficina do dia 18/04 pode contribuir para sua gestão sustentável

Acompanhe a entrevista com Sérgio Sakagawa, consultor ambiental da empresa STCP, explica que o Plano de Manejo é fundamental para a gestão da Área de Proteção Ambiental Estadual da Escarpa Devoniana. A oficina do dia 18/04 contribuirá para a elaboração desse plano, coletando informações sobre a realidade atual da APA de maneira participativa. Já os produtores rurais podem colaborar com a conservação ambiental seguindo as leis e adotando práticas sustentáveis. O principal desafio é conciliar o desenvolvimento socioeconômico da região com a conservação ambiental.

 

MR - Pode falar um pouco sobre a empresa STCP?

Sérgio: A STCP possui uma equipe multidisciplinar e profissionais experientes nas mais diversas especialidades: engenharia (ambiental, florestal, civil, elétrica, mecânica, processos, industrial madeireira), arquitetura, biologia, geografia, direito, economia, administração, comércio exterior, e outros. São 42 anos, mais de 4.000 projetos e estudos realizados, centenas de clientes em 43 países nos cinco continentes. Possuímos vasta experiência em trabalhos com Unidades de Conservação no Paraná e em nível nacional. Para maiores informações segue o link de nossa empresa. https://www.stcp.com.br

MR - Qual é a importância do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental Estadual da Escarpa Devoniana e como a oficina contribuirá para sua elaboração?

Sérgio: O plano de manejo é um documento oficial da Unidade de Conservação, alicerçado pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação - Lei n. 9.985, de 18 de julho de 2000 e regulamentado pelo Decreto Federal n. 4.340, de 22 de agosto de 2002. É um documento de planejamento da APA da Escarpa Devoniana. Tem uma previsão de ser reavaliado a cada 5 anos aproximadamente. É como se fosse um Plano Diretor Municipal, só que o município seria a Unidade de Conservação-UC. Sua elaboração segue um roteiro publicado pelo Instituto Chico Mendes - ICMBIO, no ano de 2018. Esse roteiro indica que esse planejamento deve ser realizado de maneira participativa, unindo dados técnico - científicos com informações de atores locais (pessoas, instituições, organizações da sociedade civil, governo, etc.). Didaticamente, esses atores são figuras que influenciam ou são influenciadas pela UC, aqui no caso, pela APA da Escarpa Devoniana. 

Essa primeira oficina do dia 18/04 será um evento para coletar as informações sobre a realidade da APA neste exato momento. É uma oficina de diagnóstico. Colheremos dados para entender a realidade atual da APA. Por enquanto, nada será definido. Colheremos informações para saber como planejar a gestão da UC daqui para frente. Iremos levantar informações sobre pontos positivos e negativos da UC, levantar ameaças sobre a APA, oportunidades que os atores enxergam sobre a UC, entre outros. Resumidamente, iremos levantar todos esses pontos para, no segundo semestre (data a ser definida pelo IAT), com todas essas informações organizadas e sistematizadas em mãos, convocar novamente os atores e por três dias fazer o planejamento de aproximadamente cinco anos da APA da Escarpa Devoniana. Portanto, nesse primeiro momento será uma coleta de informações. 

MR - Como os produtores rurais da região podem colaborar com a conservação ambiental e a preservação da biodiversidade local?

Sérgio: Na realidade já fazem isso. Basta seguir as leis das diversas esferas que regulam as atividades desenvolvidas nas propriedades. Manter as Reservas Legais e as Áreas de Preservação Permanentes - APP da região já é de bom tom. No entanto, como são os maiores interessados na conservação ambiental, pois sem um ambiente saudável, seja pelo solo, pela água, pelo clima, suas produções podem ser prejudicadas, os produtores rurais podem ir além. Por exemplo, podem iniciar práticas de culturas agrícolas não convencionais que utilizam técnicas menos danosas aos cursos hídricos, florestas e fauna local. Existem metodologias de produção não convencionais que podem ser mais difundidas e praticadas pelos produtores rurais, inicialmente como alternativas econômicas e um processo de diversificação de culturas e renda. Entidades de extensão rural municipais, estaduais e federais podem auxiliar nessas transições. Já existem iniciativas público-privadas e da sociedade civil que possuem conhecimento e iniciativas (programas e projetos) que fomentam essas atividades mais sustentáveis ao meio ambiente. Mas sempre lembrando que o produtor não pode mudar sua cultura da noite para o dia, tem que haver uma transição, e isso não é tão rápido e simples assim. Tudo no seu devido tempo, o importante é ter a consciência de melhorar, principalmente pensar na questão dos recursos hídricos que podem ser muito prejudicados por acidentes de culturas agrícolas mal gerenciadas. E água é um bem que está ficando escasso, seja para beber ou para plantar. 

MR - Quais são os principais desafios enfrentados na conciliação do uso da terra e água com a preservação ambiental na região da Escarpa Devoniana?

Sérgio: Um dos grandes gargalos da gestão da APA é conciliar o desenvolvimento socioeconômico da região e a sanidade ambiental da APA. Desenvolvimento socioeconômico não pode ser antagônico a conservação ambiental, pois um depende do outro. A APA necessita de recurso para ser administrada e conservada, porém não podemos esquecer que há todo um desenvolvimento socioeconômico da região que também deve ser respeitado. A participação da sociedade civil nesses momentos de planejamento da APA é importante para chegar nesse senso comum. Não é fácil, cada um tem um interesse, porém deve ser entendido o interesse coletivo que é a sanidade ambiental, e isso não envolve somente bichos e plantas, existimos no mesmo meio, a sociedade, pais, mães, filhos, agricultores, populações tradicionais, professores, empresários, pesquisadores, IAT, enfim, todos. 

MR - Qual é o papel das políticas públicas na promoção do desenvolvimento sustentável da região e como a participação na oficina pode contribuir para sua construção?

Sérgio: É incentivo. Incentivar métodos e práticas de quaisquer áreas a serem mais sustentáveis. Desde as escolas, as indústrias, serviços, nossas casas, cidades, enfim tudo. Incentivos financeiros sempre  são bem vindos, tem-se que atuar beneficiando quem utiliza boas práticas. Sabe a estrelinha que o aluno que vai bem na escola ganha? Essa estrelinha pode ser um benefício econômico, social, uma exposição positiva através de veículos de comunicação expondo esse benfeitor socioambiental, entre outras ações, que tragam benefícios a mais às iniciativas e ações sustentáveis desse cidadão. 

MR - Quais são as expectativas para o resultado final da oficina e como a sociedade pode se beneficiar do Plano de Manejo da APA da Escarpa Devoniana?

Sérgio: Nessa primeira oficina de diagnóstico (levantamento de informações), é possível obter informações mais fidedignas possíveis sobre a atualidade da APA. Sabe-se já, que diversas regras da APA têm que ser atualizadas, pois não condizem com a realidade dos dias de hoje. Como exemplo, algumas regras do zoneamento da UC têm que ser regulamentadas novamente. Não se pretende aliviar as regras para correr o risco de degradar mais as áreas da APA, mas existem reformulações que não prejudicam a conservação ambiental da APA, e estas podem dificultar o desenvolvimento econômico regional e até estadual. Essa conciliação e reformulação respeitando as leis ambientais é a meta. 

MR - Fica aberto espaço para considerações finais?

Sérgio: Vamos construir e não destruir. Mas essa construção terá que ter algumas pequenas perdas para grandes ganhos. O diálogo e a construção coletiva são os objetivos. Desenvolvimento social, ambiental e econômico na linha da sustentabilidade. Essa será a meta da APA. Não há como favorecer somente um ou dois lados, sempre temos que visar os três. Não é fácil, mas também não é impossível. O clima já está respondendo as nossas ações. A tal das “mudanças climáticas” já afeta nossas vidas, principalmente a dos produtores agrícolas que dependem de um clima estável e equilibrado para suas atividades. E não podemos esquecer de falar que a agricultura coloca comida nas nossas mesas, nos nossos hospitais, escolas, creches, enfim, prejudicar a APA e a atividade agrícola é como diminuir nossa sobrevivência. Essa aliança deve ser fortalecida.