A raça Dorper ganhou uma casa dentro do Parque Ney Braga na ExpoLondrina 2023. Segundo o médico veterinário Pedro Henrique Tunes Ortiz, proprietário da Dorper Cordeiro Medalha, de Rolândia (Norte do Paraná), este ano não haverá o tradicional leilão da raça durante a Expo, mas, em compensação, haverá um espaço exclusivo para fomentar a ovinocultura, onde os criadores poderão discutir as qualidades e diferenças das raças Dorper e White Dorper.
“A gente já faz o leilão Cordeiro Medalha desde 2015 na ExpoLondrina, mas como os prazos ficaram apertados este ano, nós não fizemos o leilão, mas estamos com a casa, que representa o núcleo de criadores de Dorper e White Dorper do Paraná”, diz Pedro Ortiz.
Ele explica que as raças Dorper e White Dorper são originárias da África do Sul e se adaptam muito bem em várias regiões do Brasil. “A Dorper é a raça que mais cresce no Brasil hoje. É uma raça de aptidão de carne, que coloca muita precocidade nos animais, com abate mais cedo, animais produtivos e que ganham mais peso. É uma raça que tem muita resistência em qualquer tipo de ambiente”, descreve.
Por sua adaptabilidade, a Dorper também é a raça de ovinos que mais cresce no Paraná. “Tem muita aceitação de criadores do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, tanto que nós vamos realizar um leilão virtual, o Leilão União Sul, reunindo criadores dos estados que têm potencial de crescimento de novos criadores”, informa Ortiz.
Para ele, o trabalho realizado pela Casa Dorper dentro do Parque de Exposições “vai ser muito importante para os próximos anos porque vai ser um ponto de encontro de criadores e fomento de negócios, que mostra o crescimento das raças Dorper e White Dorper na região Sul do Brasil”.
Hoje, no Paraná, são dez os produtores de animais Puro de Origem (PO) credenciados pela Associação Brasileira de Criadores de Dorper. “Se for colocar os criadores que não são credenciados, tem muito mais. O rebanho do Paraná é muito grande, só perde para o Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco. Hoje, o Nordeste tem mais volume de Dorper, mas a região Sul é a que mais conquista novos criadores”, diz Pedro Ortiz.
De acordo com ele, os criadores paranaenses estão espalhados por todas as regiões do Estado. “O Núcleo de Criadores Dorper tem sete produtores: tem criador em Londrina, Rolândia, Cascavel, Corbélia, Curitiba, Maringá, Tapejara, São Tomé, que é no Oeste, mas é muito espalhado.”
Ortiz avalia que o mercado da carne ovina está bastante aquecido e passa por um momento de profissionalização de toda a cadeia. “É um mercado muito atrativo porque tem espaço para entrar e tem muita demanda e pouca oferta. A gente não consegue abastecer o mercado interno, que dirá o externo, porque tem uma demanda reprimida.”
A qualidade da carne Dorper é semelhante à da raça bovina Angus. “É uma raça que dá marmoreio, cobertura de gordura, uma carne mais saborosa”, descreve Ortiz, reforçando que não é só o mercado de carne que está aquecido no Paraná e no Brasil, mas o de ovinos PO também.
“O Dorper tem umas características exóticas, como o corpo branco e a cabeça preta, que chama muito a atenção. Além de ser muito bonito, é um animal muito eficiente no campo”, declara o criador, justificando que para a cadeia crescer com mais força, ainda falta capacitação técnica na base.
“Como médico veterinário, eu tento orientar ao máximo quando faço o trabalho de consultoria, mas o que mais falta é a base na fazenda. Os funcionários dever ser treinados e a fazenda deve ter uma equipe específica para trabalhar com ovinos porque eles demandam uma atenção especial”, reforça Ortiz.
Conforme ele, hoje, há todo tipo de produtor de ovino, desde o agricultor que tem um espaço vazio no sítio e quer aproveitar a área, até criadores de boi e de cavalo que também são ovinocultores.
“Tem de tudo um pouco. É uma alternativa para diversificar a produção de pequenas propriedades que querem fazer um trabalho em escala e grandes propriedades que têm espaço e querem fazer um trabalho para rentabilizar mais a fazenda. É uma baita alternativa”, sugere Pedro Ortiz.
Se o desejo do criador é produzir carne para atender frigoríficos, Ortiz recomenda começar a criação sem pressa, investindo na capacitação da equipe. “Para ter um bom retorno, você deve ter, pelo menos, de 300 a 500 matrizes para carne. Agora, se for trabalhar com animal PO de elite, com 12, 10 ou até cinco animais você já começa a ter um retorno, que é muito rápido porque a gestação é de cinco meses e depois de cinco ou seis meses o animal já está apto para venda.”
Hoje, um dos criadores do núcleo do Dorper no Paraná fornece carne para restaurantes, açougues e supermercados de Maringá, mas ainda não consegue abastecer a demanda por completo. “É um mercado muito aberto ainda.”
O Cordeiro Medalha, hoje, só produz genética e conta com cerca de 550 animais na propriedade que fica em Rolândia. “Mas tem muita gente que começa a fazer genética e faz corte também”, diz Pedro Ortiz, que espera, com a Casa do Dorper, fomentar ainda mais a criação da raça no Norte do Paraná.
“A gente criou um núcleo para ter mais criadores juntos. E a ideia é ter essa casa este ano na ExpoLondrina e, depois da Expo, a proposta é ficar dentro da Sociedade Rural, para fomentar a cadeia, realizar uns cursos”, finaliza Ortiz.
Pavilhão de ovinos da ExpoLondrina reúne mais de 500 animais
O pavilhão de ovinos na ExpoLondrina 2023 reúne mais de 500 animais das raças Dorper, White Dorper, Texel, Texel naturalmente colorido, Ile de France, Santa Inês e Pool Dorset.
Para o diretor de Pecuária da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Luigi Carrer Filho, a importância de ter a Casa do Dorper nesta edição da ExpoLondrina está em atender melhor os criadores da raça. “A Rural, como uma entidade de classe, quer fomentar a presença dos produtores, seja de bovino, ovino, caprino, equino, de qualquer espécie”, diz.
Segundo ele, a SRP pretende conversar com o Núcleo de Criadores de Dorper após a ExpoLondrina para que a raça mantenha um local dentro no Parque de Exposições. “Nós priorizamos as raças, as associações, os núcleos que fazem leilão, julgamento, que fomentam as atividades, não é para simplesmente ter uma casa de lazer, mas sim para fomentar atividade, para fomentar presença, divulgar tecnologias pertinentes a atividade deles. Essa é exatamente a função que a gente quer que esses núcleos tenham em relação aos seus pares.”
O diretor destaca que a importância da ovinocultura para a ExpoLondrina é imensa: “Basta você ver que a gente tem a presença de mais de 550 animais destinados a julgamento, comercialização, leilão. Tem também aqueles pequenos produtores, que tem um rebanho um pouco menor, mas que tem uma importância imensa”.
“Se a gente for pensar quanto que gera de emprego, de comercialização, de insumo, a ovinocultura é uma atividade importantíssima dentro da exposição”, completa Carrer Filho. Ele cita que 440 ovinos de diversas raças irão participar de julgamentos em diferentes categorias e grandes campeonatos durante a ExpoLondrina a partir da quarta-feira (12) até o domingo (16).