Depois de dois anos interferindo significativamente nas condições climáticas da América do Sul, o fenômeno La Niña – que se caracteriza pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico – deve continuar a perder força, fazendo com que o continente entre em um período de neutralidade climática. Com isso, a previsão é que o Paraná tenha condições meteorológicas mais estáveis ao longo do primeiro semestre de 2023, com índices de chuva e de temperatura próximos das médias históricas. Assim, a expectativa é de que o produtor rural não tenha sobressaltos no campo.
Os prognósticos foram apresentados na live “Previsões Climáticas para o Paraná e o Brasil”, promovida no dia 20 de janeiro, pelo Sistema FAEP/SENAR-PR. A análise e as previsões foram feitas pelo meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Marco Jusevicius (a apresentação está disponível no canal do Sistema FAEP/SENAR-PR no YouTube).
“Começamos o ano com o enfraquecimento do La Niña. Em fevereiro e março, devemos entrar em neutralidade climática. Em julho e agosto, devem começar as probabilidades de termos o El Niño, com aquecimento das águas do Pacífico”, disse Jusevicius.
Com base em modelos de análises, o meteorologista detalhou as perspectivas para o primeiro semestre. Em fevereiro e março, a previsão é de que as temperaturas médias do Paraná fiquem um pouco acima da média histórica, mas de forma não significativa, enquanto as chuvas podem seguir dentro do padrão. Em abril, a tendência é que os índices pluviométricos tenham uma leve redução, mas não a ponto de caracterizar um período de seca. Em maio e junho, as condições podem seguir dentro das médias históricas, podendo haver uma ligeira alta das temperaturas em relação ao padrão da época do ano.
“Clima sempre é um problema sério para o produtor rural. Pelas previsões, pode ser um ano bom para o campo. Temos perspectivas de ter uma safra recorde no Paraná. Então, é sempre bom acompanharmos essa questão de perto”, comentou o presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette, que também participou da transmissão.
La Niña anômala
Nos últimos três meses de 2022, as condições climáticas ainda eram regidas pela La Niña, mas de forma anômala, com eventos significativos que impactaram a agricultura na região Sul do Brasil. Em outubro, por exemplo, o Paraná enfrentou índices pluviométricos bem acima da média, sobretudo nas regiões Oeste e Sudoeste. As tempestades, inclusive, provocaram prejuízos em vários municípios. Novembro, por sua vez, se caracterizou por temperaturas mais baixas que as médias históricas. Em dezembro, as chuvas voltaram com força, sobretudo na Serra do Mar, onde se registraram deslizamentos em rodovias, como a BR-277 e a BR-376.
“Foi uma condição bem diferente, com eventos significativos que impactaram a agricultura. Tivemos chuvas acima da média e quedas de temperaturas inesperadas para essa aquela época do ano”, definiu Jusevicius.
Previsão para o semestre
● Dissipação do fenômeno climático La Niña entre o verão e outono;
● Projeção de desenvolvimento de um evento de El Niño a partir do segundo semestre de 2023;
● As precipitações e as temperaturas do Paraná devem ficar próximas das médias históricas para a época do ano.